pontos-de-interesse

Cova de s'Estret des Temps: sepultura da Idade do Bronze junto ao mar

Cova de s'Estret des Temps, Mallorca
Andreu9, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (Recorte/dimensionamento via mallorca.com) — As alterações a esta imagem estão disponíveis sob a mesma licença.

Uns metros abaixo de uma estrada, abre-se na rocha costeira uma entrada invulgarmente pequena. É o acesso à Cova de s'Estret des Temps, uma gruta escavada na rocha e sítio arqueológico perto de Cala Figuera. Quem passar sem prestar atenção pode confundi-la com uma simples fenda. Na verdade, a entrada baixa conduz a um túmulo pré-histórico com corredor, câmara principal e nicho lateral.

O encanto deste lugar não está na dimensão nem na forma como é apresentado. Não encontrarás aqui uma gruta extensa, mas sim uma pequena estrutura cuja planta e marcas de trabalho na rocha ainda mostram como o espaço foi cuidadosamente escavado. A entrada retangular, a possível ranhura para uma laje de fecho e a separação entre o corredor e a câmara fazem destes poucos metros quadrados um exemplo claro da arquitetura pré-histórica. A Cova de s'Estret des Temps vale sobretudo a visita para quem gosta de conhecer sítios arqueológicos no seu contexto original. A gruta também é uma paragem interessante para descobrir um pouco da história da região durante um passeio a Cala Figuera ou em direção ao parque natural Mondragó.

História e importância

O vestígio mais evidente do passado não é uma peça exposta numa vitrina, mas a própria rocha trabalhada. A Cova de s'Estret des Temps foi escavada na rocha e é um sítio arqueológico da Idade do Bronze em Maiorca. A sua forma e os elementos da construção que chegaram até nós indicam que era usada como gruta funerária. Não se tratava, portanto, de um abrigo natural aproveitado mais tarde, mas de um espaço criado de propósito para acolher os mortos.

Uma gruta escavada na Idade do Bronze

Ao observares a entrada baixa, vês o resultado de um trabalho planeado. O corredor descendente, a câmara principal e um pequeno compartimento lateral foram escavados na rocha. O teto plano acompanha as camadas horizontais da pedra. Esta solução facilitou a escavação e mostra que os construtores adaptaram o espaço à estrutura da rocha, em vez de criarem uma cavidade sem atender às suas características.

A gruta data da Idade do Bronze. No caso da Cova de s'Estret des Temps, o mais importante é a sua função funerária. A estrutura visível não permite, porém, saber quem foi ali sepultado, que objetos acompanharam os mortos ou quais foram as fases exatas de utilização. No local, é sobretudo a arquitetura que conta a história: a entrada, as divisórias e as câmaras formam uma sequência que separa claramente o interior do espaço exterior.

Uma entrada que podia ser fechada

Um pormenor especialmente revelador encontra-se na entrada retangular. Aí é possível ver uma reentrância que provavelmente servia para encaixar uma laje de fecho. É também provável que o corredor estivesse coberto por lajes de pedra. Estes elementos mostram que a gruta não foi concebida para ficar permanentemente aberta. Era possível controlar e fechar o acesso, isolando o interior do espaço exterior.

Entre o corredor e a câmara principal havia ainda uma parede com uma abertura de passagem. Esta divisória criava mais uma separação antes de se chegar ao espaço funerário propriamente dito. Elementos como estes são mais importantes para compreender o local do que um achado isolado e espetacular, pois mostram que a sequência dos espaços fazia parte do plano original.

Um sítio arqueológico sem grandes encenações

Hoje, a gruta é importante sobretudo como vestígio arqueológico preservado. A terra e os detritos cobrem o chão original, mas ainda se distinguem as formas escavadas na rocha. O que se vê não é um espaço totalmente reconstruído, mas o estado atual de uma sepultura muito antiga, escavada na paisagem costeira.

É precisamente por não ter sido reconstruído que este lugar impressiona. Entre a estrada, a rocha e o mar, encontra-se um espaço que, em tempos, foi deliberadamente separado da vida quotidiana. A Cova de s'Estret des Temps recorda-nos que, muito antes das povoações, dos portos e das estâncias balneares de hoje, a costa de Maiorca já era uma paisagem marcada pela presença humana.

O que há para ver

A primeira impressão pode enganar: a abertura é pequena e a passagem para o interior é baixa. No entanto, percebe-se claramente como os vários elementos se articulam. Por isso, vale mais a pena observar a gruta como uma sequência de espaços do que como uma sala única: da entrada exterior, segue-se pelo corredor até à câmara principal e ao nicho lateral.

A entrada retangular

A entrada tem apenas 0,65 metros de altura e 0,50 metros de largura. Estas medidas mostram que não se entra de pé na Cova de s'Estret des Temps como numa divisão comum. A pequena abertura obriga a avançar devagar e marca claramente a passagem do exterior para o interior.

Junto à entrada, podes observar uma reentrância que poderá ter servido para encaixar uma laje de pedra. É fácil não reparar neste pequeno pormenor, mas trata-se de uma das características mais reveladoras do conjunto. Mostra que a entrada foi concebida como um portal: pensou-se não só na cavidade, mas também na forma de a fechar.

O corredor descendente

Depois da entrada, um corredor ligeiramente inclinado para baixo conduz à câmara interior. Tem 2,25 metros de comprimento, 0,90 metros de largura e 1,50 metros de altura. Embora seja mais espaçoso do que a abertura de entrada, continua a ser baixo e estreito. Para conhecer este lugar, tens necessariamente de mudar de postura: só depois de passares pela pequena entrada é que o espaço se alarga um pouco.

É provável que este troço tenha sido originalmente coberto por lajes de pedra. Nesse caso, o corredor não seria apenas uma vala aberta no terreno, mas uma passagem protegida. Hoje, a sua ligeira inclinação permite perceber como o percurso desce da encosta até ao espaço escavado na rocha.

A parede divisória

Na passagem para a gruta havia uma parede com uma abertura para uma porta. A parede tem 0,50 metros de espessura; a base da abertura fica 5 centímetros acima do chão. Este pequeno degrau é um pormenor arquitetónico preciso e mostra que o corredor e a câmara não formavam um espaço contínuo.

A parede divisória separava o percurso em 2 partes. Quem entrava passava primeiro pelo acesso exterior e pelo corredor, antes de atravessar um segundo limiar para chegar ao espaço funerário. Para quem visita a gruta hoje, este é um bom motivo para não olhar apenas para a sua forma geral: o significado do lugar está também na maneira cuidadosa como se sucedem aberturas, limites e espaços interiores.

A câmara principal

O espaço central mede cerca de 4,25 metros de comprimento por 1,90 metros de largura. A planta é descrita como uma ferradura alongada. Em comparação com o acesso estreito, a câmara parece bastante mais ampla, embora continue a ser um espaço pequeno e fechado. As suas proporções são próprias de um lugar destinado a sepultamentos, não a grandes reuniões.

O teto é plano e acompanha as camadas horizontais da rocha. Esta solução aproveitou a disposição natural da pedra para escavar na direção que oferecia menos resistência. Em vez da abóbada irregular de uma gruta natural, vê-se uma superfície talhada de propósito. É sobretudo no teto que se percebe que a Cova foi feita pelo ser humano.

O chão original está hoje coberto por terra e entulho. Por isso, não se deve olhar para a câmara como se o seu interior tivesse sido totalmente escavado ou reconstruído. O que permanece visível é sobretudo o espaço talhado na rocha — a parte do conjunto que não pode ser retirada nem exposta num museu.

A câmara lateral

Da câmara principal parte um pequeno compartimento lateral. Tem uma planta em forma de rim e mede 1,45 metros por 0,80 metros nas suas 2 dimensões principais; a altura é de 0,95 metros. Parece, por isso, muito mais acanhado do que a câmara principal. Na base, há ainda uma pequena cavidade.

É fácil não reparar neste espaço lateral se a atenção se concentrar apenas na entrada ou na câmara maior. No entanto, é essencial para compreender a planta. O conjunto não é apenas um corredor que termina numa câmara: inclui também um espaço adicional, claramente separado. Os vestígios visíveis não permitem determinar com segurança que função tinha este nicho no ritual funerário. Já o facto de ter sido talhado intencionalmente não deixa dúvidas.

A rocha costeira

A localização faz parte da construção. A gruta artificial foi escavada numa encosta rochosa junto à costa e está virada para o mar. Fica apenas alguns metros abaixo do nível da estrada. O contraste é invulgar: em cima passa a via atual; em baixo encontra-se um espaço pré-histórico cuja entrada acompanha de perto a forma do terreno.

A posição da gruta também ajuda a compreender como foi construída. O corredor aproveita o desnível da encosta e desce ligeiramente. As câmaras ficam escondidas na rocha, enquanto a entrada se abre na encosta. É nesta ligação entre a paisagem e a arquitetura que se percebe por que razão a Cova de s'Estret des Temps, apesar das suas pequenas dimensões, constitui um sítio arqueológico completo.

A visita

A visita começa por encontrar uma pequena entrada abaixo da estrada. O conjunto é compacto e, em princípio, podes incluí-lo no percurso como uma breve paragem arqueológica. Ainda assim, vale a pena fazer mais do que espreitar pela abertura. Se observares, por esta ordem, a entrada, o corredor, a zona de separação e a câmara lateral, compreenderás muito melhor a lógica da planta.

Da entrada à câmara

Logo à entrada, a abertura de 0,65 metros de altura obriga-te a baixar bastante o corpo. No corredor seguinte, a altura continua limitada a 1,50 metros. A ligeira descida do chão, bem como a terra e o entulho no interior, exigem movimentos lentos e cuidadosos. Não é, por isso, um lugar para entrar distraidamente enquanto tiras fotografias ou olhas para o telemóvel.

À entrada, começa por procurar o possível encaixe da laje que fechava a gruta. Depois, acompanha com o olhar a ligeira descida do corredor até à passagem para a câmara principal. Aí, repara no teto plano; o conjunto é descrito como tendo uma forma alongada de ferradura. Só depois se destaca a pequena câmara lateral em forma de rim. Esta sequência segue a disposição dos espaços e ajuda-te a perceber o que vês ao longo do curto percurso.

Tempo necessário e tipo de visita

A visita à gruta em si não exige um percurso demorado. O tempo necessário depende sobretudo de quereres ver apenas a entrada ou observar também a estrutura com atenção. Se te interessas por arqueologia, é provável que te demores mais nas passagens entre os espaços, nas paredes e nas formas das câmaras do que quem inclui o sítio numa breve paragem durante um passeio pela costa.

Não há razão para prolongar a visita tentando avançar à pressa por zonas apertadas. A combinação da entrada, do corredor e da câmara já dá uma boa ideia do lugar. Como se trata de um sítio arqueológico frágil, não pises as paredes, as cavidades nem os possíveis vestígios de construções. Também não os desloques nem os uses para pousar objetos.

Antes de partir

Confirma os horários de abertura e as condições de entrada antes da visita. O acesso e as regras locais podem mudar, por isso respeita sempre os avisos e as barreiras que encontrares no local. Escolhe também a hora da visita tendo em conta as condições na encosta junto à costa. Mais do que o programa de atividades ou os horários das visitas guiadas, importam a boa luz, o terreno seco e tempo para passar com calma pela entrada baixa. Se as condições não forem favoráveis, basta observar a estrutura por fora, sem arriscar a passagem por um troço apertado ou escorregadio.

Como chegar e onde estacionar

As indicações de viagem a partir de outros pontos da ilha levam-te até Cala Figuera. Do aeroporto de Palma, são 52 quilómetros por estrada; a viagem demora cerca de 48 minutos, pela Ma-19 e depois pela Ma-6102. Do centro de Palma, são 58 quilómetros por estrada. Por este percurso, também pela Ma-19 e pela Ma-6102, a viagem demora cerca de 56 minutos.

O último troço até à gruta

As distâncias e os tempos de viagem indicados terminam em Cala Figuera, não à entrada da gruta. Para o último troço, usa a localização exata da Cova de s'Estret des Temps. O sítio arqueológico fica numa falésia costeira, apenas alguns metros abaixo do nível de uma estrada. A partir da estrada, a descida até à entrada é curta. Antes de desceres, observa bem a encosta: não procures uma grande entrada de gruta nem um edifício imponente.

De autocarro e a pé

Se fores de transportes públicos, a paragem de referência é Cala Figuera. A partir daí, terás de planear separadamente o percurso até ao sítio arqueológico. Como a gruta fica abaixo de uma estrada, ao escolheres o caminho a pé, tem em conta não só a distância, mas também a segurança dos troços de estrada e os acessos disponíveis.

Se fores de carro, estaciona apenas num local permitido e não obstruas a berma da estrada junto ao sítio arqueológico. Para te orientares, usa Cala Figuera como ponto de partida e a localização exata da gruta como segundo destino. Assim, fica claro que os 52 ou 58 quilómetros por estrada terminam na localidade, não junto à entrada baixa da gruta.

Linhas de autocarro para Cova de s'Estret des Temps num relance

LinhaPercursoViagens/diaPrimeira viagemÚltima viagem
521Cala d'Or - Cala Mondragó2208:4520:40
516Cala Figuera - Campos1706:4522:00

Com base nos dados oficiais dos horários GTFS (TIB/SFM), sem informação em tempo real. Os números agregam todas as paragens na localidade; as viagens aos fins de semana e feriados podem variar — confirma junto do operador antes de viajar.

Como chegar de autocarro

  • Cala Figuera (57029) · 1,3 km Em linha reta

    • 516Cala Figuera - Campos · Diariamente
  • Cala Mondragó (57024) · 2,0 km Em linha reta

    • 521Cala d'Or - Cala Mondragó · Diariamente

Dados de horários: dados GTFS oficiais (TIB/EMT), sem informações em tempo real — confirma os horários junto do operador antes de iniciares a viagem.

Nas redondezas

Depois do espaço baixo e apertado da câmara funerária, o porto de Cala Figuera oferece uma mudança de cenário. A localidade situa-se numa enseada em forma de Y, cujos braços se chamam Caló d’en Boira e Caló d’en Busques. Ao longo da água, há casas de pescadores, abrigos para barcos e pequenas habitações; no porto, podes ver barcos de trabalho tradicionais. Um passeio por ali combina bem com a visita ao sítio arqueológico, sem sobrecarregar o dia.

Cala Figuera

A enseada já era mencionada em 1306, mas só passou a ter habitantes permanentes perto do final do século 19. Hoje, Cala Figuera merece uma visita sobretudo pelo seu porto, que conserva a traça que foi ganhando ao longo do tempo. Não tem praia de areia própria, mas é um bom lugar para passear junto à água e um ponto de partida para conhecer outros locais da costa sudeste.

O contraste com a Cova de s'Estret des Temps é notável. No porto, são os barcos, as casas e os locais de trabalho que marcam a paisagem; na gruta, uma abertura baixa conduz a um espaço muito mais antigo, escavado na rocha. Cada um à sua maneira, os 2 lugares mostram como as pessoas aproveitaram a estreita faixa entre a terra e o mar.

Parque Natural de Mondragó

O Parque Natural de Mondragó fica perto do sítio arqueológico e serve de referência para os percursos nesta zona da costa. Podes combinar uma caminhada pelo parque com uma visita às enseadas de Cala Mondragó, S’Amarador e Sa Font de n’Alis. Para aproveitar o passeio, começa por uma visita breve e atenta à gruta arqueológica e reserva mais tempo para explorar a paisagem costeira.

Convém, no entanto, não confundir os 2 destinos. A Cova é uma gruta funerária artificial da Idade do Bronze; o parque natural oferece paisagens, trilhos e enseadas onde podes tomar banho. É essa diferença que torna o passeio mais variado, sem reduzir o sítio arqueológico a uma simples paragem a caminho da praia.

Outros locais a visitar na costa sudeste

Nos arredores, também podes visitar o Torre d’en Beu, Cala Santanyí e Es Pontàs. Consoante o percurso, podes incluí-los numa visita a Cala Figuera. Se o teu principal interesse for a arqueologia, dedica tempo à Cova antes de te deixares impressionar pelas paisagens costeiras mais marcantes. A gruta não é um miradouro: é um lugar discreto, cujos pormenores mais importantes estão na entrada baixa e na rocha trabalhada.

A localidade correspondente

Cala Figuera no retrato da localidade

O que deves saber antes da visita

O facto de a Cova de s'Estret des Temps ser pequena não significa que seja fácil entrar. A entrada é mais baixa do que uma mesa comum, a passagem desce ligeiramente e o chão original está coberto de terra e entulho. Antes da visita, avalia com realismo a tua capacidade de te moveres num espaço apertado e lembra-te de que não se trata de uma gruta preparada para visitas turísticas.

Calçado e roupa

Para a curta descida e o piso irregular no interior, convém usar calçado resistente, com sola aderente. Como a entrada tem apenas 0,65 metros de altura e o corredor 1,50 metros, escolhe roupa que te permita baixar-te à vontade. Malas grandes e objetos soltos mais atrapalham do que ajudam durante a visita.

Uma pequena lanterna pode ajudar-te a distinguir melhor as formas e o chão junto à entrada. Usa-a sem encandear os outros visitantes. Acima de tudo, presta atenção ao piso: a terra, as pedras soltas e os pequenos desníveis merecem mais cuidado do que a procura da fotografia perfeita dentro da câmara.

Visitar com crianças

A abertura baixa pode despertar a curiosidade das crianças, mas a gruta não é um túnel para brincar. A passagem descendente, os detritos no chão e as superfícies arqueológicas exigem que as acompanhes de perto. Explica-lhes que não devem deslocar pedras, alargar cavidades nem trepar pelas paredes.

A decisão de deixar uma criança entrar na gruta depende menos da idade do que da sua capacidade de se mover em segurança num espaço apertado. Observá-la do exterior pode ser suficiente para lhe mostrar a entrada, o corredor e a posição da gruta na rocha. É a melhor opção, sobretudo se o chão estiver húmido, houver pouca visibilidade ou a abertura estreita lhe causar desconforto.

Respeitar o sítio arqueológico

A Cova não é um espaço natural para aventuras, mas sim uma antiga sepultura. Por isso, não leves nada, não deixes nada para trás e não faças inscrições na rocha. Mesmo as pedras que parecem soltas podem fazer parte do contexto arqueológico. Limita-te a observar a cavidade junto à entrada e os vestígios da divisão interna.

Vê-se um pequeno túmulo escavado na rocha. O seu interesse está nas proporções preservadas, nas soleiras e na ligação à paisagem original, não nas infraestruturas turísticas.

Dicas de quem vive na região

  • Procura o entalhe à entrada

    Na entrada retangular, vê-se um entalhe onde provavelmente encaixava uma laje de fecho. Este pormenor discreto revela melhor a origem artificial da gruta do que um primeiro olhar para a câmara.

  • Repara no teto plano

    Na câmara principal, o teto plano acompanha as camadas horizontais da rocha. É aí que se percebe especialmente bem como os construtores aproveitaram a estrutura natural da rocha ao escavar o espaço.

  • Não deixes passar a câmara lateral

    A pequena câmara lateral, em forma de rim, passa facilmente despercebida ao lado da câmara principal, maior. No entanto, foi prevista na planta da Cova e mostra que esta não se resume a um corredor com uma câmara no fundo.

  • Combina a visita com um passeio pelo porto

    Depois de visitares a gruta, aproveita para passear pelo porto de Cala Figuera. As casas dos pescadores, os abrigos para barcos e os braços da baía em forma de Y contrastam com o espaço apertado da câmara funerária pré-histórica.

  • A arqueologia antes da caminhada

    Se também quiseres visitar o parque natural de Mondragó, começa pela Cova. Os pequenos pormenores da construção exigem mais atenção do que a paisagem costeira aberta. Depois, podes fazer a caminhada e explorar as enseadas com mais calma.

25°C Cala Figuera
O que é a Cova de s'Estret des Temps?
A Cova de s'Estret des Temps é uma gruta funerária escavada na rocha costeira e um sítio arqueológico perto de Cala Figuera. Data da Idade do Bronze em Maiorca. Por trás de uma entrada retangular muito baixa encontram-se um corredor ligeiramente descendente, uma câmara principal e um pequeno nicho lateral. Não é, portanto, uma grande gruta natural ou de estalactites, mas uma estrutura pré-histórica planeada, cuja importância se revela sobretudo na planta e nas superfícies talhadas na rocha.
Porque vale a pena visitar a Cova de s'Estret des Temps?
Vale a pena visitá-la porque reúne, num espaço pequeno, vários elementos preservados da arquitetura funerária pré-histórica. Destacam-se a entrada retangular, uma cavidade onde poderá ter encaixado uma laje de fecho, o corredor descendente e a separação entre este e a câmara funerária. Na câmara principal, o teto plano mostra como a escavação acompanhou as camadas horizontais da rocha. É um lugar sobretudo para quem prefere conhecer a arqueologia no seu contexto original, e não apenas num museu.
Qual é o horário de visita e é preciso pagar entrada?
Não há informação atual e fiável sobre o horário de visita nem sobre as condições de entrada na Cova de s'Estret des Temps. Convém confirmar ambos pouco antes da visita, através de fontes locais atualizadas. A sinalização, as vedações e as regras de acesso no sítio arqueológico têm sempre prioridade. Mesmo que a entrada pareça acessível a partir do terreno, isso não significa que seja permitido entrar na gruta a qualquer momento.
Como chego à gruta a partir de Palma ou do aeroporto?
As indicações de percurso disponíveis vão apenas até Cala Figuera. Do aeroporto de Palma, são 52 quilómetros por estrada e a viagem demora cerca de 48 minutos pela Ma-19 e pela Ma-6102. Do centro de Palma, são 58 quilómetros por estrada e deves contar com cerca de 56 minutos, também pela Ma-19 e pela Ma-6102. Estes valores referem-se exclusivamente ao trajeto até Cala Figuera. Para o último troço, é preciso usar a localização exata da Cova: fica numa rocha costeira, alguns metros abaixo do nível de uma estrada.
É possível chegar à Cova de s'Estret des Temps de autocarro?
Cala Figuera tem uma paragem de autocarro e pode servir de ponto de partida para quem chega de transportes públicos. O percurso daí até ao sítio arqueológico, porém, tem de ser planeado à parte. Não basta escolher o caminho mais curto no mapa: verifica também se é seguro percorrer a pé os troços de estrada. A gruta fica abaixo de uma estrada, na zona costeira, e não tem uma entrada monumental que se veja facilmente ao longe e sirva de referência.
Quanto tempo demora a visita?
A Cova de s'Estret des Temps é um espaço pequeno, não uma extensa rede de grutas. Espreitar a entrada pode demorar muito pouco; para observar com atenção a entrada, o corredor, a separação entre este e a câmara, a câmara principal e o nicho lateral, é preciso mais tempo. Não é possível, por isso, indicar uma duração fixa para a visita. Este é mais um local para uma breve paragem arqueológica do que para um longo percurso subterrâneo. Reserva também algum tempo para encontrar a pequena entrada e te moveres com cuidado na zona baixa e descendente.
O que se vê no interior da gruta?
À entrada, com apenas 0,65 metros de altura e 0,50 metros de largura, segue-se um corredor de 2,25 metros de comprimento. Tem 0,90 metros de largura, 1,50 metros de altura e desce ligeiramente. Ao fundo fica a câmara principal, com cerca de 4,25 metros de comprimento, 1,90 metros de largura e teto plano. No conjunto, a gruta tem uma forma alongada de ferradura. De um dos lados abre-se uma câmara mais pequena, em forma de rim. Atualmente, o chão original está coberto de terra e entulho, pelo que se distinguem sobretudo as formas das câmaras e os degraus talhados na rocha.
A Cova de s'Estret des Temps é adequada para crianças?
As crianças podem achar o sítio arqueológico interessante, mas devem estar sempre acompanhadas de perto. A entrada é muito baixa, o corredor desce ligeiramente e o chão pode ser irregular devido à terra e ao entulho. Além disso, a gruta foi uma sepultura, não um túnel para brincar. Não se devem deslocar pedras, trepar pelas paredes nem alterar as cavidades. A decisão de deixar uma criança entrar depende da sua capacidade para se mover com segurança em espaços apertados; se as condições não forem favoráveis, também é possível explicar a estrutura da gruta a partir da entrada.
Que calçado e equipamento convém levar para a visita?
Convém usar calçado resistente, com sola aderente, devido à curta descida, à inclinação ligeira do corredor e ao piso irregular. A roupa deve permitir liberdade de movimentos, pois a entrada tem apenas 0,65 metros de altura e o corredor seguinte, com 1,50 metros, também não permite andar de pé. Uma pequena lanterna pode ajudar a ver o chão e as formas da rocha perto da entrada. Já as malas grandes e o equipamento solto dificultam a passagem. Se o piso estiver húmido ou não oferecer segurança, não deves entrar.
Trata-se de uma gruta natural com estalactites?
Não. A Cova de s'Estret des Temps é uma gruta escavada pelo ser humano que foi usada como sepultura. As zonas talhadas, a entrada retangular, o corredor e a sequência de câmaras distinguem-na claramente de uma gruta natural. O teto plano da câmara principal mostra bem a intervenção humana: acompanha as camadas horizontais da rocha, o que facilitou a escavação.
Que outros locais da região podes visitar no mesmo passeio?
Podes começar por um passeio junto ao porto de Cala Figuera. Os 2 braços da enseada em forma de Y, Caló d’en Boira e Caló d’en Busques, são ladeados por casas de pescadores e abrigos para barcos, onde também se veem embarcações de trabalho. Podes ainda incluir no passeio o parque natural de Mondragó, com Cala Mondragó, S’Amarador e Sa Font de n’Alis. Outros locais a visitar na costa sudeste são Torre d’en Beu, Cala Santanyí e Es Pontàs. Vale a pena visitar primeiro a pequena gruta arqueológica com calma e seguir depois para os locais de interesse paisagístico mais vastos.
Que regras deves respeitar no sítio arqueológico?
A Cova de s'Estret des Temps deve ser tratada como um sítio arqueológico frágil e uma antiga sepultura. Não leves nada contigo, não desloques nem risques qualquer elemento e não deixes lixo. Isto também se aplica às pedras que parecem soltas e ao material que se encontra no chão, pois podem fazer parte do contexto arqueológico. Limita-te a observar a cavidade junto à entrada, os degraus e as paredes interiores. Respeita sempre as vedações e indicações locais em vigor; o facto de a entrada estar visível não significa que seja permitido aceder a todas as zonas da gruta.