
Rockefeller's Disco Pub — um clássico nos limites de Cala Major
Quando o sol já se pôs sobre a zona oeste de Palma e ainda tens nos ouvidos as últimas ondas da noite na praia de Cala Major, começa outro capítulo da madrugada na esquina entre Joan Miró e Camí de Cala Major. O Rockefeller's Disco Pub é uma instituição: não é um recém-chegado ansioso por atenção, mas um espaço que serviu de ponto de encontro a várias gerações de maiorquinos e que é considerado uma referência histórica na noite local.
O espaço: caráter old-school e várias zonas
Há um elemento que te prende de imediato: a escadaria iluminada que conduz à entrada, uma imagem de marca de quando as discotecas ainda se afirmavam pela arquitetura. O edifício de um piso distribui a oferta por várias zonas: pista de dança com cabine de DJ, balcão de pub, canto de bilhar e matraquilhos para os intervalos entre sets — com alvos de dardos e máquinas de jogos — e, no topo, uma generosa esplanada rooftop ao ar livre, onde há serviço de shisha. A pista é surpreendentemente bem insonorizada, criando no exterior uma atmosfera própria; no balcão do pub, além de cocktails clássicos como Mojito, Long Island Iced Tea, Piña Colada e Kamikaze, também há comida. Um letreiro iluminado remata o edifício e torna-o inconfundível à noite, mesmo visto da avenida. Quem conhece este tipo de lugares reconhece cada detalhe: este espaço tem solera, a pátina autêntica de uma vida noturna verdadeira.
Som e programação: América Latina encontra Palma
O Rockefeller's representa música latina em todas as suas vertentes: reggaeton, incluindo noites próprias de reggaetón old-school, salsa, bachata, merengue, cumbia, electrolatino, afro house e perreo. Há ainda sets dos anos 80/90 e techno. Formatos recorrentes de noites de DJ — “Marabú”, “Odisea”, “EKA”, “Funktion”, “Taboo” — dão estrutura à programação sem a tornarem previsível. O formato “EKA” representa explicitamente Female Energy Takeover: sets de DJ selecionados por mulheres, não como programa secundário, mas como parte fixa do calendário noturno.
O segundo grande pilar é a música ao vivo: há noites regulares de “Noche de Rock Español en Vivo”, com bandas de rock espanhol. E há ainda o Rockefeller's Fest — um festival dedicado a bandas da ilha que, numa rede local de salas cada vez menor, quase não encontram palcos. Beat dos anos 1960, power-pop, rock'n'roll, DJs, projeções em ecrã, exposição de Vespas e Lambrettas e mercado de vinil em segunda mão: um evento que dá ao local uma dimensão muito além das simples noites de clube. O Rockefeller's assume-se como palco da cultura musical viva da ilha.
Também fazem parte da programação os tardeos — festas à tarde e ao início da noite em formato “Retro” — para quem prefere começar mais cedo.
O nome e o motivo
A referência ao Rockefeller Center de Nova Iorque é assumidamente bem-humorada. A casa brinca com o universo da bolsa: séries de eventos recorrentes chamam-se “La Bolsa” ou “Cierre de la Bolsa” — o local como mercado de boa disposição. É o humor de um espaço que não se leva demasiado a sério.
O bairro: Cala Major, Miró e o eixo Joan Miró
Cala Major fica na costa oeste de Palma, a poucos minutos do centro da cidade. O bairro tem muitos hotéis e uma praia urbana com passeio marítimo, mas o seu peso cultural vai muito além das férias de praia. A Fundació Pilar i Joan Miró tem aqui a sua sede — no conjunto de ateliers de Son Boter e Taller Sert, onde Miró viveu e trabalhou de 1956 até à sua morte em 1983; o museu, construído segundo projetos de Rafael Moneo, abriu em 1992. A poucos passos fica o Palácio de Marivent, residência de verão da família real espanhola, ladeado por esculturas de Miró nos jardins. É um bairro que, à primeira vista, promete turismo de praia e, à segunda, revela uma das maiores concentrações culturais da costa de Palma.
A Avenida Joan Miró, onde fica o Rockefeller's, é também uma das artérias históricas da noite da cidade. O seu extremo leste — a Plaça Gomila, no bairro de Terreno — foi durante décadas o epicentro da vida da ilha: Tito's, Barbarella, Sgt. Pepper's, onde Jimi Hendrix deu em 1968 o seu primeiro concerto em Espanha, são nomes que continuam vivos na cultura pop da ilha. O braço ocidental deste eixo termina em Cala Major: o desfecho natural de uma rua onde a noite sempre se sentiu em casa.
Quem aqui festeja
A clientela habitual é maioritariamente maiorquina: um espaço de bairro, não um megaclube turístico. As idades são variadas e a comunidade de música latina tem forte presença. Juntam-se hóspedes dos hotéis próximos: o Rockefeller's surge em quase todos os guias de vida noturna dos hotéis da zona como o endereço óbvio para uma noite de discoteca verdadeiramente local. Para um bairro que gira habitualmente em torno da praia, não é um elogio pequeno.



