Queda no PISA: alunos espanhóis pioram em todas as disciplinas
Os jovens espanhóis de 15 anos registaram mínimos históricos no teste PISA 2025 em leitura, matemática e ciências. Em 8 de setembro, o Ministério da Educação, em Madrid, defendeu a lei da educação LOMLOE, também conhecida como «Ley Celaá»: a lei não é responsável pela queda. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) vê antes indícios de um efeito mais amplo decorrente do uso crescente de dispositivos digitais.
Em leitura, Espanha obteve 451 pontos. São 23 pontos a menos do que em 2022 e 10 pontos abaixo do anterior mínimo, registado em 2006. Segundo o estudo, os alunos espanhóis estão assim meio ano letivo atrás da média da OCDE.
Também em matemática, o resultado desceu de 473 pontos em 2022 para 457 pontos. Em ciências, os alunos obtiveram 477 pontos — 8 a menos do que em 2022 e 6 abaixo do anterior mínimo, registado em 2018.
OCDE vê no tempo de ecrã um indício importante
O analista da OCDE Tue Halgreen alerta para o facto de os números de Espanha não deverem ser analisados isoladamente. Há tendências semelhantes noutros países, mesmo quando foram tomadas decisões políticas diferentes. A descida coincide no tempo com a introdução e disseminação das tecnologias.
A quebra é particularmente evidente nos textos longos. A OCDE observa uma maior tendência para a leitura apressada: quem lê depressa demais não apreende todo o conteúdo. Quanto ao uso de dispositivos digitais nos tempos livres, Halgreen afirma: quanto mais tempo lhes é dedicado, menor é o desempenho. Onde os ecrãs são menos utilizados, os resultados tendem a ser melhores.
O Ministério salienta, ao mesmo tempo, que a LOMLOE aposta num ensino orientado para competências e na compreensão da leitura. Anunciou que retirará dos dados medidas de melhoria para as políticas públicas de educação. O tema deverá ser debatido na próxima conferência setorial.
Dados da Catalunha ficam fora da comparação
A OCDE não inclui os dados da Catalunha nos seus relatórios internacionais. A razão é uma taxa de exclusão particularmente elevada, de 23 por cento. Ainda assim, o Ministério espanhol publicou os valores em separado dos das restantes regiões.
O Ministério salienta expressamente que o grupo de alunos testado não é representativo de todos os alunos da Catalunha. Por isso, não é possível compará-lo com outras regiões nem com anteriores edições do PISA.
Fonte: Europa Press / Mallorca.com