Na Carrer Ran de Mar, ouves o Charly’s antes de o veres: o baixo abafado da pista de discoteca atravessa a noite, alguns metros mais adiante sai country rock por uma porta de madeira e, lá dentro, ouve-se o bater das bolas de bilhar. Três universos sonoros diferentes, um só edifício — desde 1978, a referência incontestada da noite de Can Picafort.

Conceito — três mundos sob o mesmo teto
O que distingue o Charly’s de qualquer outro clube neste troço de costa é o seu consistente conceito três-em-um. A discoteca propriamente dita é o núcleo — „the house of good music“, como se define, com êxitos das tabelas e os grandes temas de várias décadas. Mesmo ao lado fica o Far West Saloon, uma área independente desde 1992, com estética western americana: duas zonas, Saloon e Canteen, bilhar, dardos, matraquilhos e esplanada. Mais para dentro encontra-se o American Cellar, desde 1994 o nicho para quem considera demasiado previsível a playlist da discoteca — soul, reggae, blues, funk, rock e alternative num ambiente que evoca o estilo norte-americano dos anos 1960 e 1970.

Ambiente e design
A discoteca aposta num classicismo assumido — sem minimalismo frio nem exibicionismo de chuva de LEDs, mas com aquele ambiente tradicional de discoteca que retira a sua energia da continuidade. No Saloon dominam a madeira, a iluminação quente e um acolhimento que não encontras nos clubes de praia típicos. O Cellar não faz concessões: escuro, alternativo e fora do mainstream. Se queres explorar a vida noturna de Can Picafort, encontras aqui todos os ambientes sob o mesmo teto — do ruidoso ao tranquilo, da pista de dança ao alvo de dardos.
Programa e música
Na zona da discoteca, os DJs passam música todos os dias — uma mistura de êxitos das tabelas e temas comprovados para encher a pista. A imagem de marca mais segura é a **Friday Night Fever**: todas as sextas-feiras, uma homenagem à febre disco dos anos 1970 e 1980, que atrai tanto os clientes habituais como quem chega pela primeira vez. Entre os DJs que atuam regularmente estão DJ LYA e Stefan DJ; ocasionalmente há atuações especiais — mais recentemente, por exemplo, uma noite de tributo a Michael Jackson. No Saloon toca rock suave e country; no Cellar, música alternativa para outros ouvidos.
Para quem e para que ocasiões
O público é assumidamente internacional e de várias gerações — a apresentação do espaço fala de „people of all nationalities and ages“ que encontram no Saloon o seu ponto de encontro. A discoteca destina-se a todos os amantes de boa música; na prática, a faixa etária é mais ampla do que num clube exclusivamente de tendências. Aqui sentem-se igualmente bem grupos que querem festejar de forma económica e animada e turistas que apenas querem sair e ver onde a noite os leva. O Charly’s tem uma posição de monopólio de facto na noite de Can Picafort — quem sai neste lugar acaba aqui mais cedo ou mais tarde.
Dica de quem conhece
A pista de discoteca só enche verdadeiramente depois da meia-noite — chegar cedo demais significa ficar numa pista vazia. Para evitar isso, aproveita as primeiras horas da noite na zona do Saloon: bilhar, dardos, esplanada e um ambiente mais calmo, até a discoteca ganhar ritmo. Se, depois de uma ou duas horas na pista, achares a seleção musical monótona, basta mudares de porta: o Cellar oferece a mesma noite noutro canal.



