pontos-de-interesse

Coves de Campanet: visita às grutas de Maiorca

Coves de Campanet, Mallorca
MiguelAlanCS, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (Recorte/dimensionamento via mallorca.com) — As alterações a esta imagem estão disponíveis sob a mesma licença.

As Coves de Campanet, perto de Cala Tuent, levam-te a uma paisagem escondida, moldada pelo calcário, pela água e pelo tempo. Estalactites finas como tubos pendem do teto; do chão, crescem estalagmites na sua direção. Entre elas, abrem-se galerias e salas mais amplas. Aqui, o destaque não vai para um espetáculo encenado, mas para as formas naturais da rocha.

O percurso é suficientemente curto para caber numa excursão de meio dia, sem deixar de ser variado: ao longo de cerca de 400 metros, sucedem-se passagens estreitas, câmaras mais espaçosas e pontos onde se acumula um pouco de água. A iluminação discreta revela os contornos sem tirar às grutas o seu caráter. É uma visita especialmente indicada para quem prefere observar a geologia com calma, longe da música alta e dos efeitos de espetáculo.

A visita começa de forma agradável ainda à superfície. Do parque de estacionamento, o caminho sobe até uma propriedade com plantas mediterrânicas, árvores antigas, terraços e um pátio interior. Do terraço, avista-se a paisagem rural; dentro das grutas, são o fresco e a humidade que marcam o ambiente. É um destino fácil de explorar para famílias, amantes da natureza e viajantes que procuram uma pausa do sol e da praia nos dias quentes.

História e importância

A corrente de ar que vinha do chão

Tudo começou não com uma expedição às grutas, mas com a procura de água. Os habitantes da zona conheciam uma corrente de ar fresco que saía de uma abertura no chão com apenas cerca de 15 centímetros de largura. Guillem Torres i Cladera, proprietário da quinta So na Pacs, mandou procurar uma fonte de água subterrânea para poder aproveitar melhor as terras. O ruído e o ar fresco junto à abertura levantaram a suspeita de que poderia haver um curso de água por baixo.

Em junho de 1945, Bartomeu Palou i Bennàsser, conhecido por «Xineta», alargou a abertura e conseguiu entrar na cavidade. Em vez da esperada fonte de água, encontrou uma vasta paisagem de formações calcárias. Foi também Xineta quem construiu a primeira escada de acesso. Esta descoberta continua a dar às Coves de Campanet um encanto especial: a entrada não foi encontrada por investigadores numa parede rochosa bem visível, mas denunciou-se por uma corrente de ar quase impercetível vinda do subsolo.

A abertura ao público

Após a descoberta, o mestre de obras Antoni Salvà i Torres e Joan Siquier Alemany receberam autorização para abrir as grutas aos visitantes. O arquiteto Josep Ferragut projetou os edifícios, os terraços, as escadas e os jardins no exterior, bem como o percurso e o corredor de acesso no interior. As Coves de Campanet abriram ao público em 10 de novembro de 1948.

Fotografias antigas mostram que o espaço depressa se tornou mais do que um destino para conhecer a geologia. Membros da VI. Frota Americana visitaram-no em 1952, ocasião em que atuou um grupo folclórico local. Entre as recordações que chegaram até hoje conta-se também uma caricatura desenhada por Xavier Cugat e dedicada pela cantora e atriz Abbe Lane, datada de 1957. Até a atriz mexicana María Félix foi fotografada a almoçar no grande terraço.

Uma janela para a pré-história de Maiorca

A gruta tem uma história muito mais antiga. A sua formação geológica remonta a mais de 10 milhões de anos. A água infiltrou-se no calcário, dissolveu minerais e voltou a depositá-los, gota a gota. Foi assim que se formaram os espeleotemas hoje visíveis — o termo científico que engloba estalactites, estalagmites, colunas e outras formações das grutas.

Durante os trabalhos de preparação da gruta para visitas, foram descobertos fósseis de Myotragus balearicus. Este animal, que vivia em Maiorca e Menorca, parecia uma pequena cabra e extinguiu-se há cerca de 4.000 anos. A descoberta mostrou que as Coves de Campanet são mais do que uma bela formação natural: constituem um valioso arquivo subterrâneo para a geologia, a paleontologia e o estudo das espécies endémicas.

O que há para ver

Estalactites, estalagmites e colunas

Logo aos primeiros passos, tudo ganha outra escala. Do teto descem estalactites cónicas e tubulares: algumas são grossas e baixas; outras são tão finas que recebem o nome de „Makkaroni“. Por baixo, as estalagmites erguem-se do chão. Onde umas e outras acabaram por se unir ao longo do tempo, formaram-se colunas maciças de calcário.

As formações não diferem apenas no tamanho. Os depósitos minerais criam tons claros de marfim, matizes castanhos e terrosos e, aqui e ali, um brilho quente, semelhante ao dourado. Em algumas paredes, o calcário lembra tecido pregueado ou cortinas petrificadas; noutras zonas, surgem pontas finas e tubos muito próximos uns dos outros. Estes depósitos delicados são uma das particularidades da gruta.

As galerias

O percurso circular estende-se por cerca de 400 metros, atravessando galerias e salas interligadas. No total, o sistema de grutas ocupa aproximadamente 3.200 metros quadrados. As cavidades amplas alternam com passagens mais estreitas: em vez de uma única sala central imponente, encontras uma sucessão de perspetivas diferentes. Ora o teto fica perto do caminho, ora se abre à tua frente um espaço mais largo.

A iluminação é relativamente discreta. Destaca certos contornos, superfícies de calcário e pormenores das paredes, sem transformar a visita num espetáculo de luz e som. Assim, os olhos têm tempo para se habituar à penumbra. Em alguns pontos, pequenas poças refletem a luz e lembram que a humidade não só criou a gruta como continua a moldá-la lentamente.

Romantischer Saal e Seesaal

Várias salas têm nomes sugestivos, que ajudam a orientar-te. Entre elas estão a Romantischer Saal e a Seesaal.

Verzauberte Burg e Palmensaal

A Verzauberte Burg e a Palmensaal também têm nomes próprios. Ambas mostram bem porque é que as grutas de estalactites e estalagmites sempre despertaram a imaginação: a natureza não procura imitar nada, mas cria formas em que os nossos olhos reconhecem figuras familiares.

Klangwasserfall

A Klangwasserfall é outra das salas com nome próprio. Para lá da beleza visível, a gruta é também um habitat sensível. A humidade constante e as condições particulares do seu interior oferecem refúgio a espécies endémicas. Por isso, graças aos fósseis encontrados e à fauna que hoje vive na gruta, as Coves de Campanet são um lugar onde podes não só observar a história natural, mas também perceber que ela continua a desenrolar-se.

A visita

Do jardim ao interior da gruta

Do parque de estacionamento, o caminho sobe até à entrada. Plantas em vasos, palmeiras, ciprestes, azinheiras, amendoeiras e oliveiras marcam a passagem da paisagem aberta para a gruta. Antes de desceres, podes fazer uma pausa no terraço ou no pátio interior. O café permite-te esperar com vista para o vale, em vez de ficares numa entrada sem graça. Lá dentro, o ambiente muda depressa: a luz torna-se mais ténue, o ar mais fresco e, ao longo dos caminhos, há degraus e troços irregulares.

Tempo para percorrer a gruta

Conta com cerca de 40 minutos para visitar a gruta. Se quiseres observar as formações com atenção, tirar fotografias ou ouvir o audioguia sem pressa, precisarás de mais tempo. Acrescenta ainda o percurso entre o parque de estacionamento e a entrada, bem como uma eventual pausa no terraço. As Coves de Campanet não têm, por isso, de ser apenas uma paragem rápida: com algum tempo para descansar antes ou depois da visita à gruta, tornam-se um passeio completo.

Para apreciares melhor as salas, vale a pena percorrê-las sem pressa. As delicadas estalactites tubulares e as paredes com camadas formadas ao longo do tempo merecem uma segunda olhadela. As formações maiores chamam logo a atenção, mas é fácil deixar passar as pequenas pontas de calcário, as superfícies de água e as estalactites e estalagmites quase unidas.

Horários mais tranquilos

Fora das horas de maior afluência, é mais fácil manter alguma distância dos outros grupos nas galerias e observar as formações com calma. Se tiveres flexibilidade de horários, evita as horas de ponta. No verão, a gruta oferece uma pausa agradável durante um dia de calor. Mas seria redutor visitá-la apenas para fugir às temperaturas altas: o contraste entre o terraço luminoso, a entrada fresca e as salas silenciosas faz parte da experiência e torna a visita igualmente apelativa quando o tempo está instável.

Como chegar e onde estacionar

De Palma e do aeroporto até Cala Tuent

As distâncias e os tempos de viagem indicados referem-se a Cala Tuent, não à entrada da gruta. A partir do aeroporto de Palma, o percurso segue pela Ma-30, pela Ma-13 e pela Ma-2130. São 72 quilómetros por estrada, e a viagem até Cala Tuent demora cerca de 105 minutos. Do centro de Palma, o trajeto de 69 quilómetros segue pela Ma-13 e pela Ma-2130; conta com cerca de 109 minutos.

O tempo de viagem não se explica apenas pela distância. Depois do troço mais rápido na Ma-13, a estrada muda à medida que te aproximas da Tramuntana. As curvas e as estradas de montanha mais estreitas exigem mais atenção do que a autoestrada. Convém, por isso, prever algum tempo extra, sobretudo se o trânsito em sentido contrário, os visitantes em passeio ou os veículos lentos te obrigarem a reduzir a velocidade.

O último troço até à gruta

Como as distâncias e os tempos indicados só dizem respeito ao trajeto até Cala Tuent, não devem ser tomados como indicações exatas até à entrada das Coves de Campanet. Para o último troço, segue as indicações atualizadas do navegador e a sinalização local para a gruta. Não há nenhuma paragem de autocarro identificada nas imediações; por isso, o mais seguro é planeares a viagem de carro ou organizares transporte por tua conta.

Há um parque de estacionamento no recinto das grutas, abaixo da entrada. Daí, é preciso subir a pé por um caminho e alguns degraus até ao terraço e à entrada. É mais prático ter calçado adequado à mão durante a viagem do que deixar umas sandálias de sola lisa na bagageira. Depois da visita, reserva também tempo suficiente para regressares ao carro, em vez de planeares partir assim que o audioguia terminar.

Plane a subida à serra com tempo

Conta com a viagem como parte do passeio. Nas estradas com muitas curvas, uma hora de partida que parece dar-te tempo suficiente pode acabar por deixar-te à justa. Se quiseres fazer uma pausa antes da visita às grutas, marcada ou planeada, acrescenta também o tempo necessário para subir do parque de estacionamento até à entrada.

O que deves saber antes da visita

Calçado e roupa

O mais importante é levares calçado confortável e resistente. O percurso está preparado para receber visitantes, mas atravessa uma gruta natural, com degraus e piso irregular em alguns pontos. Vale a pena andar devagar, sobretudo onde os estalactites te levam a olhar para cima.

Lá dentro está mais fresco do que na esplanada soalheira. Por isso, mesmo nos dias quentes, dá jeito levar uma peça de roupa leve para vestir por cima. Se tens frio com facilidade, não entres na gruta apenas com roupa de praia. Junto à entrada, pelo contrário, há zonas ao sol.

Com crianças

Com uma duração de cerca de 40 minutos, a visita é, em geral, adequada para famílias. Os nomes de muitas formações ajudam a despertar a curiosidade das crianças: Die Verzauberte Burg, der Palmensaal e der Klangwasserfall são pontos fáceis de reconhecer ao longo do percurso. Ainda assim, a gruta é um espaço natural delicado. As crianças devem manter-se nos caminhos assinalados e, se ainda não andarem com segurança, dar a mão a um adulto nos degraus.

Se vais com crianças muito pequenas, lembra-te de que terão de manter a atenção ao longo de várias galerias e de que o piso não é tão regular como o de um passeio. Uma breve paragem na esplanada antes de descer pode ajudar a começar a visita com calma.

Fotografa sem incomodar

Com esta iluminação discreta, é mais fácil conseguir boas fotografias se parares um momento do que se fotografares à pressa. Formações calcárias claras, superfícies de água e sombras profundas surgem muitas vezes lado a lado. Se observares primeiro e fotografares depois, será mais fácil reparar nos detalhes. Deixa também os outros visitantes passar: as galerias estreitas não são o lugar indicado para longas paragens fotográficas a meio do caminho. Não esperes efeitos sonoros nem grandes encenações. É precisamente essa a essência das Coves de Campanet: a experiência nasce das formas naturais, da luz suave e do ar húmido.

Dicas de quem vive na ilha

  • Reserva tempo para o terraço

    Não vás diretamente do parque de estacionamento para a gruta: o terraço e o jardim, com ciprestes, azinheiras, oliveiras e amendoeiras, oferecem uma vista ampla sobre a paisagem rural.

  • Procura as formações mais finas

    Além das grandes colunas, vale a pena reparar nas estalactites «macarrão», finas e tubulares. São menos imponentes do que as grandes formações, mas contam-se entre as mais delicadas formações calcárias da gruta.

  • Repara nas salas com nome próprio

    Klangwasserfall é 1 dos espaços com nome próprio, tal como Romantische Saal, Seesaal, Verzauberte Burg e Palmensaal.

  • Repara nos pequenos espelhos de água

    Em algumas salas, há pequenas acumulações de água. Sob a iluminação discreta, refletem as formações calcárias e mostram que a humidade continua a moldar a gruta.

  • Evita as horas de maior afluência

    Fora das horas de maior afluência, há mais espaço entre os visitantes. Assim, podes observar melhor as formações mais delicadas.

21°C Cala Tuent

A localidade correspondente

Cala Tuent no retrato da localidade
O que são as Coves de Campanet e porque vale a pena visitá-las?
As Coves de Campanet são um conjunto de grutas naturais com formações calcárias e um percurso de visita de cerca de 400 metros, que atravessa galerias e salas maiores. Podes ver estalactites, estalagmites, colunas, delicadas formações tubulares de calcário e pequenas acumulações de água. Ao contrário do que acontece em grutas com visitas muito encenadas, aqui são as formações naturais que se destacam. A iluminação discreta e a duração acessível tornam a visita especialmente interessante para quem gosta de natureza, para famílias e para viajantes que procuram uma alternativa tranquila à praia e à cidade.
Além do percurso na gruta, que tempo deves prever para a visita?
Para planeares a visita, conta com cerca de 40 minutos para percorrer a gruta. Reserva também tempo para subir do parque de estacionamento até à entrada e, se te apetecer, fazer uma pausa no terraço ou no pátio interior. Se quiseres observar as formações com atenção, tirar fotografias ou ouvir o audioguia sem pressas, precisarás de mais tempo. Com o jardim, o café e o terraço panorâmico, a visita à gruta pode tornar-se num passeio completo, em vez de uma paragem rápida.
Como chegar a partir de Palma ou do aeroporto?
Os percursos indicados levam até Cala Tuent, não diretamente à entrada da gruta. A partir do aeroporto de Palma, o trajeto segue pelas estradas Ma-30, Ma-13 e Ma-2130: são 72 km por estrada e cerca de 105 minutos de viagem. A partir do centro de Palma, o percurso de 69 km segue pela Ma-13 e pela Ma-2130 e demora cerca de 109 minutos. Para o último troço até à atração, consulta um sistema de navegação atualizado e segue a sinalização local. Não há nenhuma paragem de autocarro registada nas imediações.
Quanto tempo demora uma visita às Coves de Campanet?
O percurso pela gruta demora cerca de 40 minutos. É o tempo previsto para atravessar as galerias e as salas com nome, mas a visita pode prolongar-se se ouvires o audioguia com atenção ou fizeres paragens mais demoradas para fotografar. Conta ainda com a subida a pé desde o parque de estacionamento, que fica abaixo da entrada. Se também quiseres aproveitar o jardim, o pátio interior, o café e o terraço panorâmico, reserva bastante mais tempo e não encaixes a gruta como uma paragem rápida entre 2 atividades com horários apertados.
Quando é que as Coves de Campanet estão mais tranquilas?
Em geral, a visita é mais agradável fora das horas de maior afluência, quando há mais espaço para circular nas galerias estreitas. Também é mais fácil apreciar os pequenos espelhos de água e as delicadas estalactites tubulares. Se tiveres flexibilidade, escolhe um horário menos procurado em vez das horas de ponta. Assim, poderás observar as galerias, as salas e as diferentes formações calcárias sem pressas.
As Coves de Campanet são adequadas para visitar com crianças?
Com um percurso de cerca de 40 minutos e salas com nomes sugestivos, a gruta é, em princípio, um destino fácil de explorar em família. Verzauberte Burg, Palmensaal e Klangwasserfall são pontos de referência que as crianças conseguem identificar. Ainda assim, trata-se de um percurso dentro de uma gruta, com degraus e piso irregular em alguns pontos. Por isso, acompanha as crianças pequenas de perto. É importante manterem-se no caminho assinalado e prestar especial atenção aos degraus.
Que roupa levar para visitar a gruta?
Leva calçado confortável e resistente, com sola aderente. Embora o percurso esteja preparado para receber visitantes, há degraus e zonas de piso irregular. O ar no interior é mais fresco do que cá fora, pelo que convém levar um casaco leve ou outra peça que possas vestir por cima. Se tens tendência a sentir frio, não entres na gruta apenas com roupa de praia. Como é natural olhar muitas vezes para cima, para ver as estalactites, o calçado adequado ajuda-te a manter o equilíbrio nos degraus e nas zonas irregulares. Junto à entrada, há zonas soalheiras, por isso dá jeito levar uma peça que possas vestir e despir facilmente.
Que mais há para fazer durante a visita?
O espaço das Coves de Campanet oferece mais do que o percurso pela gruta. O caminho até à entrada passa entre palmeiras, ciprestes, azinheiras, amendoeiras e oliveiras; o terraço, o pátio interior e o café convidam a uma pausa com vista para a paisagem rural. Se planeias chegar por Cala Tuent, tem em conta os tempos de viagem prolongados e as estradas sinuosas, e evita marcar demasiados compromissos para o mesmo dia. A visita à gruta e uma pausa tranquila acima do vale já dão um bom passeio.