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Cova des Pas de Vallgornera: o mundo subterrâneo escondido de Maiorca

Cova des Pas de Vallgornera, Mallorca
Conselleria de Medi Ambient i Mobilitat, Govern des Illes Balears, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (Recorte/dimensionamento via mallorca.com) — As alterações a esta imagem estão disponíveis sob a mesma licença.

Debaixo de um trecho de costa que passa despercebido esconde-se um labirinto cuja dimensão é difícil de imaginar à superfície. A Cova des Pas de Vallgornera, perto de S’Estanyol, é a gruta mais extensa conhecida nas Baleares e uma das grandes grutas costeiras da Europa. Mais de 74 quilómetros de galerias exploradas atravessam o calcário da plataforma de Llucmajor, entre salas, passagens estreitas, lagos subterrâneos e uma variedade invulgar de formações rochosas.

Mas há uma informação essencial para quem viaja até lá: a gruta não está aberta ao público. Não há percursos iluminados, visitas guiadas regulares nem possibilidade de entrar sem marcação. O acesso está reservado a trabalhos científicos e espeleológicos, para proteger este sistema delicado. Quem vai a S’Estanyol pode, por isso, conhecer sobretudo a paisagem e o contexto geológico deste local natural, que permanece quase todo invisível sob a planície costeira.

É precisamente aí que reside o seu interesse. A história da Cova des Pas de Vallgornera não é a de uma atração turística, mas a de uma investigação: uma descoberta acidental, décadas de levantamentos, uma corrente de ar que indicou o caminho e fósseis que preservaram vestígios de uma fase antiga da fauna de Maiorca. É um lugar que desperta a curiosidade de quem se interessa por geologia ou espeleologia e de quem quer perceber o que existe sob a superfície aparentemente tranquila da ilha. Em contrapartida, a gruta não é um destino para um passeio convencional, com um programa de visita definido. Vale a pena fazer a viagem se planeares uma paragem em S’Estanyol para conhecer a paisagem costeira. A experiência está em saber que existe um vasto espaço escondido sob os teus pés, não em entrar na gruta.

História e importância

Um operário da construção civil, um poço de esgoto em obras e uma ferramenta que desapareceu de repente no subsolo: a história da descoberta da Cova des Pas de Vallgornera não começou com uma expedição científica, mas numa obra. Em 1968, estava a ser aberto um poço de esgoto junto a um hotel da época quando os trabalhos atingiram uma cavidade até então desconhecida. Essa abertura artificial deu acesso a um sistema cuja verdadeira dimensão ninguém conhecia.

A descoberta acidental de 1968

A primeira abertura revelou apenas uma pequena parte do mundo subterrâneo. O que inicialmente parecia ser uma gruta isolada revelou-se, à medida que avançavam as explorações, uma extensa rede de galerias. Chegou a ponderar-se aproveitá-la para fins turísticos, mas a gruta nunca foi preparada para receber visitantes. Em vez disso, começou um longo trabalho espeleológico: foi preciso explorar galerias, atravessar extensões de água, registar ramificações e fazer o levantamento de novas zonas.

A forma como a gruta foi descoberta também explica por que motivo não deves esperar encontrar no local uma entrada natural bem visível. O acesso conhecido resultou das obras. O facto de animais terem conseguido entrar no sistema em épocas geológicas anteriores sugere a existência de ligações naturais, mas não significa que haja uma entrada aberta a visitantes.

Décadas de exploração

A exploração avançou por etapas. Uma fase importante do levantamento começou em 1994 e terminou em 1999. Nessa altura, já tinham sido documentados 6,4 quilómetros de galerias, incluindo extensas superfícies de água. A exploração, porém, estava longe de terminar: a partir de 2002, os espeleólogos investigaram uma ligeira corrente de ar numa zona remota. Nas grutas, este pode ser um sinal de que existem mais espaços para lá de uma passagem estreita.

Em 2004, deu-se o avanço decisivo. Para lá de uma fenda por onde circulava ar, descobriram-se novas galerias e a maior sala do sistema conhecida até então. Este episódio mostra como se explorou a gruta: não com uma única incursão espetacular, mas com paciência, observação atenta e a colaboração de grupos de espeleologia de Maiorca. A cada nova passagem descoberta, mudava o que se sabia sobre a Cova des Pas de Vallgornera.

Arquivo natural e espaço de investigação

Hoje conhecem-se mais de 74 quilómetros de galerias na Cova des Pas de Vallgornera, considerada a gruta mais extensa das Baleares e uma das grandes grutas costeiras da Europa. Mas a sua importância não se deve apenas à extensão. A gruta formou-se nos calcários recifais do Miocénico da plataforma de Llucmajor e desenvolveu-se ao longo de falhas e fraturas interligadas. As suas formas ajudam a compreender a evolução do carso costeiro e as alterações do nível das águas subterrâneas durante o Quaternário.

A gruta alberga ainda um local excecionalmente bem preservado com fósseis de vertebrados do início do Pleistocénico. Foram identificados mamíferos, aves, um réptil e um anfíbio. Entre os achados estão animais característicos ou endémicos de Maiorca, incluindo espécies da fauna de Myotragus. A gruta não é, por isso, apenas um labirinto de galerias: é também um arquivo da história natural da ilha.

A necessidade de proteger a gruta resulta da fragilidade destes vestígios. As formações calcárias crescem muito lentamente, os sedimentos conservam informação geológica e a entrada não controlada em locais com fósseis pode destruir para sempre o contexto científico dos achados. A ausência de visitas públicas não é, portanto, uma falha da oferta turística: ajuda a preservar o que torna este lugar tão valioso.

O que há para ver

A melhor forma de conhecer a Cova des Pas de Vallgornera é através da documentação científica, não de um miradouro. Os registos revelam uma rede que parece distribuir-se por vários níveis, com fraturas estreitas, passagens baixas, grandes salas e troços inundados. Como a gruta não está aberta a visitas, não é possível percorrer estes espaços. Ainda assim, a sua configuração ajuda a perceber por que razão desperta tanto interesse entre os especialistas.

O setor antigo

Os espeleólogos chamam setor antigo à parte da gruta descoberta primeiro. Inclui as zonas exploradas a partir do acesso aberto em 1968. Logo este primeiro setor mostrou que a gruta não se resumia a uma única câmara: as galerias alternam com passagens mais estreitas e, nas zonas mais profundas, surgem extensas superfícies de água.

Estes lagos e troços inundados não são um elemento decorativo, como poderia acontecer numa gruta preparada para visitas. Fazem parte do sistema hidrológico e dificultam muito a exploração. Onde um percurso turístico exigiria corrimãos, degraus e iluminação, a investigação requer equipamento especializado, conhecimento da gruta e autorizações. O setor antigo é, por isso, sobretudo o ponto de partida da história da investigação, e não uma antiga zona de visitas.

As novas galerias

A partir de 2002, os investigadores seguiram uma corrente de ar que, em 2004, os levou a uma zona até então desconhecida. Para lá da passagem estreita encontraram novas galerias e a maior sala da gruta conhecida até essa data. A descoberta mudou por completo a ideia que se tinha da dimensão da gruta. Tornou-se claro que as galerias já cartografadas eram apenas uma parte de uma rede muito mais extensa.

Estas descobertas mostram como é difícil imaginar, à superfície, o que existe debaixo da terra. Uma fenda quase impercetível pode separar 2 áreas enormes; uma ligeira corrente de ar pode ser o único sinal de espaços para lá de uma passagem apertada. Com o avanço da exploração, a extensão das galerias cartografadas ultrapassou os 74 quilómetros. Mesmo este número corresponde apenas às passagens documentadas, não a uma sequência de espaços fácil de percorrer.

Espeleotemas e formações minerais

A abundância e a diversidade de espeleotemas são algumas das características que mais interessam aos investigadores. O termo designa formações minerais das grutas, como estalactites, estalagmites e outros tipos de depósitos. Na Cova des Pas de Vallgornera, apresentam formas muito variadas, que refletem as diferentes condições em que a água rica em minerais se infiltrou pelas fendas, gotejou ou se evaporou nas superfícies da gruta.

Estas formações são especialmente sensíveis ao toque, à sujidade e às alterações do clima no interior da gruta. Abrir a gruta ao público exigiria não só instalar caminhos e iluminação, mas também permitir a entrada regular de pessoas em zonas até agora sujeitas a controlo. Não poder visitá-las livremente é, por isso, indissociável da sua preservação.

Lagos, fraturas e vestígios de águas subterrâneas

A gruta formou-se ao longo de falhas normais e das fraturas associadas no calcário. Essas fraturas abriram caminhos por onde a água pôde penetrar e dissolver a rocha. Por isso, as galerias não se distribuem ao acaso: estão intimamente ligadas à estrutura geológica da plataforma costeira.

A água continua a marcar esta gruta. Além dos lagos e das passagens inundadas, os investigadores encontraram indícios de que também recebeu água vinda de grande profundidade. Estudaram ainda os depósitos e as formações da gruta para compreender as oscilações do nível das águas subterrâneas durante o Quaternário. A Cova des Pas de Vallgornera conserva, assim, vestígios de antigos níveis da água — marcas de uma história costeira que se estende por períodos muito longos.

A jazida de vertebrados fósseis

Numa das galerias, foi descoberto um conjunto excecionalmente bem conservado de restos fósseis de vertebrados. As espécies documentadas incluem até 5 espécies de mamíferos, pelo menos 14 espécies de aves, 1 réptil e 1 anfíbio. Entre elas contam-se Myotragus aff. kopperi, o arganaz Hypnomys onicensis e o musaranho Nesiotites aff. ponsi.

Destacam-se as aves endémicas, como Pica mourerae e Athene vallgornerensis. Estes achados ajudam a reconstituir a fauna de Maiorca no início do Pleistocénico e a compará-la com a de outras jazidas da ilha. Não importa apenas cada osso, mas também a sua posição nos sedimentos e a relação com os restantes vestígios. É precisamente por isso que o acesso sem controlo seria tão prejudicial para a jazida.

A visita

Antes de partires, convém saberes o que esperar: visitar a Cova des Pas de Vallgornera não significa fazer uma visita guiada à gruta. A área subterrânea protegida não está aberta ao público e, à superfície, não há bilheteira nem qualquer zona iluminada preparada para visitas. A entrada é gratuita, mas isso não quer dizer que possas entrar livremente na gruta. Simplesmente, não existe uma visita turística regular para a qual se vendam bilhetes.

O que podes conhecer numa visita

Os viajantes ficam a conhecer a gruta indiretamente, através da sua localização e da paisagem costeira junto a S’Estanyol. O mais interessante é olhar para o lugar de outra forma: sob a baixa plataforma de calcário, que à primeira vista parece tranquila, estende-se uma rede com mais de 74 quilómetros de passagens exploradas. Quem conhece esta dimensão e a história da descoberta vê a paisagem de maneira diferente de quem faz apenas uma paragem na costa.

Não há uma duração definida para esta visita. Se quiseres apenas conhecer a localização geológica da gruta, precisarás de muito menos tempo do que se aproveitares a paragem para passear pela costa. Também não é possível indicar a duração de um percurso pelo interior, porque esse percurso não existe. Planeia, por isso, o tempo em função de S’Estanyol e do troço de costa que pretendes visitar, não de uma suposta visita guiada.

Afluência e melhor altura do dia

Não há filas à entrada da gruta, pois não existe acesso público. A melhor altura do dia depende, portanto, mais das condições na costa do que da afluência à gruta. S’Estanyol é uma pequena localidade costeira, não um grande centro de visitas a grutas com autocarros de turismo, grupos guiados ou horários de entrada definidos.

Não há horários de abertura disponíveis. Como as medidas de proteção e as regras de acesso podem mudar, convém confirmar a situação antes de partires. Desconfia, em particular, de qualquer informação que anuncie uma visita livre ao interior: as informações documentadas sobre as visitas deixam claro que a Cova des Pas de Vallgornera não é uma gruta aberta ao público.

Respeitar a área protegida

Não deves procurar nem entrar na entrada conhecida por tua conta. Isto também se aplica a caminhantes experientes que queiram apenas espreitar. Os lagos subterrâneos, as passagens estreitas e a complexa rede de galerias fazem desta gruta um local reservado a especialistas em espeleologia. As restrições de acesso também protegem os fósseis, as formações minerais e os sedimentos.

Por isso, uma visita responsável limita-se à superfície. Isso não diminui a importância científica da gruta — pelo contrário. A Cova des Pas de Vallgornera mostra que um local pode ser valioso sem estar preparado para receber muitos visitantes. Se esperas encontrar salas com estalactites e estalagmites, iluminação e um percurso guiado, escolhe uma gruta aberta ao público.

Como chegar e onde estacionar

Os percursos indicados levam-te até S’Estanyol, não até uma entrada da gruta aberta ao público. É importante ter esta distinção presente: ao usares o navegador, define S’Estanyol como destino para conhecer a paisagem e a geologia da zona.

Do aeroporto de Palma

Do aeroporto de Palma até S’Estanyol são 37 quilómetros por estrada. A viagem demora cerca de 32 minutos, pela MA-6015 e, depois, pela Ma-6014. O troço final leva-te à zona costeira de S’Estanyol. A partir daí, podes ficar pela localidade ou aproveitar para passear ao longo da costa.

Os 32 minutos de viagem referem-se expressamente ao percurso até S’Estanyol, não até uma entrada da gruta que possas visitar. Não existe tal destino turístico. As indicações do navegador para acessos isolados ou não assinalados oficialmente não devem ser vistas como um convite para entrar.

Do centro de Palma

Do centro de Palma até S’Estanyol são 43 quilómetros por estrada. A viagem demora cerca de 43 minutos e faz-se pela Ma-19, seguida da MA-6015 e da Ma-6014. É um percurso especialmente indicado para quem viaja de carro alugado ou próprio e quer incluir esta paragem num passeio pela zona costeira.

Também aqui, a distância e o tempo de viagem referem-se apenas a S’Estanyol. A Cova des Pas de Vallgornera não tem uma entrada aberta a visitantes nem uma estrada sinalizada que leve até lá. O troço final consiste, portanto, em orientar-te pela localidade costeira e pelos seus arredores, não em seguir até à bilheteira de uma gruta.

Estacionamento e transportes públicos

Em S’Estanyol, estaciona apenas onde as regras de trânsito locais o permitem. Deixa livres os acessos privados e as áreas não assinaladas. Procurar uma suposta entrada não justifica circular por acessos não pavimentados a propriedades nem estacionar fora dos locais permitidos.

Não há nenhuma paragem de autocarro assinalada nas imediações. Para planeares a visita com segurança, a opção mais prática é teres veículo próprio. Se quiseres usar transportes públicos, consulta antecipadamente os horários atuais e verifica a distância que falta percorrer, em vez de contares com um autocarro direto para a gruta.

Nos arredores

À superfície, S’Estanyol parece quase o oposto da gruta: o horizonte do mar, a paisagem costeira plana e uma pequena localidade contrastam com o extenso sistema de galerias que se estende pelo calcário subterrâneo. Por estar tão perto, S’Estanyol é um bom ponto de partida para compreender a Cova des Pas de Vallgornera no contexto da paisagem, mesmo que as suas galerias permaneçam ocultas.

S’Estanyol

S’Estanyol é uma pequena localidade costeira com tradição piscatória, bem mais tranquila do que os grandes centros turísticos. Para compreender a sua relação com as grutas, importa sobretudo olhar para a plataforma costeira onde se situa, e não procurar uma atração à vista. À superfície, tudo parece compacto e fácil de percorrer; no subsolo, estende-se uma vasta paisagem cársica.

Vale a pena parar na localidade para descansar e conhecer a zona, mas não para fazer uma visita organizada à gruta. Se vieres apenas à procura de um percurso subterrâneo, não o encontrarás aqui. Se te interessam a costa, a geologia e a história da investigação, descobrirás uma perspetiva invulgar sobre esta parte de Maiorca.

A costa entre S’Estanyol e Vallgornera

Há um percurso pedestre junto à costa que parte de S’Estanyol em direção a Vallgornera. É plano, tem caminhos bem definidos e atravessa troços de costa praticamente sem construções. Pelo caminho, podes identificar vários locais à superfície, entre eles Sa Punta Plana, o farol de s’Estalella, a torre defensiva de s’Estalella e pequenos abrigos históricos para barcos.

Este percurso é um bom complemento à visita, pois mostra o que se vê à superfície: a plataforma costeira em cuja rocha se formou o labirinto subterrâneo. No entanto, não passa pela Cova des Pas de Vallgornera nem deve ser visto como uma forma de procurar uma entrada. Caminhar pela costa e explorar a gruta são atividades distintas.

Uma paragem para conhecer melhor a região

A Cova des Pas de Vallgornera faz mais sentido como parte de um passeio pela costa. S’Estanyol ajuda-te a situá-la, a paisagem do percurso mostra o calcário à superfície e os resultados da investigação permitem imaginar o que existe em profundidade. Assim, a zona merece uma visita, mesmo que a gruta permaneça fechada.

Reserva tempo suficiente para outras paragens, em vez de tratares a gruta como uma atração de visita rápida. Não há uma visita guiada com hora marcada nem um percurso após o qual possas seguir viagem. Poderes gerir o tempo livremente é uma vantagem, desde que saibas à partida que não é possível entrar na gruta.

A localidade correspondente

S'Estanyol no retrato da localidade

Informações úteis para a visita

Mais importante do que levar uma lanterna de cabeça é saber o que esperar. Os visitantes ficam à superfície: nem um capacete de espeleologia, nem um fato de neoprene, nem outro equipamento especializado autorizam a entrada na gruta durante um passeio particular. As passagens com água e os estreitamentos descritos nos relatórios científicos ajudam, aliás, a perceber por que motivo o acesso à Cova des Pas de Vallgornera está reservado a equipas profissionais.

Roupa e calçado

Se fores apenas parar em S’Estanyol, basta levares roupa adequada ao tempo. Se também percorreres o caminho costeiro, convém usares calçado resistente, pois há troços de areia e caminhos naturais. O equipamento especializado que os espeleólogos usam para atravessar zonas com água e passagens subterrâneas não tem utilidade para os visitantes: não dá direito a entrar na gruta e não deve ser entendido como um convite a tentar fazê-lo.

Na costa exposta, escolhe a proteção solar, a água e a roupa de acordo com a estação do ano e o estado do tempo. Para os visitantes, estas preocupações não se aplicam ao interior da gruta, pois a visita não inclui qualquer passagem pelo subsolo.

Com crianças

Para famílias, a visita só faz sentido se a Cova des Pas de Vallgornera for apresentada como um lugar de interesse natural e científico. As crianças conseguem imaginar uma enorme rede de galerias por baixo da paisagem e perceber como uma ligeira corrente de ar levou os investigadores a descobrir novas cavidades. Mas aqui não há aventuras dentro da gruta, percursos iluminados nem estalactites à vista.

Se aproveitares para passear pela costa, prepara o percurso como farias para qualquer caminhada por tua conta. É importante que as crianças não fiquem com a ideia de que podem explorar uma entrada escondida ou vedada. A proteção da gruta começa à superfície.

O que não vais encontrar

Não há salas preparadas para turistas, espetáculos de música num lago subterrâneo nem visitas guiadas regulares. Também não há uma entrada de livre acesso de onde se possa ter uma ideia da dimensão da gruta. As fotografias do interior foram tiradas durante trabalhos de investigação e explorações espeleológicas; não mostram uma atividade que possas reservar.

Ter isto claro ajuda a evitar desilusões. A Cova des Pas de Vallgornera não é uma alternativa às grutas turísticas de Maiorca, mas sim um espaço de investigação sujeito a proteção rigorosa. Se aceitares essa diferença, poderás apreciar um lugar cujo maior interesse está precisamente no que não se vê.

Dicas de quem vive cá

  • Define S’Estanyol como destino

    Os tempos de viagem indicados têm S’Estanyol como destino, não a entrada de uma gruta turística. É aí que deves ir para conhecer a paisagem e a geologia da zona.

  • Presta atenção à corrente de ar

    Um dos episódios mais fascinantes da exploração da gruta começou com uma ligeira corrente de ar numa câmara isolada. Em 2004, essa corrente conduziu os investigadores por uma passagem estreita até novas zonas e à maior sala da gruta conhecida até então.

  • Explora a costa, não a gruta

    O passeio que faz sentido juntar à visita é o trilho costeiro plano de S’Estanyol em direção a Vallgornera. Permite ver a paisagem calcária por cima do sistema de grutas, mas não passa pela Cova des Pas de Vallgornera, que está protegida.

  • Lembra-te do património natural

    Sob a planície costeira não há apenas formações calcárias e lagos. Uma galeria conservou fósseis de vertebrados do início do Pleistoceno em condições excecionais — uma das principais razões para respeitar rigorosamente as restrições de acesso.

  • Não contes visitar a gruta

    De nada servem uma lanterna de cabeça e espírito de aventura: a gruta não está aberta ao público. Se quiseres ver salas com formações calcárias ao longo de um percurso circular preparado, inclui no teu plano outra gruta aberta a visitantes.

25°C S'Estanyol
O que é a Cova des Pas de Vallgornera e porque é importante?
A Cova des Pas de Vallgornera é uma extensa rede de galerias subterrâneas junto à costa, perto de S’Estanyol. Com mais de 74 quilómetros de galerias documentadas, é considerada a gruta mais longa conhecida nas Baleares e uma das grandes grutas costeiras da Europa. A sua importância vai além da dimensão: as formações calcárias, as águas subterrâneas, os vestígios de antigos níveis das águas subterrâneas e os fósseis de vertebrados excecionalmente bem conservados fazem dela um local de investigação importante para a geologia, a hidrologia, a paleontologia e a espeleologia.
É possível visitar a Cova des Pas de Vallgornera?
Não. A Cova des Pas de Vallgornera não é uma gruta turística aberta ao público. Não há um percurso preparado para visitantes, visitas guiadas regulares nem uma entrada de livre acesso que possas explorar por tua conta. A entrada na gruta está ligada a atividades autorizadas de investigação e espeleologia. Por isso, uma visita turística limita-se à superfície e permite conhecer S’Estanyol, a paisagem costeira e a história da rede subterrânea. Não procures entradas escondidas ou vedadas, nem tentes entrar por elas.
Qual é o horário de funcionamento e é preciso pagar entrada?
Não há um horário de funcionamento definido. Antes de te deslocares, confirma as regras de proteção e acesso em vigor, pois podem mudar. A visita é gratuita, mas isso não significa que possas entrar na gruta: a Cova des Pas de Vallgornera não está aberta ao público como gruta turística. Não há, portanto, bilheteira nem bilhetes para um percurso subterrâneo. Podes permanecer à superfície, em S’Estanyol, desde que te mantenhas nas áreas públicas.
Como se chega do aeroporto de Palma à Cova des Pas de Vallgornera?
Do aeroporto de Palma, o trajeto indicado leva-te até S’Estanyol. São 37 quilómetros por estrada, numa viagem de cerca de 32 minutos pela MA-6015 e, depois, pela Ma-6014. Estas indicações terminam em S’Estanyol, não numa entrada da gruta aberta ao público. A gruta não é acessível ao público. Ao chegares, estaciona apenas onde for permitido e não procures entradas não oficiais ou privadas.
Como se chega a partir do centro de Palma?
O centro de Palma fica a 43 quilómetros de S’Estanyol por estrada. A viagem demora cerca de 43 minutos: segue primeiro pela Ma-19, depois pela MA-6015 e, por fim, pela Ma-6014. S’Estanyol é o destino mais prático para te orientares na zona costeira onde se situa a Cova des Pas de Vallgornera. O percurso não termina num centro de visitantes nem numa bilheteira, pois a gruta não está aberta ao público. Na parte final, terás de te orientar pelas ruas da zona costeira: não há uma estrada sinalizada de acesso à gruta.
Há algum autocarro ou paragem junto à gruta?
Não há nenhuma paragem de autocarro identificada nas imediações da Cova des Pas de Vallgornera. Por isso, a opção mais prática para planeares a deslocação é ires de veículo próprio. Se preferires usar transportes públicos, confirma antecipadamente as ligações atuais para S’Estanyol e o percurso que falta fazer a partir daí. Não contes com um autocarro direto para a gruta. Além disso, chegar a S’Estanyol não te dá acesso a uma visita à gruta: permite-te apenas conhecer a zona costeira à superfície, por cima do sistema protegido.
Quanto tempo devo reservar para a visita?
Não há uma duração de visita definida, porque a Cova des Pas de Vallgornera não oferece um percurso turístico. Uma breve paragem em S’Estanyol para conheceres o enquadramento geológico do local exige menos tempo do que um passeio adicional pela costa. Planeia, por isso, a deslocação em função do que quiseres fazer à superfície. Se pretendes explorar a paisagem costeira em direção a Vallgornera, reserva tempo para uma caminhada à parte. Se o teu único objetivo é fazer uma visita guiada à gruta, tem em conta que não há visitas desse tipo.
Qual é a melhor altura do dia para evitar muita gente?
Não se formam as habituais filas à entrada da gruta, pois não há acesso público nem grupos de visitas guiadas com horários definidos. A escolha da hora diz respeito sobretudo ao tempo que queiras passar em S’Estanyol e a um eventual passeio pela costa. O local não é um grande centro de visitas a grutas, com bilheteira e autocarros de excursão. Em vez de procurares horários de entrada, tem em conta o tempo, a luz e as condições na costa exposta. Independentemente da hora, confirma antes da deslocação se há informações atualizadas sobre o acesso ou a proteção da zona.
A Cova des Pas de Vallgornera é adequada para um passeio com crianças?
A gruta pode despertar a curiosidade das famílias interessadas em ciência: sob a paisagem costeira estende-se um sistema com mais de 74 quilómetros, onde algumas zonas novas foram descobertas graças a uma corrente de ar quase impercetível. Não é, porém, um destino para visitar com crianças, pois não existe um percurso iluminado nem visitas guiadas abertas ao público. É importante que as crianças percebam desde logo que não devem procurar entradas nem ultrapassar os acessos. Um passeio pela costa pode complementar a deslocação, desde que seja planeado à parte e de acordo com as condições no local.
O que existe no interior da gruta?
As zonas documentadas incluem uma rede complexa de galerias, passagens estreitas, salas maiores, fendas e extensas superfícies de água. Há também uma grande variedade de formações minerais, como estalactites, estalagmites e outros espeleotemas. Uma galeria com fósseis bem conservados do início do Pleistocénico tem especial valor científico. Aí foram estudados vestígios de mamíferos, de pelo menos 14 espécies de aves, de um réptil e de um anfíbio. No entanto, estas zonas não são espaços de exposição e não podem ser visitadas pelo público.
Como foi descoberta a Cova des Pas de Vallgornera?
A gruta foi descoberta por acaso em 1968. Durante obras nas imediações de um hotel que existia na altura, estava a ser aberto um poço para águas residuais. Os trabalhos acabaram por atravessar a rocha até uma cavidade desconhecida, criando o acesso artificial hoje conhecido. Nas décadas seguintes, os espeleólogos cartografaram partes cada vez maiores do sistema. Um avanço especialmente importante ocorreu em 2004, quando equipas seguiram uma ligeira corrente de ar numa zona remota. Para lá de uma fenda estreita encontraram novas galerias e a maior sala da gruta conhecida até então.
Que outros locais posso conhecer nas redondezas?
A paragem para conhecer o contexto geológico da gruta combina bem com uma visita a S’Estanyol e à paisagem costeira em direção a Vallgornera. Há um percurso pedestre descrito, sem grandes desníveis, que atravessa zonas praticamente sem construções e permite conhecer a paisagem onde se insere a gruta. Pelo caminho, podes ver, entre outros pontos de interesse, Sa Punta Plana, o farol e a torre defensiva de s’Estalella, bem como antigos abrigos para barcos. Este percurso, porém, não leva ao interior da Cova des Pas de Vallgornera. Faz-se inteiramente à superfície e não dispensa uma autorização nem substitui uma visita guiada à gruta.