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Ses Talaies de Can Xim: 2 talaiots perto de Biniali

Ses Talaies de Can Xim, Mallorca
Olaf Tausch, Wikimedia Commons, CC BY 3.0 (Recorte/dimensionamento via mallorca.com)

Em Ses Talaies de Can Xim, entras em contacto com a pré-história de Maiorca. Perto de Biniali, na zona de Cascanar, erguem-se 2 imponentes talaiots construídos com grandes blocos de pedra, a poucos passos um do outro. Ambos têm planta quadrada, uma forma menos frequente em Maiorca do que as conhecidas torres circulares. Um deles foi estudado por arqueólogos e deixa ver o seu pilar central; o outro continua, em grande parte, por escavar.

É este contraste que torna o local interessante. No talaiot a sul, é relativamente fácil perceber como eram o interior e o acesso, e observar alguns pormenores da construção. A estrutura a norte revela menos: a vegetação cobre parte das paredes e o corredor sinuoso conduz a um espaço que ainda não foi inteiramente estudado. Entre as 2 torres há apenas cerca de 18 metros.

Ses Talaies de Can Xim não é um sítio reconstruído para visitas, nem um museu onde tudo está explicado. O interesse está em comparar as 2 construções de perto e nas perguntas que continuam sem resposta. Se te interessas por arqueologia, pelas sociedades antigas ou pelo interior menos conhecido da ilha, encontras aqui um lugar onde podes observar de forma particularmente clara a arquitetura da época talaiótica.

O sítio faz também parte de um contexto histórico mais vasto. Nos arredores de Sencelles e Costitx encontram-se povoações, santuários, grutas funerárias e outros talaiots. Nesta paisagem arqueológica, Ses Talaies de Can Xim distingue-se por uma particularidade: as 2 torres ficavam perto do povoado talaiótico de Cascanar, mas não eram simples habitações integradas num conjunto de casas.

História e importância

Por volta de 900 a. C., a ocupação do interior de Maiorca começou a mudar. Alguns povoados naviformes mais antigos foram abandonados ou transformados; surgiram comunidades cujas construções mais marcantes eram os talaiots, semelhantes a torres. A construção das 2 torres de Can Xim é atribuída à época talaiótica, entre 900 e 550 a. C. O sítio apresenta também vestígios do período pós-talaiótico.

Estas grandes torres tinham mais do que uma utilidade prática. Na região, as casas agrupavam-se muitas vezes em torno de talaiots, embora alguns se erguessem isolados entre povoados. Podiam servir para vigiar as terras em redor e os rebanhos, mas também são associados a rituais comunitários com importância política e económica. Por isso, a localização e as características de Can Xim deram origem a várias interpretações.

A ligação a Cascanar

Os 2 talaiots ficavam a pouca distância do povoado pré-histórico de Cascanar. Segundo uma interpretação comum, foram construídos pelos seus habitantes. O que chama a atenção é o facto de formarem um par muito próximo, mas situado fora da zona principal do povoado. Esta localização afastada reforçou a hipótese de que se tratava de um espaço comunitário ou simbólico especial.

As 2 construções também são conhecidas como Talaiots de Cascanar. Este nome alternativo não é apenas uma variante: remete para a ligação histórica à comunidade próxima. Ainda assim, convém ter cautela. Nem todas as áreas do sítio foram escavadas, pelo que ainda não se sabe ao certo como foram usadas ou de que modo a sua função poderá ter mudado ao longo do tempo.

Rituais, reuniões ou vigilância

É provável que tivessem uma função cerimonial ou ritual. Também se admite que servissem para encontros de importância social ou política, ou para vigiar o território e o gado. Estas hipóteses não se excluem necessariamente: uma construção monumental podia ser, ao mesmo tempo, um símbolo visível da comunidade, um ponto de encontro e um lugar para práticas especiais.

A descoberta do esqueleto de uma mulher aponta para uma utilização funerária. Por outro lado, as escavações não confirmaram que os edifícios fossem habitações comuns. É uma distinção importante. Perante aquelas paredes espessas, não estás simplesmente a olhar para 2 casas pré-históricas, mas provavelmente para construções que se destacavam da vida quotidiana e tinham importância para a comunidade.

Monumentos de uma sociedade organizada

Trabalhar pedras tão grandes, algumas descritas como ciclópicas, exigia esforço conjunto. Era preciso planear, obter os materiais e organizar a construção. Por isso, os investigadores admitem que autoridades religiosas ou políticas possam ter estado por detrás da obra. As torres revelam uma sociedade capaz de distribuir tarefas e mobilizar pessoas para erguer grandes construções coletivas.

Ses Talaies de Can Xim conta esta história sem palavras escritas e quase sem elementos decorativos. A dimensão do esforço fala por si: foram erguidas 2 torres de tamanho semelhante, muito próximas 1 da outra, mas com entradas orientadas em direções diferentes. O facto de uma comunidade ter construído estes monumentos mostra como o lugar deve ter sido importante para a sua organização interna ou para os seus rituais, embora não se saiba ao certo como decorriam.

O que podes ver

O que primeiro impressiona é a dimensão das construções e a proximidade entre elas. Os 2 edifícios de pedra, de tamanho semelhante, estão separados por cerca de 18 metros. Ambos têm planta quadrada, lados de aproximadamente 11 metros e paredes que ainda atingem entre 2,5 e 3 metros de altura. A semelhança parece intencional, mas as entradas, o estado de conservação e o que se consegue ver do interior diferem bastante.

O talaiot do norte

A torre do norte tem cerca de 11 metros de cada lado e atinge uma altura máxima de aproximadamente 2,8 metros. As paredes são feitas de pedras muito grandes. A entrada chama especialmente a atenção: tem cerca de 2 metros de altura e 1,1 metros de largura, com uma enorme pedra horizontal por cima. Está voltada para oeste, mais precisamente a 260 graus.

Ao passar pela entrada, não se vê a câmara em frente: o corredor é sinuoso. Por isso, não consegues perceber todo o espaço de uma só vez; o exterior, a passagem e o interior ficam claramente separados. Esta entrada é um dos elementos mais importantes do conjunto, pois mostra que os construtores não se limitaram a empilhar pedras: pensaram também na forma como as pessoas se moviam e no que conseguiam ver dentro do edifício.

O talaiot do norte ainda não foi escavado. A vegetação cobre parte da estrutura, pelo que é mais difícil perceber a sua forma do que a do seu vizinho a sul. Isso não o torna menos importante. Pelo contrário: lembra-nos quanta informação arqueológica pode ainda estar escondida no solo e entre as partes desmoronadas. Não é um monumento totalmente revelado, mas um sítio arqueológico que só foi parcialmente estudado.

O talaiot do sul

Com lados de cerca de 10,8 metros e uma altura máxima conservada de aproximadamente 2,8 metros, o talaiot do sul é muito semelhante ao do norte. A sua entrada, porém, está voltada para sudeste. Também aqui a passagem não é reta: faz curvas até à câmara interior. Assim, construções quase iguais por fora têm entradas deliberadamente orientadas em direções diferentes.

O traçado sinuoso da passagem podia ter vários efeitos. Quem estava no exterior não via diretamente o interior e, da câmara, também não se via diretamente lá para fora. Além disso, entrava menos luz. Por fim, um corredor com curvas podia ser controlado mais facilmente do que uma passagem reta. Não é possível determinar se algum destes efeitos era o mais importante ou se todos contribuíam para a forma da entrada.

O talaiot do sul foi escavado, pelo que é muito mais fácil observar o seu interior. É aqui que se encontra um elemento que muitos visitantes talvez não esperem ver num talaiot: a coluna central. Fazia parte da estrutura da câmara e sustentava os elementos construídos por cima. A combinação da parede exterior, da entrada estreita e da coluna ajuda a perceber o cuidado técnico com que estes edifícios monumentais foram construídos.

A coluna central

A coluna da câmara é a diferença mais reveladora entre o aspeto atual das 2 torres. No talaiot a norte, o interior permanece em grande parte oculto; no talaiot a sul, é possível perceber a disposição do espaço: o corredor sinuoso conduz a uma câmara cujo centro era ocupado por um elemento estrutural.

Este tipo de coluna central era comum nestas construções. Ajudava a suportar o peso da cobertura. Por isso, ao visitares o local, vale a pena olhar para além das grandes pedras exteriores. A coluna mostra que um talaiot não era apenas um amontoado maciço de pedras. Por detrás da sua estrutura monumental, havia um espaço interior planeado, cuja cobertura exigia um conhecimento preciso da distribuição do peso, dos pontos de apoio e da construção em pedra.

Os 2 recintos anexos

Ao talaiot a sul estão ligados outros 2 recintos delimitados. Mostram que o sítio arqueológico vai além de um par de torres e que a construção a sul fazia parte de um conjunto mais complexo. São também importantes para interpretar o local: as atividades podiam decorrer não só na câmara, mais escura, mas também nas áreas imediatamente adjacentes.

Não se sabe ao certo para que serviam estes recintos. Por isso, convém não os classificar precipitadamente como habitações, pátios ou locais de culto. Ainda assim, ajudam-te a compreender melhor o conjunto durante a visita. Ses Talaies de Can Xim não se resume a 2 blocos isolados; pelo menos junto ao talaiot a sul, a construção estendia-se por uma área maior.

As torres vistas em conjunto

Para compreender Can Xim, o melhor é comparar as 2 torres. Do espaço entre elas, consegues observar as proporções e a distância que as separa; depois, podes examinar cada entrada e a sua orientação. As dimensões semelhantes sugerem uma relação estreita entre as torres, mas as diferentes orientações das entradas indicam que não se limitavam a repetir a mesma planta.

A planta quadrada é, por si só, um motivo de interesse. Em Maiorca, há talaiots redondos e quadrados; nas redondezas, Son Fred e Binifat são exemplos dos primeiros, enquanto Cascanar e Can Xim pertencem ao segundo grupo. Por isso, este conjunto é um bom ponto de partida para comparares diferentes tipos de construção ao longo do percurso arqueológico.

A visita

A entrada da torre a sul conduz naturalmente o olhar para o interior. Primeiro, vês a grande pedra sobre a entrada; depois, a passagem que muda de direção; por fim, a câmara central com a sua coluna. Vale a pena observar esta sequência sem pressas. Basta mudares de posição para perceberes como o corredor sinuoso limita a vista direta para o interior e a entrada de luz.

Um percurso pela área

Começa pelo espaço entre as torres. É daí que melhor se percebe o conjunto: 2 monumentos de planta quadrada, de dimensões quase iguais e muito próximos um do outro. Segue depois para o talaiot a norte, com a sua grande pedra sobre a entrada e o interior ainda por escavar, parcialmente coberto de vegetação. Deixa a construção a sul para o fim, pois é aí que a relação entre a entrada, a câmara e a coluna central se torna mais clara.

Não faz sentido estabelecer uma duração fixa para a visita. O conjunto é compacto, mas observar a técnica de construção das paredes, as entradas e os diferentes estados de conservação das 2 torres pode levar-te a ficar mais tempo. Se quiseres apenas dar uma vista de olhos às torres, precisarás de menos tempo do que para comparar as entradas e perceber como foi construída a câmara.

Horários de visita e acesso

Antes da visita, confirma os horários de abertura e as condições de entrada. Ses Talaies de Can Xim faz parte do percurso arqueológico, mas isso não significa que o acesso e as condições de visita se mantenham sempre iguais. Se vais deslocar-te até lá de propósito, vale especialmente a pena verificar as informações mais recentes.

Se planeias visitar o local sem guia, uma breve preparação ajuda-te a compreender melhor o que vais ver. Conhecer termos como talaiot, coluna central e corredor sinuoso permite ir além da ideia de uma simples torre de vigia. Por vezes, também há visitas guiadas no âmbito do percurso arqueológico ou de eventos regionais. Estas visitas podem ajudar a compreender as diferentes interpretações do local, mas não devem ser confundidas com a visita por conta própria.

Afluência e planeamento do dia

As fontes não permitem identificar horários em que o local seja habitualmente mais calmo ou mais movimentado. Se preferes evitar outros grupos, tem sobretudo em conta as visitas guiadas e os eventos anunciados. Para observares a arquitetura, convém haver luz suficiente: assim, é mais fácil distinguir as curvas dos acessos, as fiadas das paredes e a coluna central.

Can Xim é uma boa paragem num passeio dedicado à arqueologia. O percurso completo por Sencelles e Costitx tem 14 quilómetros de estradas e caminhos. Para percorrê-lo, são indicadas 2 horas e 45 minutos a pé ou 30 minutos de carro, sem contar com as paragens para visitar os locais. Se quiseres conhecer vários sítios arqueológicos, reserva também tempo para cada visita.

Como chegar e onde estacionar

Os trajetos de carro indicados terminam em Biniali, não junto às muralhas pré-históricas. Do aeroporto de Palma até Biniali são 31 quilómetros por estrada, numa viagem de cerca de 31 minutos pelas vias Ma-30, Ma-13 e Ma-3030. Do centro de Palma, a distância por estrada é de 28 quilómetros. Pelas vias Ma-13, Ma-3030 e Ma-3020, a viagem demora cerca de 35 minutos.

O último troço a partir de Biniali

Ses Talaies de Can Xim fica numa zona rural perto de Cascanar, no município de Sencelles. Para encontrares o caminho no último troço, procura especificamente o sítio arqueológico, e não apenas um destino chamado Can Xim: em Maiorca, há também alojamentos e propriedades com esse nome. As designações a procurar são Ses Talaies de Can Xim, Talaiots de Can Xim ou Talaiots de Cascanar.

Podes percorrer a rota arqueológica por Sencelles e Costitx de carro, a pé ou de bicicleta. Se fores de carro, tem em conta que pode ser difícil estacionar junto de alguns dos sítios arqueológicos do percurso. Não contes, por isso, com um grande parque de estacionamento destinado aos visitantes. No local, deixa os acessos e as áreas de propriedade privada desimpedidos.

Chegar de autocarro

Entre as paragens de autocarro nas imediações estão Camí de ses Ànimes, com o código 47011, e Camí d'Establiments, com o código 47017. Ainda assim, precisas de planear o último troço até ao sítio arqueológico. Antes de partires, confirma a linha em funcionamento, o sentido do autocarro e o percurso que terás de fazer a pé, já que o local fica fora de um centro urbano densamente edificado.

Se quiseres visitar várias paragens do percurso arqueológico, terás mais flexibilidade de carro ou de bicicleta. Parte do interesse da rota está em ligar sítios de diferentes épocas e funções, mas estes encontram-se espalhados pelos territórios de Sencelles e Costitx. Se vais visitar apenas Can Xim, podes planear o trajeto por Biniali e Cascanar.

Linhas de autocarro para Ses Talaies de Can Xim num relance

LinhaPercursoViagens/diaPrimeira viagemÚltima viagem
304Inca - Sencelles - Palma6206:2922:13

Com base nos dados oficiais dos horários GTFS (TIB/SFM), sem informação em tempo real. Os números agregam todas as paragens na localidade; as viagens aos fins de semana e feriados podem variar — confirma junto do operador antes de viajar.

Como chegar de autocarro

  • Camí de ses Ànimes (47011) · 1,7 km Em linha reta

    • 304Inca - Sencelles - Palma · Diariamente
  • Camí d'Establiments (47017) · 1,7 km Em linha reta

    • 304Inca - Sencelles - Palma · Diariamente
  • Sencelles 2 (47018) · 2,0 km Em linha reta

    • 304Inca - Sencelles - Palma · Diariamente
  • Sencelles 1 (47015) · 2,1 km Em linha reta

    • 304Inca - Sencelles - Palma · Diariamente

Dados de horários: dados GTFS oficiais (TIB/EMT), sem informações em tempo real — confirma os horários junto do operador antes de iniciares a viagem.

Nas proximidades

Biniali fica numa zona mais tranquila do interior da ilha, onde aldeias, campos e caminhos históricos se cruzam, longe das grandes estâncias de férias da costa. É um ponto de referência prático para chegares a Ses Talaies de Can Xim, embora o sítio arqueológico esteja sobretudo ligado a Cascanar e ao município de Sencelles.

O percurso arqueológico Sencelles–Costitx

Can Xim é a 6.ª paragem do percurso arqueológico por Sencelles e Costitx. O circuito reúne vestígios muito diferentes da pré-história: a gruta Camp del Bisbe, o Talaiot de Son Fred, o santuário Son Corró, o povoado Es Turassot, o Talaiot de Binifat e, por fim, Ses Talaies de Can Xim. Mais do que uma coleção de locais sem ligação entre si, o percurso permite conhecer espaços funerários, povoados, locais de culto e construções monumentais.

Em Can Xim, vale sobretudo a pena comparar os talaiots com os de Son Fred e Binifat. Estes têm planta circular, enquanto as 2 torres de Cascanar foram construídas com planta quadrada. Ao visitar várias paragens seguidas, torna-se mais fácil perceber que características são comuns à arquitetura talaiótica e o que torna Can Xim invulgar.

Cascanar e Sencelles

Para compreender as torres, a proximidade do povoado pré-histórico de Cascanar importa mais do que acrescentar outra paragem ao roteiro. Pensa-se que Can Xim foi criado por essa comunidade, possivelmente para rituais ou reuniões fora da zona habitacional. Hoje, a paisagem faz com que os vestígios pareçam isolados uns dos outros; no passado, é provável que fizessem parte do mesmo espaço habitado.

Sencelles é um bom ponto de partida ou de chegada para um percurso arqueológico. A história da região não se resume aí a 1 achado espetacular. A gruta, o santuário, o povoado e os vários talaiots mostram que o centro da ilha já era densamente ocupado e tinha uma organização social na pré-história.

A paisagem vinícola do centro da ilha

Ses Talaies de Can Xim situa-se também na área da denominação de origem Binissalem. Em ocasiões especiais, as visitas aos talaiots já foram acompanhadas por provas de vinhos da região. É, por isso, possível conjugar a arqueologia com a descoberta da paisagem vinícola, desde que organizes as visitas e as provas separadamente e com antecedência.

A combinação faz sentido: há vestígios que comprovam o consumo de cereais e leguminosas em Cas Canar no período talaiótico, embora ainda não se saiba ao certo como se praticava a agricultura nessa época. A paisagem agrícola atual conta uma história muito mais recente, mas continua a mostrar por que razão o fértil centro da ilha foi, durante tanto tempo, um importante lugar para viver.

A localidade correspondente

Biniali no retrato da localidade

O que deves saber antes da visita

Ses Talaies de Can Xim não é uma grande escavação totalmente preparada para receber visitantes. Há 2 monumentos compactos e estruturas anexas para descobrir, mas não encontrarás um povoado pré-histórico reconstruído, com filas de casas, muralha ou uma exposição extensa. Para tirares partido da visita, observa atentamente os vestígios e compara os 2 talaiots.

Olha para além do exterior dos monumentos

O grande lintel da entrada do talaiot norte, as orientações opostas das 2 entradas e a coluna central da construção sul são os pormenores essenciais. Se fotografares apenas as paredes exteriores, perderás a parte mais interessante da arquitetura. Os corredores sinuosos, em particular, mostram até que ponto os construtores controlavam a visibilidade, a luz e o acesso.

Ao mesmo tempo, é importante ter cuidado. As paredes antigas e as estruturas arqueológicas não são locais para trepar. No talaiot sul, observa a coluna central como parte do espaço interior histórico, sem te apoiares nela nem a usares como banco. Na construção norte, parcialmente coberta de vegetação, é especialmente importante não abrires caminho à força por entre as plantas ou as paredes.

Visita com crianças

Para as crianças, as 2 torres podem ser mais fáceis de compreender do que uma vasta área de ruínas difícil de interpretar: podem comparar diretamente 2 construções de tamanho quase igual, e o acesso em curva do talaiot sul ajuda-as a perceber como os seus construtores planearam a obra. Ainda assim, os adultos devem ter presente que se trata de uma estrutura arqueológica sem proteção e acompanhar as crianças de perto junto às paredes antigas e nas zonas de acesso.

Uma pequena tarefa de observação ajuda a compreender o lugar: onde se distinguem os cantos da planta quadrada? Que entrada está virada a oeste e qual está virada a sudeste? Em que torre se vê a coluna? Assim, uma paragem breve torna-se uma oportunidade para observar a construção, sem tocar no sítio arqueológico nem danificá-lo.

O que não deves esperar

A utilização das torres ainda não está totalmente esclarecida. Por isso, seria enganador apresentar Can Xim como uma fortaleza, um templo, um túmulo ou um posto de vigia. O que se conhece é a arquitetura monumental, a proximidade de Cascanar, a descoberta do esqueleto de uma mulher e a ausência de provas de que as torres fossem usadas como habitação. As possíveis funções cerimoniais, sociais, políticas e de vigilância continuam a ser interpretações fundamentadas.

Essa incerteza faz parte da visita. Os 2 talaiots oferecem pistas concretas suficientes para compreender como foram construídos e organizados no espaço, mas não para reconstituir tudo o que os seus construtores ali fizeram. Em vez de imaginares supostos rituais secretos, vale mais a pena observar com calma a disposição das pedras, os acessos, a coluna e a posição das torres.

Dicas de quem vive na ilha

  • Começa pelo espaço entre as 2 torres

    É no espaço de apenas cerca de 18 metros entre as torres que melhor se comparam as dimensões quase iguais dos 2 talaiots quadrados. Só depois se percebe bem que as entradas estão viradas para direções opostas.

  • Procura a verga da entrada

    No talaiot a norte, vale a pena reparar na imponente pedra horizontal sobre a entrada. A abertura tem cerca de 2 metros de altura; depois dela começa o corredor sinuoso da construção, que ainda não foi escavada.

  • Não deixes passar a coluna central

    O pormenor mais revelador está no talaiot a sul, já escavado: a coluna central mostra que a torre tinha um espaço interior planeado e coberto, e não apenas um núcleo maciço de pedra.

  • Compara as entradas

    A entrada a norte está virada para oeste e a entrada a sul para sudeste. Ambos os corredores são sinuosos. Ao compará-los, percebes como a vista, a entrada da luz e o acesso foram cuidadosamente pensados.

  • Inclui-o no percurso

    Can Xim é uma das paragens do percurso arqueológico Sencelles–Costitx. Vale especialmente a pena compará-lo com os talaiots redondos de Son Fred e Binifat, pois Can Xim tem 2 plantas quadradas, mais raras.

21°C Biniali
O que é Ses Talaies de Can Xim e porque vale a pena visitar?
Ses Talaies de Can Xim é um sítio arqueológico perto de Biniali, na zona de Cascanar. O seu núcleo é formado por 2 talaiots pré-históricos de planta quadrada, separados por apenas cerca de 18 metros. Um foi escavado e deixa ver a coluna central; o outro continua, em grande parte, por estudar e está parcialmente coberto de vegetação. A visita vale sobretudo pela possibilidade de os comparar: têm dimensões semelhantes, mas acessos sinuosos orientados em direções diferentes e estados de conservação bastante distintos. É uma oportunidade pouco comum para perceber, num espaço tão pequeno, como se construíam os talaiots.
De que época são os Talaiots de Can Xim?
A construção dos talaiots é atribuída à época talaiótica de Maiorca, entre 900 e 550 a. C.; para o sítio arqueológico está também registada uma fase pós-talaiótica. Nesse período, antigos povoados naviformes foram abandonados ou transformados, enquanto grandes construções semelhantes a torres passaram a marcar as novas comunidades. As 2 torres estão associadas ao povoado pré-histórico próximo de Cascanar. É provável que tenham sido construídas pelos seus habitantes, mas nem todas as partes do sítio foram escavadas. Por isso, só é possível reconstituir parte da sua evolução.
Para que foram construídos os 2 talaiots?
Não há uma resposta definitiva. Em Can Xim, uma função cerimonial ou ritual é considerada uma hipótese importante; admite-se também que ali se realizassem encontros comunitários com significado social ou político. Os talaiots podiam ainda servir para vigiar os terrenos e os rebanhos. Neste caso, a localização perto de Cascanar, mas fora do povoado principal, sugere um papel especial, possivelmente simbólico. A descoberta do esqueleto de uma mulher aponta para uma utilização funerária, enquanto os achados das escavações não confirmam que as torres fossem habitadas.
O que se pode observar no talaiot norte?
O talaiot norte tem planta quadrada, com lados de aproximadamente 11 metros, e as partes conservadas atingem cerca de 2,8 metros de altura. O elemento que mais se destaca é a entrada virada a oeste, encimada por uma grande pedra horizontal. A abertura tem cerca de 2 metros de altura e 1,1 metros de largura. Depois da entrada, o corredor segue em curva, em vez de ser reto. Este talaiot não foi escavado e está parcialmente coberto de vegetação. Por isso, é mais difícil perceber como é o seu interior do que o do vizinho a sul, mas há ainda muito por descobrir do ponto de vista arqueológico.
O que distingue o talaiot sul do talaiot norte?
O talaiot sul mede cerca de 10,8 metros de lado e conserva uma altura máxima de aproximadamente 2,8 metros, pelo que é quase tão grande como o talaiot norte. A entrada, porém, está virada para sudeste, em vez de oeste. O corredor também é sinuoso, impedindo que se veja diretamente o interior e limitando a entrada de luz. A principal diferença está no estado das escavações: no talaiot sul é possível distinguir a coluna central da câmara. Junto à torre sul existem ainda 2 recintos delimitados, que mostram que as construções desta parte do sítio arqueológico se estendiam para além da torre.
Quanto tempo deves reservar para visitar Ses Talaies de Can Xim?
Não há uma duração definida para a visita a este sítio arqueológico. O espaço, com as suas 2 torres muito próximas, é compacto, mas o tempo necessário depende da atenção que quiseres dedicar às entradas, às fiadas de pedra, à coluna central e aos recintos adjacentes. Se incluíres Can Xim no percurso arqueológico completo Sencelles–Costitx, reserva bastante mais tempo: o circuito tem 14 quilómetros e os tempos indicados apenas para a deslocação são de 2 horas e 45 minutos a pé ou 30 minutos de carro. A estes tempos tens de acrescentar as paragens em cada sítio arqueológico.
Quais são os horários de abertura e os preços dos bilhetes?
Antes da visita, confirma diretamente os horários e as condições de entrada, pois não há informações fixas fiáveis sobre estes pontos e as condições de acesso podem mudar. Não deves tomar as condições de eventos pontuais ou visitas guiadas como referência para uma visita normal ao sítio arqueológico. Ses Talaies de Can Xim faz parte do percurso arqueológico Sencelles–Costitx, mas convém confirmar as condições atuais mesmo que o recinto ao ar livre pareça ter acesso livre. Isto é especialmente importante se fizeres a viagem apenas para visitar este local ou se quiseres uma visita guiada.
Como chegar a partir de Palma ou do aeroporto?
Os percursos e tempos de viagem indicados levam-te até Biniali, não diretamente às muralhas pré-históricas. A distância por estrada desde o aeroporto de Palma é de 31 quilómetros. A viagem demora cerca de 31 minutos e segue pela Ma-30, pela Ma-13 e pela Ma-3030. Desde o centro de Palma, são 28 quilómetros por estrada; pela Ma-13, pela Ma-3030 e pela Ma-3020, a viagem demora cerca de 35 minutos. Para o troço final, procura especificamente Ses Talaies de Can Xim, Talaiots de Can Xim ou Talaiots de Cascanar no navegador. Se procurares apenas «Can Xim», podes acabar em alojamentos ou propriedades com o mesmo nome noutros pontos de Maiorca.
É possível chegar a Ses Talaies de Can Xim de autocarro?
Nas proximidades, há registo das paragens Camí de ses Ànimes, com o código 47011, e Camí d'Establiments, com o código 47017. Antes de partires, confirma a linha em funcionamento, o sentido da viagem e o caminho desde a paragem até ao sítio arqueológico. Os talaiots ficam na zona rural de Cascanar, longe de um grande nó de transportes. Se quiseres visitar vários locais do percurso arqueológico, terás mais flexibilidade de carro ou de bicicleta. Se fores de carro, não contes com um grande parque de estacionamento para visitantes e deixa livres os acessos e as áreas de propriedades privadas.
Vale a pena visitar o sítio arqueológico com crianças?
As crianças conseguem compreender facilmente as 2 torres, pois estão muito próximas e podem compará-las diretamente. Os cantos das construções quadradas, as entradas viradas para direções diferentes e a coluna do talaiot sul são pormenores que podem procurar. Trata-se, porém, de construções antigas em pedra, não preparadas para brincar. Por isso, acompanha as crianças de perto junto às entradas e às estruturas de pedra e evita que subam às paredes ou à coluna. Se lhes explicares antes que os construtores planearam os corredores sinuosos de propósito, a paragem torna-se uma introdução fácil de entender à arquitetura pré-histórica.
Que outros locais podes visitar perto de Ses Talaies de Can Xim?
O mais prático é juntar a visita a outras paragens do percurso arqueológico Sencelles–Costitx. Entre elas estão a gruta Camp del Bisbe, o Talaiot de Son Fred, o santuário Son Corró, o povoado Es Turassot e o Talaiot de Binifat. É especialmente interessante comparar Can Xim com Son Fred e Binifat, cujos talaiots são redondos, e não quadrados. Sencelles e Biniali também são bons pontos de referência para um passeio pelo centro da ilha. Can Xim fica ainda na área da denominação de origem Binissalem, pelo que, se planeares com antecedência, podes combinar o passeio arqueológico com uma visita à região vinícola.