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Robert Graves: a casa do escritor em Deià

Robert Graves, Mallorca
Retogenes, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (Recorte/dimensionamento via mallorca.com)As alterações a esta imagem estão disponíveis sob a mesma licença.

Nos arredores de Deià ergue-se uma casa que parece mais preservada do que encenada. Robert Graves viveu e trabalhou aqui durante décadas; hoje, o museu revela os seus espaços privados, o seu universo de trabalho e um jardim cuja configuração remonta aos primeiros habitantes. Conhecida pelo nome de Ca n’Alluny, a propriedade é um dos locais culturais mais pessoais do noroeste de Maiorca.

O seu encanto não reside numa arquitetura monumental, mas na proximidade à vida de um escritor: nas secretárias ainda se encontram utensílios de trabalho e objetos pessoais; os livros e manuscritos remetem para uma obra invulgarmente vasta; e, no exterior, oliveiras, citrinos e uma horta prolongam-se mesmo junto à casa. Muito parece ter ficado como se alguém tivesse apenas interrompido o trabalho para dar uma volta pelo jardim.

A visita vale a pena mesmo para quem não conhece a fundo os seus livros. A casa explica como o poeta de guerra e romancista britânico se tornou num mallorquín por escolha, que não via Deià apenas como cenário. Quem conhece Eu, Cláudio ou Cláudio, o Deus encontra aqui o contexto em que nasceram textos importantes; quem descobre Graves neste lugar obtém uma introdução esclarecedora à sua biografia e obra.

Acima de tudo, porém, Ca n’Alluny é o oposto de um grande museu repleto de peças. A casa e o jardim convidam a reparar nos pequenos pormenores. Os interessados em literatura, os amantes de jardins e quem quiser compreender a história artística de Deià encontram aqui mais do que uma coleção de lembranças: um lugar de vida e trabalho preservado.

História e importância

A chegada a Deià

O caminho até Deià começou com uma recomendação que era também um aviso. Diz-se que Gertrude Stein descreveu Maiorca a Robert Graves e à poeta norte-americana Laura Riding como um paraíso — desde que se conseguisse viver lá. Graves e Riding chegaram à ilha em 1929 e escolheram a então remota Deià. Graves trazia consigo a experiência da Primeira Guerra Mundial, cujas consequências psicológicas o acompanhariam durante muito tempo, um ambiente académico em Oxford que considerava opressivo e uma situação pessoal e financeira cada vez mais instável.

Por isso, a escolha do lugar foi mais do que uma simples mudança de ares mediterrânica. Graves procurava afastar-se da Grã-Bretanha e da sociedade com que acertou contas na sua autobiografia Good-Bye to All That. Deià oferecia-lhe paisagem e recolhimento, sem o desligar por completo do mundo. Mais tarde, em Majorca Observed, escreveu sobre as pessoas, os costumes e as paisagens da ilha. Assim, a aldeia tornou-se para ele não só um lugar onde viver, mas também tema e espaço de ressonância da sua escrita.

Ca n’Alluny

Em 1932, Graves e Riding mandaram construir a casa nos arredores da aldeia. O nome Ca n’Alluny pode entender-se, em sentido lato, como «casa ao longe», algo que condiz com a sua localização, um pouco fora do centro da aldeia. Entre oliveiras antigas não nasceu uma residência rural imponente, mas uma casa para viver e trabalhar, que ainda hoje mantém uma escala modesta. Aqui, Graves e Riding tinham também a sua própria prensa de impressão. Sob o nome Seizin Press, publicaram-se livros e poemas; durante esta primeira fase produtiva em Maiorca, surgiram ainda obras que consolidaram a sua reputação internacional, entre elas os romances sobre Cláudio e Count Belisarius.

A casa não era, contudo, um refúgio literário fechado ao exterior. Amigos ligados à literatura e às artes vinham a Ca n’Alluny e, por vezes, ficavam durante longos períodos. Este lugar permite, assim, acompanhar parte da evolução que viria a dar a Deià a reputação de colónia artística internacional. Graves não foi o único habitante criativo da aldeia, mas foi, durante décadas, uma das suas figuras mais marcantes.

Partida, regresso e museu

Com o início da Guerra Civil Espanhola, Graves e Riding foram obrigados a deixar Maiorca em 1936. Seguiram-se a Segunda Guerra Mundial e uma interrupção de dez anos. Só em 1946 Graves regressou, agora com Beryl e a família. Ca n’Alluny voltou a ser a sua residência permanente. O escritor viveu em Deià até à sua morte, em 1985; o seu túmulo simples encontra-se no pequeno cemitério da aldeia.

Após a morte de Beryl, em 2003, a propriedade passou para a tutela de entidades públicas e institucionais. A casa e o jardim foram cuidadosamente restaurados e adaptados à visita. O jardim foi recriado expressamente de acordo com a disposição e as plantações dos anos 1930. No verão de 2006, Ca n’Alluny abriu como museu. Atualmente, é também a sede da Robert Graves Foundation, responsável pela casa, pelo jardim e pelo legado literário.

A importância do museu reside precisamente nesta continuidade. Não se limita a recordar um poeta e romancista britânico: documenta uma ligação cultural duradoura entre Maiorca e a literatura em língua inglesa. Graves chegou como estrangeiro, regressou após a guerra e o exílio e tornou-se parte da história de Deià. A casa torna esse percurso mais visível do que uma exposição meramente biográfica conseguiria fazer.

O que há para ver

O filme introdutório

A visita não começa de imediato entre a secretária e as estantes de livros, mas com um filme sobre a vida e a obra de Graves. Dura 15 minutos e reúne fotografias históricas, imagens de arquivo e entrevistas. É mais do que uma simples biografia introdutória: as imagens dão profundidade histórica aos espaços que se seguem. Quem até aqui conhecia Graves apenas de nome compreenderá porque é que a experiência da guerra, a separação de Inglaterra e o regresso a Maiorca foram tão importantes para a sua escrita. Ao mesmo tempo, o filme ajuda a interpretar corretamente o museu: a introdução estabelece o contexto e a casa dá-lhe depois uma expressão concreta, abrindo as portas do lugar onde nasceu uma parte significativa da sua obra.

Os gabinetes de trabalho

Os espaços mais marcantes são os dois gabinetes de trabalho. As suas secretárias de madeira, com a máquina de escrever, os livros e os objetos pessoais, tornam o processo de escrita quase palpável. É precisamente esta sobriedade que impressiona: os espaços são definidos por uma ordem cuidadosamente preservada de mobiliário, instrumentos de trabalho e objetos do quotidiano.

Nas secretárias percebe-se que, para Graves, escrever não era apenas uma questão de inspiração, mas um trabalho disciplinado. Manuscritos e livros ligam o espaço privado à obra publicada. Uma apresentação cronológica da bibliografia mostra os títulos e as datas de publicação, revelando até que ponto a sua produção ultrapassou os romances históricos mais conhecidos. A sucessão de obras publicadas cria um contraste marcante com a tranquilidade da sala onde foram preparadas.

Os pequenos sinais de uso merecem especial atenção: a máquina de escrever enquanto instrumento de trabalho, a disposição dos objetos e a proximidade entre a área de trabalho e os livros. Dizem mais sobre Graves do que um retrato decorativo. O museu não procura apresentar o autor como um génio distante, mas como alguém que viveu e trabalhou nesta casa.

Espaços habitados e objetos pessoais

Mesmo para lá dos gabinetes de trabalho, Ca n’Alluny continua claramente a ser uma casa habitada. O mobiliário original, os objetos pessoais, os livros e os documentos não estão expostos isoladamente em vitrinas neutras, mas no seu contexto doméstico. Assim, é possível acompanhar a fronteira entre o trabalho e o dia a dia: a literatura não nasceu aqui numa instituição separada, mas no coração de uma casa de família.

Esta atmosfera explica porque uma visita sem pressa é mais proveitosa do que assinalar rapidamente cada peça exposta. As divisões contam a sua história através das relações entre os objetos: um manuscrito adquire outro significado junto da secretária do que numa biblioteca; uma peça de mobiliário remete para a família e para os convidados que visitaram Ca n’Alluny ao longo dos anos. Até as dimensões modestas da casa contribuem para a compreensão do lugar, pois a rede internacional de Graves reunia-se num espaço que se manteve pessoal e acolhedor.

O quotidiano histórico da propriedade incluía também soluções técnicas autónomas. Um gerador, exposto no museu, forneceu eletricidade a Ca n’Alluny entre 1935 e 1963. À primeira vista, este tipo de equipamento pode parecer secundário ao lado dos manuscritos, mas torna concretas as condições de vida no então limite da aldeia. O retiro literário estava longe de dispensar o trabalho prático.

Jardim, oliveiras e citrinos

Depois dos espaços interiores, a narrativa prolonga-se no exterior. O jardim foi recuperado segundo a planta histórica e a vegetação dos anos 1930. As oliveiras antigas ligam o terreno à paisagem cultural de Deià; ciprestes, buganvílias e outras plantas mediterrânicas dão estrutura aos caminhos. Há ainda zonas de cultivo, que mostram que o jardim não servia apenas para contemplar a vista e descansar.

Destacam-se particularmente a horta e as plantações de citrinos. Graves criou um laranjal com laranjas-amargas e tangerinas e usava os frutos, entre outras coisas, para fazer compota. É um daqueles pequenos pormenores que distinguem Ca n’Alluny de uma abstrata casa-museu dedicada a um poeta. Entre árvores e canteiros, revela-se um quotidiano em que a escrita, a família, a autossuficiência e o clima de Maiorca coexistiam.

De alguns pontos do jardim, abrem-se vistas para a costa, o mar e as montanhas da Serra de Tramuntana. Ainda assim, não é um miradouro clássico, procurado apenas para tirar uma fotografia. O seu encanto revela-se na relação com a casa: no exterior, a paisagem escolhida por Graves; no interior, os textos e instrumentos de trabalho com que lhe respondia. Por isso, demorar-se no jardim faz parte da visita e não deve ser encarado como uma simples saída.

A visita

Do filme para a casa

O percurso previsto começa com o filme introdutório de 15 minutos e prossegue pelas áreas preservadas da casa e de trabalho, terminando no jardim. Esta ordem faz sentido, pois muitos objetos compreendem-se melhor quando já se conhecem as etapas da vida de Graves. Se estás familiarizado com os seus livros, podes depois prestar atenção, de forma direcionada, aos manuscritos, à bibliografia e aos espaços de trabalho; sem conhecimentos prévios, o filme oferece uma base suficiente.

Não há uma duração padrão que faça sentido fixar para toda a visita. O filme marca um início com hora definida, mas o tempo necessário a seguir depende muito da atenção que deres aos textos, livros, objetos pessoais e jardim. A casa não é particularmente indicada para uma paragem rápida para fotografias. Se quiseres absorver verdadeiramente os espaços e incluir também o jardim, não deves planear a visita com demasiado pouco tempo.

Tranquilidade em vez de multidões

A própria fundação afirma que o seu objetivo não é fazer passar pelo maior número possível de pessoas pela casa, mas permitir que se sinta algo da tranquilidade que Graves aqui encontrou. Esta atitude define a visita: Ca n’Alluny é uma pequena casa-museu de um escritor, e a proximidade aos cenários originais constitui o seu verdadeiro princípio expositivo.

Nas épocas de maior afluência turística, Deià pode, ainda assim, ficar cheia, e também se torna mais difícil estacionar. Se puderes, vem mais cedo e reserva alguma margem de tempo, sobretudo para a deslocação. Fora da época alta, o ambiente na localidade e no museu tende a ser mais tranquilo; uma visita de inverno documentada refere apenas um punhado de outros visitantes. Não é uma garantia de que encontres o lugar vazio, mas é uma indicação plausível para quem quer conhecer Ca n’Alluny com o máximo de sossego possível.

Informa-te antes de ir

Os horários de abertura e os preços de entrada não foram deliberadamente incluídos neste texto como informações permanentes, pois podem mudar. Antes de partires, convém por isso consultar as informações de visita mais recentes publicadas pelo museu. Isto é particularmente importante porque a casa não é um espaço acessível todos os dias e a qualquer hora. Se também quiseres combinar a visita ao museu com a aldeia, o cemitério ou a costa, deves planear o dia em torno do acesso a Ca n’Alluny.

Como chegar e onde estacionar

De Palma e do aeroporto

Do aeroporto de Palma, a viagem até Deià faz-se pelas estradas Ma-20, Ma-1110 e Ma-10. O percurso rodoviário tem 32 quilómetros e demora cerca de 48 minutos. Do centro de Palma até Deià são 27 quilómetros por estrada; pelas Ma-1110 e Ma-10, a viagem demora cerca de 52 minutos. Estes valores referem-se sempre à chegada a Deià, não a um lugar de estacionamento garantido junto ao museu.

O último troço percorre a Ma-10, através da Serra de Tramuntana. Ca n’Alluny fica no limite norte de Deià, na estrada de saída em direção a Sóller. O portão encontra-se numa curva, pelo que, ao aproximar-te, é mais importante estares atento do que procurares um edifício de museu visível à distância. Visto da estrada, o imóvel é discreto e não se anuncia como uma grande atração turística.

O tempo de viagem indicado não deve ser entendido como tempo para estacionar. Sobretudo nos dias mais concorridos, encontrar lugar em Deià pode demorar mais tempo. Além disso, o acesso sinuoso pela Tramuntana exige uma condução calma, mesmo que o navegador calcule uma hora de chegada aparentemente apertada.

Estacionamento em Deià

Não há estacionamento para visitantes junto à casa. Por isso, deves estacionar em Deià, caso haja lugares regulamentares disponíveis, e fazer a pé o último troço até ao museu. Nas alturas de maior afluência, pode ser difícil encontrar estacionamento na aldeia. Chegar cedo não é tanto uma sugestão para encontrares uma sala de exposição supostamente vazia, mas antes uma estratégia prática para não começares a visita com uma longa procura de lugar.

Ca n’Alluny fica a uma curta caminhada do centro da aldeia. Como a casa se situa um pouco fora do centro, convém deixar a bagagem no veículo e reservar algum tempo para o percurso. Se, depois de visitares o museu, quiseres ainda subir até ao cemitério pelo íngreme núcleo histórico, é aconselhável escolheres o local onde deixas o carro de modo a não teres de voltar a percorrer cada troço de carro.

De autocarro

Deià é servida por autocarros de carreira provenientes de Palma, Valldemossa e Sóller; a linha 203 é indicada como ligação adequada. Para o museu, podes sair nas paragens de Deià ou de S’Empeltada. A partir daí, o restante percurso faz-se a pé. S’Empeltada fica mais perto da propriedade, enquanto sair na aldeia pode fazer mais sentido se quiseres combinar a visita ao museu com o núcleo histórico.

O autocarro evita a procura de estacionamento, mas obriga-te a seguir o horário em vigor. Como a Ma-10 é o principal eixo viário deste troço da Tramuntana, convém também verificares antecipadamente a viagem de regresso. Os percursos a pé entre a paragem, o museu e a aldeia fazem parte do passeio; Ca n’Alluny não dispõe de um ponto de transporte independente junto à entrada.

Linhas de autocarro para Robert Graves num relance

LinhaPercursoViagens/diaPrimeira viagemÚltima viagem
203Valldemossa / Deià22506:2522:50

Com base nos dados oficiais dos horários GTFS (TIB/SFM), sem informação em tempo real. Os números agregam todas as paragens na localidade; as viagens aos fins de semana e feriados podem variar — confirma junto do operador antes de viajar.

Como chegar de autocarro

  • S'Empeltada 1 (18003) · 0,1 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente
  • S'Empeltada 2 (18004) · 0,1 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente
  • Deià 1 (18002) · 0,5 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente
  • Deià 2 (18010) · 0,5 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente
  • Es Clot 1 (18011) · 0,8 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente
  • Es Clot 2 (18001) · 0,8 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente
  • Llucalcari 1 (18005) · 1,3 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente
  • Llucalcari 2 (18006) · 1,3 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente
  • Sa Foradada (18009) · 1,5 km Em linha reta

    • 203Valldemossa / Deià · Diariamente

Dados de horários: dados GTFS oficiais (TIB/EMT), sem informações em tempo real — confirma os horários junto do operador antes de iniciares a viagem.

Nos arredores

Deià

Depois da tranquilidade da casa, Deià parece dar continuidade à sua história. As casas de pedra sobem pela encosta, enquanto as montanhas da Serra de Tramuntana se erguem junto à aldeia. Graves não escolheu este lugar por acaso: a aldeia oferecia isolamento, paisagem e, ao mesmo tempo, ligação a Palma. Mais tarde, chegaram outros escritores, artistas e académicos, e a fama de Deià como aldeia de artistas estendeu-se muito para além de Mallorca.

É fácil combinar a visita ao museu com o núcleo histórico. No entanto, também se torna evidente a realidade topográfica por detrás das belas paisagens: os caminhos e as ruelas têm subidas acentuadas. Ao ires da casa até à parte alta da aldeia, não encontrarás apenas um cenário pitoresco; compreenderás melhor como o casario, a paisagem de socalcos e a serra se concentram aqui tão próximos uns dos outros.

Igreja e cemitério

Robert Graves está sepultado no pequeno cemitério junto à igreja. A campa é simples e passa facilmente despercebida; precisamente por isso, contrasta de forma marcante com a dimensão da sua obra. Ir até lá não é um prolongamento indispensável da visita ao museu, mas completa a biografia no espaço: em baixo, ou no limite da aldeia, encontra-se a casa de uma longa vida de trabalho; no alto da aldeia, o seu último lugar de descanso.

O caminho até ao cemitério atravessa o centro da povoação, sempre a subir, pelo que não deve ser encarado como um simples desvio sem caminhada adicional. Ainda assim, a ligação faz todo o sentido, pois não separa Robert Graves de Deià. A casa e a sepultura não se encontram num recinto memorial artificial, mas em dois pontos da localidade que se tornou a sua casa.

Costa e Tramuntana

Quem passar um dia inteiro na zona pode combinar a visita ao museu com Cala Deià ou outro destino ao longo da Ma-10. A enseada revela o lado rochoso da costa do concelho, enquanto a estrada em direção a Valldemossa ou Sóller abre outras perspetivas sobre a Tramuntana. No entanto, estas combinações não devem tornar o programa demasiado apertado, à custa da tranquilidade da visita à casa.

Os interessados em literatura podem também considerar Deià uma paragem num roteiro cultural mais amplo. Na Tramuntana ocidental, várias localidades evocam escritores, viajantes e artistas que descreveram Maiorca ou aqui viveram durante algum tempo. Ca n’Alluny destaca-se por ser particularmente elucidativa: não se conservou apenas um nome ou uma placa com texto, mas o local concreto onde viveu e trabalhou.

A localidade correspondente

Deià no retrato da localidade

Informações úteis para a visita

Para quem é indicado o museu

A casa agradará sobretudo a quem aprecia literatura, biografias, interiores históricos ou jardins. É útil ter alguns conhecimentos prévios, mas não é indispensável: o filme introdutório contextualiza a vida de Graves e as principais áreas da sua obra. Ainda assim, quem ler antecipadamente um dos seus poemas, um excerto de Good-Bye to All That ou algumas páginas de um romance sobre Cláudio conseguirá estabelecer mais facilmente relações no gabinete de trabalho.

Com crianças, a visita resulta melhor se conseguirem interessar-se por uma casa onde alguém realmente viveu e pelos seus objetos. Há uma máquina de escrever, espaços de trabalho, livros, objetos pessoais e zonas de jardim para ver — não é um espaço de entretenimento pensado para a atividade ou para brincar. O filme inicial e a alternância entre os interiores e o jardim dão um fio condutor claro ao percurso.

Vestuário e percursos

Para visitar a casa e o jardim, basta roupa confortável do dia a dia, mas calçado resistente e cómodo é aconselhável se também quiseres conhecer Deià. O centro da povoação fica numa encosta, e o caminho até à igreja e ao cemitério é a subir. Há ainda trajetos a pé entre a paragem de autocarro, o museu e a aldeia. Quem espera apenas salas interiores com corredores lisos de museu pode, por isso, subestimar facilmente a natureza de todo o passeio.

O jardim tem árvores e zonas plantadas. Convém ter em conta a proteção contra o sol e a chuva, consoante o tempo, mesmo que a visita se concentre sobretudo nos espaços interiores. Naturalmente, um passeio mais longo por Deià ou a descida em direção à costa exigem uma preparação diferente da necessária para uma visita breve ao museu.

O que não deves esperar

O acervo ganha força por se encontrar no seu lugar original: o mobiliário permanece nas divisões a que se destinava, as secretárias e a máquina de escrever remetem para trabalho que ali foi realmente feito, e o jardim continua a fazer parte da casa. Quem procurar efeitos espetaculares poderá considerar a apresentação discreta. Mas é precisamente aí que reside a sua força, para quem observa com atenção.

A propriedade também não é um jardim panorâmico de acesso livre. As vistas para o mar e para a montanha fazem parte da experiência, mas o objetivo da visita continua a ser a vida e a obra de Robert Graves. É fácil conjugar a visita com fotografias, a contemplação da paisagem e um passeio por Deià, mas nada disso deve sobrepor-se aos detalhes discretos da casa. A recordação mais duradoura não é muitas vezes um panorama, mas uma secretária onde se trabalhou entre o quotidiano maiorquino e a literatura mundial.

Dicas de habitantes locais

  • Observa atentamente as secretárias

    Nos dois gabinetes de trabalho, não repares apenas na máquina de escrever. A disposição dos livros, dos utensílios de trabalho e dos objetos pessoais mostra de forma particularmente clara como a escrita de Graves fazia naturalmente parte do quotidiano em Ca n’Alluny.

  • Reserva tempo para a horta

    O jardim não é um mero espaço exterior. O pomar de laranjeiras, as tangerineiras, as laranjeiras azedas e as hortas revelam que se tratava de uma propriedade cultivada; Graves usava, entre outras coisas, os citrinos para fazer compota.

  • S’Empeltada em vez de procurar estacionamento

    Se chegares pela linha 203, podes sair em S’Empeltada e alcançar a propriedade próxima a pé. Sair na aldeia é, por outro lado, mais prático se também quiseres visitar o centro histórico e a sepultura de Graves.

  • À procura da sepultura simples

    No cemitério junto à igreja encontra-se a sepultura simples de Graves. É fácil não dar por ela e, precisamente por isso, parece um desfecho apropriado depois de visitar a casa, apresentada de forma pessoal e discreta.

  • Não deixar passar o gerador

    Entre manuscritos e móveis, é fácil não reparar neste equipamento técnico: um gerador abasteceu a propriedade entre 1935 e 1963 e recorda como era necessário organizar de forma prática o dia a dia na então periferia da localidade.

26°C Deià
O que é o Museu Robert Graves em Deià?
O museu situa-se em Ca n’Alluny, antiga casa onde o poeta e escritor britânico Robert Graves viveu e trabalhou. Mandou construir a casa em 1932, juntamente com Laura Riding, nos arredores de Deià, e viveu ali desde o seu regresso, em 1946, até à sua morte, em 1985. Conservam-se as divisões habitadas, dois gabinetes de trabalho, manuscritos, livros, objetos pessoais e o jardim, restaurado segundo a sua traça histórica. Não se trata, por isso, de uma exposição genérica sobre Graves, mas do lugar onde viveu em Maiorca.
Porque vale a pena visitar o museu mesmo sem conhecer a obra de Robert Graves?
A visita começa com um filme de 15 minutos, que enquadra de forma clara a biografia e a obra de Graves, bem como a sua ligação a Maiorca. Depois, as secretárias, a máquina de escrever, os manuscritos e os objetos pessoais revelam o quotidiano concreto de um escritor. O jardim também conta uma história que vai além da literatura: as oliveiras, as plantações de citrinos e as zonas de cultivo mostram como se vivia na propriedade. Por isso, se te interessam casas históricas, jardins ou a história artística de Deià, não precisas de ter lido um romance sobre Cláudio para apreciares Ca n’Alluny.
Que horários e preços de entrada se aplicam?
Deves confirmar os horários e os preços de entrada nas informações oficiais para visitantes imediatamente antes da visita, pois ambos podem sofrer alterações. A casa não é um espaço exterior de acesso livre, pelo que não se recomenda ir sem antes confirmar os horários de visita. Convém definires primeiro a possível visita ao museu e, depois, planeares em redor dela a aldeia, o cemitério ou a costa. O percurso regular começa com um filme introdutório e continua pela casa e pelo jardim.
Quanto tempo demora uma visita à Casa Robert Graves?
Não é possível indicar uma duração total fixa que faça sentido. O filme introdutório dura 15 minutos; seguem-se as divisões da casa, dois gabinetes de trabalho, a apresentação bibliográfica, os objetos pessoais e o jardim. Quem procura apenas uma visão geral passará naturalmente mais depressa do que alguém que queira observar atentamente os manuscritos e os espaços de trabalho. Como o encanto especial do lugar está nos pequenos pormenores e na sua atmosfera tranquila, não convém encaixar a visita entre dois pontos de um programa demasiado apertado. Deves ainda contar com o tempo do percurso a pé desde o estacionamento ou da paragem de autocarro.
Quando é que o museu e Deià estão mais tranquilos?
Não é possível indicar uma hora fixa em que esteja garantidamente tranquilo. Na prática, convém chegar mais cedo, sobretudo porque encontrar estacionamento em Deià pode ser difícil nos períodos de maior afluência. Fora da época alta, há mais probabilidades de fazeres uma visita sossegada; há, por exemplo, relatos de visitas no inverno com apenas um punhado de outros visitantes. A própria fundação pretende claramente evitar visitas em massa e transmitir a tranquilidade da casa. Ainda assim, deves confirmar as informações de acesso atualizadas antes da visita, para não chegares e encontrares a porta fechada.
Como chegar do Aeroporto de Palma a Deià?
Do Aeroporto de Palma a Deià, o percurso segue pelas estradas Ma-20, Ma-1110 e Ma-10. A distância por estrada é de 32 quilómetros e a viagem demora cerca de 48 minutos. Estes dados referem-se à chegada a Deià, não a um lugar de estacionamento reservado junto ao museu. Ca n’Alluny fica no extremo norte da aldeia, na estrada em direção a Sóller; o portão encontra-se numa zona de curva. Como não há estacionamento para visitantes na casa, deves contar com tempo adicional para procurar lugar na aldeia e fazer o percurso a pé.
Como chegar do centro de Palma ao Museu Robert Graves?
Do centro de Palma até Deià são 27 quilómetros por estrada. A viagem pelas estradas Ma-1110 e Ma-10 demora cerca de 52 minutos. Também neste caso, o tempo indicado refere-se a Deià e não a um lugar de estacionamento mesmo em frente a Ca n’Alluny. O último troço segue pela sinuosa estrada da Tramuntana, até chegares ao museu, no extremo norte da aldeia. Como a propriedade não dispõe de estacionamento para visitantes e os lugares regulares em Deià podem escassear nos dias mais concorridos, convém reservares mais tempo além da duração estimada da viagem.
É possível chegar ao museu de transportes públicos?
Sim. Deià é servida, entre outras, pela linha de autocarro 203, com ligações a partir de Palma, Valldemossa e Sóller. Para visitar o museu, podes sair em Deià ou em S’Empeltada. A partir de qualquer uma das paragens, o resto do percurso faz-se a pé; S’Empeltada fica mais perto da propriedade, enquanto sair na aldeia permite combinar a visita com um passeio pelo centro histórico. Antes de partir, convém confirmar os horários em vigor, incluindo a ligação de regresso. O autocarro é uma opção especialmente prática, pois evita a ხშირად difícil procura de estacionamento em Deià.
O Museu Robert Graves é interessante para crianças?
Depende mais dos interesses da criança do que da idade. O museu ocupa uma verdadeira casa onde se vivia e trabalhava, com máquina de escrever, livros, manuscritos, mobiliário, objetos pessoais e jardim. Há um filme introdutório de 15 minutos, que ajuda a enquadrar a visita, e a alternância entre os espaços interiores e o exterior torna o percurso mais variado. Para crianças que se interessam por histórias, casas antigas ou pelo trabalho de um escritor, a visita pode ser muito elucidativa.
O que se pode combinar com a visita ao museu em Deià?
Uma opção muito natural é passear pelo centro histórico até à igreja e ao pequeno cemitério onde Robert Graves está sepultado. A sepultura simples complementa a visita à casa, mas, devido à localização em encosta, implica uma subida adicional. Se tiveres mais tempo, podes também incluir Cala Deià ou outro destino ao longo da Ma-10. Convém não planear a casa, a aldeia e a paisagem costeira com horários demasiado apertados: o encanto de Ca n’Alluny está precisamente em poder apreciar, sem pressa, os espaços de trabalho e o jardim.
Quais são as peças e áreas mais importantes da casa?
O destaque vai para os dois gabinetes de trabalho, com secretárias de madeira, máquina de escrever, livros e objetos pessoais ligados ao trabalho. Há ainda mobiliário original, manuscritos e uma apresentação cronológica das publicações de Graves. Destaca-se também um gerador que abasteceu a propriedade entre 1935 e 1963 e documenta o quotidiano prático de então, quando a casa ficava nos limites da aldeia. No exterior, a narrativa prolonga-se pelo jardim restaurado, com oliveiras antigas, ciprestes, buganvílias, hortas, laranjeiras azedas e tangerineiras.
Há estacionamento mesmo junto à Casa Robert Graves?
Não, a casa não dispõe de estacionamento para visitantes. O veículo deve ser deixado num lugar de estacionamento regular em Deià, seguindo-se depois o percurso a pé até ao museu, no extremo norte da aldeia. Nas alturas de maior afluência, estacionar na aldeia pode ser difícil, pelo que é sensato chegar mais cedo e prever uma margem de tempo realista. Uma boa alternativa é viajar na linha de autocarro 203 e seguir a pé a partir de Deià ou S’Empeltada. Os tempos de viagem indicados a partir de Palma e do aeroporto não incluem expressamente o tempo necessário para encontrar estacionamento.