Novo financiamento regional: Estado deve gastar menos em Espanha
Dar mais dinheiro às regiões de Espanha não deverá traduzir-se automaticamente num aumento da despesa do Estado. A entidade independente de supervisão financeira AIReF exige que, no novo sistema de financiamento regional, a capacidade de despesa da administração central diminua na mesma medida. Caso contrário, o montante total de despesa contabilizável aumentaria e poria em causa a sustentabilidade.
A presidente da AIReF, Inés Olóndriz, apresentou esta posição em 4 de setembro, em Madrid, no Conselho de Política Fiscal e Financeira. A entidade não pretende decidir sobre a distribuição dos fundos nem sobre a configuração concreta do sistema. Essas são decisões políticas do Governo, das regiões e, em última instância, do legislador.
2 questões em aberto antes da avaliação
Ainda não é possível fazer uma avaliação final das consequências para a sustentabilidade, declarou a AIReF. Para tal, é necessário esclarecer 2 questões essenciais.
Em primeiro lugar, o acordo prevê para 2027 um escalonamento temporal dos fundos. A percentagem destinada aos adiantamentos poderá ficar até 3 pontos percentuais abaixo de 95%. A AIReF exige que sejam quantificadas as consequências para o financiamento efetivo das regiões no 1.º ano e que sejam precisadas as regras aplicáveis mais tarde.
Em segundo lugar, as despesas adicionais das regiões financiadas pelos novos fundos permanentes deixarão de ser contabilizadas na regra nacional da despesa. Segundo a AIReF, o acordo não menciona as consequências desta medida para outras áreas do Estado.
Situação da dívida varia entre regiões
A entidade de supervisão financeira salienta ainda as grandes diferenças entre as regiões em matéria de défice e dívida. Por isso, exige clareza sobre o alcance da alteração legislativa prevista.
Será igualmente decisivo que a reforma se mantenha compatível com a trajetória europeia das despesas primárias líquidas e com os compromissos globais do plano orçamental e estrutural de médio prazo. A AIReF completará a sua avaliação assim que a aplicação jurídica estiver mais concreta.
Fonte: Europa Press / Mallorca.com