Coves de Campanet – o silencioso mundo de formações calcárias de Maiorca

As Coves de Campanet, perto de Cala Tuent, conduzem-te a uma paisagem escondida de calcário, água e tempo. As estalactites pendem do teto como tubos delicados, enquanto as estalagmites crescem do chão ao seu encontro; entre ambas, abrem-se galerias e salas maiores. Em vez de um espetáculo de gruta encenado, o destaque vai para as formas naturais da rocha.
O percurso é suficientemente curto para uma saída de meio dia, mas não deixa de ser variado: ao longo de cerca de 400 metros, alternam-se passagens estreitas, câmaras mais amplas e zonas com pequenas acumulações de água. A iluminação discreta revela os contornos sem esconder o caráter dos espaços subterrâneos. É uma opção especialmente indicada para quem prefere observar a geologia com calma, longe de música alta e efeitos de espetáculo.
A visita começa de forma agradável à superfície. O caminho sobe do parque de estacionamento até uma propriedade com plantas mediterrânicas, árvores antigas, terraços e um pátio interior. Do terraço, a vista estende-se pela paisagem rural circundante; no interior das grutas, são a frescura e a humidade que ditam o ritmo. Famílias, interessados na natureza e viajantes que procuram uma pausa do sol e da praia nos dias quentes encontram aqui um destino fácil de visitar.
História e importância
A corrente de ar que saía do solo
Tudo começou não com uma expedição planeada às grutas, mas com a procura de água. Os habitantes da zona conheciam uma corrente de ar fresco que saía de uma abertura no solo com apenas cerca de 15 centímetros de largura. Guillem Torres i Cladera, proprietário da herdade So na Pacs, mandou procurar uma nascente subterrânea para poder aproveitar melhor os terrenos. O ruído e a frescura junto à abertura acabaram por levantar a suspeita de que poderia haver um curso de água por baixo.
Em junho de 1945, Bartomeu Palou i Bennàsser, conhecido como „Xineta“, alargou o buraco e conseguiu aceder à cavidade. Em vez da nascente esperada, revelou-se um extenso mundo de formações calcárias. Xineta construiu também a primeira escada de acesso. A história da descoberta explica ainda hoje um dos encantos particulares das Coves de Campanet: a entrada não foi encontrada por investigadores numa escarpa rochosa bem visível, mas denunciou-se através de um sopro quase impercetível vindo do subsolo.
A abertura ao público
Após a descoberta, o mestre de obras Antoni Salvà i Torres e Joan Siquier Alemany receberam autorização para tornar as grutas acessíveis aos visitantes. O arquiteto Josep Ferragut projetou os edifícios, os terraços, as escadas e os jardins no exterior, bem como o percurso e o corredor de acesso no interior. As Coves de Campanet abriram ao público em 10 de novembro de 1948.
Fotografias históricas mostram que o local depressa se tornou mais do que um destino de interesse geológico. Membros da VI Frota norte-americana visitaram-no em 1952, ocasião em que atuou um grupo folclórico local. Entre as recordações preservadas encontra-se também uma caricatura desenhada por Xavier Cugat em 1957 e dedicada à cantora e atriz Abbe Lane. Até a atriz mexicana María Félix foi fotografada enquanto almoçava no grande terraço.
Uma janela para a pré-história de Maiorca
A gruta propriamente dita remonta a um passado muito mais remoto. Estima-se que a sua formação geológica tenha começado há mais de 10 milhões de anos. A água infiltrou-se no calcário, dissolveu minerais e voltou a depositá-los, gota a gota. Foi assim que se formaram os espeleotemas hoje visíveis — o termo científico que engloba estalactites, estalagmites, colunas e outras formações cavernícolas.
Durante os trabalhos de abertura ao público, foram descobertos restos fósseis de Myotragus balearicus. Este animal, nativo de Mallorca e Menorca, assemelhava-se exteriormente a uma pequena cabra e extinguiu-se há cerca de 4.000 anos. A descoberta deixou claro que as Coves de Campanet são mais do que uma bela formação natural: constituem um valioso arquivo subterrâneo para a geologia, a paleontologia e o estudo de espécies endémicas.
O que há para ver
Estalactites, estalagmites e colunas
Logo após os primeiros passos, a escala muda. Do tecto pendem estalactites cónicas e tubulares; algumas são robustas e compactas, enquanto outras são tão finas que recebem o nome de «macarrão». Por baixo, elevam-se estalagmites a partir do chão. Onde ambas se uniram ao longo de muito tempo, erguem-se maciças colunas calcárias entre o tecto e o solo.
As formações não se distinguem apenas pelo tamanho. Os depósitos minerais criam tons claros de marfim, nuances de castanho-terra e, em alguns pontos, um brilho quente semelhante ao dourado. Em certas paredes, o calcário faz lembrar tecido pregueado ou cortinas petrificadas; noutras zonas, surgem pontas finas e tubos muito próximos uns dos outros. São precisamente estes delicados depósitos que constituem uma das particularidades da gruta.
As galerias
O percurso circular estende-se por cerca de 400 metros, atravessando galerias e salas interligadas. No total, o sistema de grutas abrange aproximadamente 3.200 metros quadrados. As grandes cavidades alternam com passagens mais estreitas, criando não uma única sala central avassaladora, mas uma sucessão de perspetivas distintas. Ora o tecto fica próximo do caminho, ora abre-se de novo um espaço mais amplo.
A iluminação é relativamente discreta. Destaca contornos, superfícies de formações calcárias e estruturas das paredes, sem transformar a visita num espetáculo de som e luz. Assim, os olhos têm tempo para se habituarem ao ambiente mais escuro. Em alguns pontos, pequenas acumulações de água refletem a luz e recordam que a humidade não só criou a gruta, como continua a moldar a sua lenta evolução.
Sala Romântica e Sala do Lago
Várias salas têm nomes sugestivos que ajudam na orientação. Entre elas encontram-se a Sala Romântica e a Sala do Lago.
Castelo Encantado e Sala das Palmeiras
O Castelo Encantado e a Sala das Palmeiras também fazem parte das salas com nome. Ambas mostram particularmente bem por que motivo as grutas com formações calcárias estimulam a imaginação desde sempre: a natureza não imita nada de forma intencional, mas cria formas nas quais o olhar reconhece elementos familiares.
Cascata Sonora
A Cascata Sonora também faz parte das salas com nome. Por baixo da beleza visível, existe ainda um habitat sensível. A humidade constante e as condições especiais do interior oferecem refúgio a espécies endémicas. Os achados fósseis e a fauna cavernícola atual fazem, por isso, das Coves de Campanet um lugar onde a história natural não se limita a ser observada, mas pode ser vivida como um processo contínuo.
A visita
Do jardim à gruta
Do parque de estacionamento, o caminho sobe até à zona de entrada. Plantas em vasos, palmeiras, ciprestes, azinheiras, amendoeiras e oliveiras marcam a transição da paisagem aberta para a gruta. Antes de descer, podes fazer uma pausa no terraço ou no pátio interior. O café permite-te passar o tempo de espera com vista sobre o vale, em vez de ficares numa simples sala de entrada. No interior, o ambiente muda depressa: a luz torna-se mais suave, o ar mais fresco e, ao longo dos percursos firmes, há degraus e troços irregulares a vencer.
Tempo para o percurso
Deves contar com cerca de 40 minutos para a visita propriamente dita à gruta. Se quiseres observar as formações com mais atenção, tirar fotografias ou ouvir o audioguia sem pressa, precisarás de mais tempo. A isto acrescem o percurso entre o parque de estacionamento e a entrada, bem como o tempo que possas passar no terraço. Por isso, as Coves de Campanet não são apenas uma paragem rápida: com uma pausa tranquila antes ou depois da visita à gruta, tornam-se num passeio completo.
As salas revelam-se melhor quando não se corre de ponto em ponto. Vale particularmente a pena olhar uma segunda vez para as delicadas estalactites tubulares e para as superfícies das paredes formadas em camadas. As grandes formações saltam logo à vista, mas é fácil não reparar nas pequenas pontas calcárias, nas zonas de água e nas estalactites e estalagmites quase unidas.
Horas de visita mais tranquilas
Fora dos períodos mais concorridos do dia, há mais espaço nas galerias para manteres distância do grupo seguinte e observares as formações com calma. Se tiveres flexibilidade de horários, evita por isso as horas de maior afluência. Sobretudo no verão, a gruta proporciona uma agradável pausa no calor do dia. Ainda assim, não deve ser vista apenas como um refúgio do calor: o contraste entre o terraço luminoso, o acesso fresco e as câmaras silenciosas faz parte da experiência e torna a visita igualmente apelativa em dias de tempo instável.
Como chegar e estacionamento
De Palma e do aeroporto até Cala Tuent
Os dados de acesso indicados referem-se expressamente a Cala Tuent, e não à entrada da gruta. Do aeroporto de Palma, o percurso segue pela Ma-30, Ma-13 e Ma-2130. Por estas estradas, são 72 quilómetros, e a viagem até Cala Tuent demora cerca de 105 minutos. A partir do centro de Palma, o trajeto de 69 quilómetros segue pela Ma-13 e pela Ma-2130, devendo contar-se com cerca de 109 minutos.
O tempo de viagem não se explica apenas pela distância. Depois do troço mais rápido na Ma-13, a estrada muda de carácter à medida que se aproxima da Tramuntana. As curvas e as estradas de montanha mais estreitas exigem mais atenção do que a autoestrada. Por isso, convém prever alguma margem de tempo, sobretudo quando o trânsito em sentido contrário, o movimento de excursionistas ou os veículos lentos condicionam o andamento.
O último troço até à atração
Como as distâncias e os tempos indicados se aplicam apenas até Cala Tuent, não devem ser entendidos como uma navegação exata, porta a porta, até às Coves de Campanet. Para o último troço, segue a navegação atual e a sinalização local para a atração. Não está registada nenhuma paragem de autocarro nas imediações, pelo que, para esta deslocação, é mais fiável contar com carro próprio ou com transporte organizado de forma independente.
Na propriedade da gruta, há um parque de estacionamento abaixo da zona de entrada. Daí, segue-se a pé por um caminho em subida e por escadas até ao terraço e ao acesso. É mais prático ter à mão calçado adequado logo à saída do carro do que sandálias lisas na bagageira. Sobretudo depois do percurso, deixa tempo suficiente para regressares ao veículo, em vez de fazeres coincidir a continuação da viagem com o fim do audioguia.
Planear a subida à serra de forma realista
A viagem até lá deve ser encarada como parte do passeio. Uma hora de partida que pareça adequada no papel pode tornar-se apertada nos troços sinuosos. Se precisares de fazer uma pausa antes da visita reservada ou planeada às grutas, deves também contar com o percurso desde o parque de estacionamento até à entrada.
Informações úteis para a visita
Calçado e roupa
Levar calçado resistente e confortável é a preparação mais importante. O percurso circular está preparado para visitantes, mas atravessa uma gruta natural com degraus e zonas de piso irregular. Convém andar devagar, sobretudo nos locais em que o olhar se dirige naturalmente para as estalactites lá em cima.
No interior, está mais fresco do que no terraço soalheiro. Por isso, uma camada de roupa leve adicional é agradável, mesmo nos dias quentes. Se tens tendência a ter frio, não deves entrar na gruta apenas com roupa de praia. Junto à entrada, por outro lado, há zonas ao sol.
Com crianças
A duração moderada, de cerca de 40 minutos, torna o percurso, à partida, adequado para famílias. Os nomes de muitas formações ajudam a aproximá-las das crianças: o Castelo Encantado, a Sala das Palmeiras ou a Cascata Sonora assinalam pontos reconhecíveis ao longo do caminho. Ainda assim, a gruta é um espaço natural sensível. As crianças devem permanecer nos percursos assinalados e, se ainda não caminham com segurança, devem ser conduzidas pela mão nos degraus.
Para crianças muito pequenas, convém ter em conta que terão de manter a atenção ao longo de várias galerias e que o piso não é comparável ao de um passeio plano. Uma breve pausa no terraço antes de descer pode ajudar a começar a visita com tranquilidade.
Fotografar com respeito
A iluminação discreta recompensa mais um ponto de vista estável do que fotografias tiradas à pressa. As formações calcárias claras, os espelhos de água e as sombras profundas surgem muitas vezes lado a lado. Se primeiro observares com os olhos e só depois fotografares, será mais fácil reconhecer as estruturas mais delicadas. Os outros visitantes devem poder passar; as galerias estreitas não são adequadas para paragens prolongadas a meio do percurso para fotografar. Não esperes uma encenação ruidosa, e é precisamente aí que reside o carácter das Coves de Campanet: a experiência nasce das formas naturais, da luz suave e do ar húmido.
Dicas de quem vive na ilha
Reserva tempo para a esplanada
Não vás diretamente do estacionamento para a gruta: a esplanada e o jardim, com ciprestes, azinheiras, oliveiras e amendoeiras, oferecem uma vista ampla sobre a paisagem rural.
Procura os tubos mais finos
Além das grandes colunas, vale a pena reparar nas estalactites finas e tubulares, conhecidas como «macarroni». Embora sejam menos vistosas do que as formações imponentes, estão entre as mais delicadas formações calcárias da gruta.
Repara nas salas com nome
A Cascata Sonora faz parte das salas com nome, tal como o Salão Romântico, o Salão do Lago, o Castelo Encantado e o Salão das Palmeiras.
Repara nas zonas com água
Algumas salas têm pequenas acumulações de água. Com a iluminação discreta, nelas se refletem as formações calcárias, tornando visível que a humidade continua a moldar a gruta.
Evita as horas de maior afluência
Fora dos períodos do dia mais procurados, há mais espaço entre os visitantes. Assim, consegues observar melhor as formações mais delicadas.