
R33 — a eletrónica underground de Palma num novo patamar
Há clubes que se visitam pela localização — e há clubes aos quais se vai porque a música não deixa alternativa. O R33 pertence claramente à segunda categoria. Instalado no Wave Club, no Polígono Can Valero, uma zona industrial na periferia oeste de Palma, o R33 recebe o público num ambiente que resiste deliberadamente a qualquer glamour: armazéns, oficinas automóveis, grossistas — e, no meio de tudo, um warehouse que se tornou numa das melhores pistas de dança das Baleares.
Não é um acaso, é o programa. O afastamento do circuito turístico, a periferia a cerca de quinze minutos de carro e a fachada industrial sóbria filtram o público logo à porta. Quem vem aqui, vem pela música.
Som, espaço e energia
O clube está organizado em torno de uma única pista grande e aberta, cujo centro é a cabina de DJ e o sistema de som. Nas críticas, este é frequentemente comparado aos dos melhores clubes de Ibiza — embora numa lotação muito mais íntima, de cerca de 500 pessoas. Não é uma desvantagem, mas um dos segredos do R33: o público está perto do DJ, os graves sentem-se no corpo e a energia da sala tem uma intensidade que os grandes espaços raramente alcançam. A pista é climatizada e pensada para permitir liberdade de movimentos.
A isto junta-se uma produção de luz invulgar para um warehouse — imersiva, precisa e ajustada à música, sem cair no espetáculo gratuito. O R33 entende-se como um clube de dança, não como um palco de espetáculo. Há mesas VIP para quem as quiser, mas o espaço pertence a quem dança.
A assinatura musical é clara: Underground House e Techno como base, alargados a Progressive House, Melodic Techno, Tech House e Techno minimal. Os sets decorrem da meia-noite até de madrugada — um ritual que termina depois do nascer do sol.
Booking ao nível de Ibiza
O que distingue o R33 de muitos espaços noturnos da ilha é a consistência do booking. Desde 2017 — quando ainda funcionava no histórico Es Jonquet, o antigo bairro de pescadores na fronteira com o animado Santa Catalina, com vista para a baía de Palma e o Paseo Marítimo — o clube trouxe à ilha cabeças de cartaz internacionais que, de outra forma, só atuariam nas grandes casas de Ibiza. DJ Hell, Nic Fanciulli, Josh Wink, John Digweed e Octave One estiveram entre os primeiros convidados; as temporadas seguintes no Wave Club mantiveram o rumo com nomes como Sasha, Sébastien Léger, Nick Warren, Dave Seaman, Henry Saiz, Patrice Bäumel, Rodríguez Jr., Michael Mayer e Nastia, além de noites especiais como o aniversário da editora Desolat com Mathias Tanzmann.
Os residentes e os nomes locais convidados com frequência — entre eles Alex Losa, Jose De Divina e Manuel Del Giudice — garantem continuidade entre os grandes eventos e enraízam o R33 na cena eletrónica local.
Quem vem aqui
O público mistura locais de Palma que peregrinam ao R33 há anos com viajantes internacionais que procuram o clube de propósito. Resident Advisor, Xceed e SeeMallorca apontam-no como a principal referência de música eletrónica em Palma — uma avaliação que se nota à porta: nada de lógica de zona de bares ou excesso de Ballermann, mas um público habituado, que sabe distinguir um set de DJ de uma atuação.
O dress code é smart casual — ninguém aparece de vestido de gala, nem de chinelas. O clube é também expressamente adequado para grupos. Recomenda-se comprar bilhete online com antecedência; nas noites com grandes cabeças de cartaz, a procura é real.
Can Valero como lugar
À primeira vista, a localização no Polígono Can Valero pode parecer estranha. Mas esta zona industrial no oeste de Palma tem uma lógica própria para a cultura noturna: não há vizinhos a bater à porta a meio da noite; há espaço suficiente para táxis e estacionamento; e uma arquitetura que não promete mais do que aquilo que a música cumpre. Há estacionamento mesmo à porta, complementado por estacionamento gratuito na rua nas imediações. Quem conheceu o R33 original no belíssimo ambiente histórico de Es Jonquet — com a luz do porto em fundo e a animação dos bares de Santa Catalina à porta — poderá ler a mudança como uma alteração de filosofia: menos cenário, mais substância. Ambos foram excelentes à sua maneira. O essencial manteve-se.









