Remuneração da energia injetada na rede em Espanha: compensação de excedentes, apoios e rentabilidade
Quem procura informações sobre a remuneração da energia injetada na rede em Espanha procura, na maioria dos casos, algo que já não existe nestes moldes há anos: um valor fixo, garantido pelo Estado, por cada quilowatt-hora injetado na rede, como acontece na Alemanha ao abrigo da EEG. Espanha suspendeu os apoios a novas instalações já no início de 2012 e recorre, em vez disso, à chamada compensação de excedentes — um mecanismo que desconta os excedentes de eletricidade na tua própria fatura. Ao mesmo tempo, em 2026 existem nas Baleares apoios para sistemas fotovoltaicos e baterias de armazenamento particularmente atrativos. Neste guia, vais perceber como funciona juridicamente o sistema espanhol, que programas de apoio estão atualmente em vigor, com que prazos deves contar e qual é, na prática, a rentabilidade de uma instalação com bateria em Maiorca.

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Porque é que a «remuneração da energia injetada na rede» é um equívoco em Espanha
O conceito de remuneração da energia injetada na rede tem origem no sistema alemão EEG: nesse país, os proprietários de novas instalações fotovoltaicas recebem, durante 20 anos civis completos, uma tarifa fixa por cada quilowatt-hora injetado na rede, escalonada consoante a potência e o tipo de injeção. De acordo com a Agência Federal de Redes alemã, a tarifa atual para a injeção parcial de instalações até 10 kWp é de cerca de 7,78 ct/kWh; para a injeção total de instalações até 10 kWp, é de cerca de 12,34 ct/kWh. Estes valores sofrem uma redução semestral de aproximadamente um por cento.
Espanha teve um sistema semelhante, mas isso já faz parte do passado. Quem instala hoje um sistema em Espanha deixa de receber uma tarifa fixa comparável. Em vez disso, aplica-se um mecanismo de compensação dos excedentes de eletricidade, cujo valor é definido individualmente pelo fornecedor de energia e, regra geral, acompanha o preço de mercado. Esta é a diferença fundamental que muitos proprietários alemães em Maiorca avaliam inicialmente de forma incorreta quando passam para o sistema espanhol.
Nota: Atualmente, não existe em Espanha uma tarifa fixa nacional por kWh, como na Alemanha. Em 2026, o verdadeiro apoio financeiro é concedido através de subsídios diretos ao investimento em módulos fotovoltaicos e baterias de armazenamento, e não através de uma remuneração contínua pela energia injetada na rede.
A base legal: Real Decreto 244/2019 e a compensação de excedentes
O atual regime espanhol de compensação dos excedentes de eletricidade está previsto no Real Decreto 244/2019. O objetivo deste decreto é promover o autoconsumo de energia solar e, ao mesmo tempo, criar uma forma simples de injetar na rede pública a eletricidade que não é consumida pelo próprio produtor. Ao contrário do que sucede com a EEG alemã, não se trata de um valor por kWh fixado por lei, mas sim de um mecanismo de compensação acordado contratualmente com o respetivo fornecedor de eletricidade (injeção de excedentes).
Na prática, isto significa que a eletricidade excedentária produzida pelo teu sistema e que não utilizas é compensada pelo teu fornecedor de energia com o teu consumo de eletricidade. O valor exato do crédito depende da tarifa e do fornecedor escolhidos e, regra geral, é descontado mensalmente na fatura de eletricidade, em vez de ser pago separadamente.
| Característica | Alemanha (EEG) | Espanha (RD 244/2019) |
|---|---|---|
| Tipo de remuneração | Tarifa fixa por kWh, definida por lei | Compensação na fatura de eletricidade, consoante o fornecedor |
| Período de garantia | Garantido durante 20 anos | Não existe um período fixo previsto na lei |
| Apoio a novas instalações | Contínuo, com redução semestral | Suspenso desde o início de 2012 |
| Base jurídica | EEG 2023, § 48, n.º 2 | Real Decreto 244/2019 |
| Principal foco dos apoios em 2026 | Remuneração contínua pela energia injetada na rede | Subsídios únicos ao investimento (FOTOPAR2026, entre outros) |
Histórico: porque é que Espanha aboliu a tarifa bonificada clássica
Espanha teve, de facto, um sistema de apoios ambicioso — em alguns aspetos, até mais generoso do que o alemão. O Real Decreto 661/2007 previa, para instalações fotovoltaicas com menos de 100 kW, uma remuneração de cerca de 44 cêntimos por quilowatt-hora durante 25 anos e, depois, 80% desse valor durante o restante período de vigência. As instalações maiores, até 10 megawatts, recebiam cerca de 42 cêntimos/kWh. O Real Decreto 1578/2008 distinguiu pela primeira vez as instalações em cobertura das instalações no solo e introduziu um sistema de pré-registo (Registo de Pré-Atribuição de Remuneração), com tarifas iniciais de 34 cêntimos para instalações em cobertura inferiores a 20 kWp e de 32 cêntimos para instalações em cobertura de maior dimensão e instalações no solo.
Estas tarifas de remuneração elevadas provocaram um boom — e um aumento dos custos para o Estado espanhol. Como consequência, os apoios a novos projetos foram suspensos logo no início de 2012. Além disso, foram eliminadas as atualizações pela inflação das instalações já em funcionamento e introduzido um imposto adicional de 7% por quilowatt-hora, independentemente da fonte de energia. Propostas de reforma posteriores previam que, em vez de uma tarifa fixa, os operadores recebessem um complemento ao preço da eletricidade no mercado, acrescido de um subsídio ao investimento, calculado com base numa «rentabilidade razoável», que deveria situar-se três pontos percentuais acima da rendibilidade das obrigações do Estado espanhol a dez anos — na altura, cerca de 7,5% no total. Para pequenas instalações privadas em imóveis habitacionais, este modelo já não tem hoje relevância prática — neste caso, conta quase exclusivamente a compensação de excedentes ao abrigo do RD 244/2019, em combinação com subsídios ao investimento.
| Decreto | Ano | Regra principal |
|---|---|---|
| RD 436/2004 | 2004 | Primeiro sistema espanhol de remuneração da eletricidade solar |
| RD 661/2007 | 2007 | Cerca de 44 cêntimos/kWh para instalações < 100 kW, durante 25 anos |
| RD 1578/2008 | 2008 | Diferenciação entre instalações em cobertura e no solo, pré-registo |
| Suspensão de novas instalações | desde 2012 | Deixaram de ser concedidos apoios a novos projetos |
| RD 244/2019 | 2019 | Autoconsumo & Compensação de Excedentes (atualmente em vigor) |
Programa de apoio FOTOPAR2026 para particulares nas Baleares
Embora já não exista uma tarifa de injeção na rede em vigor, as Baleares apoiam, em 2026, a instalação de sistemas fotovoltaicos e de baterias de armazenamento através de subsídios diretos ao investimento. O programa FOTOPAR2026 é financiado pelo programa FEDER 2021–2027 e destina-se a pessoas singulares com residência nas Baleares, bem como a trabalhadores independentes (Autónomos) inscritos no registo de empresários.
O orçamento, limitado a 2 milhões de euros, é atribuído por ordem de entrada dos pedidos — sem procedimento concorrencial, simplesmente pela data de apresentação, até se esgotarem os fundos.
| Conceito | Taxa de apoio | Limite máximo |
|---|---|---|
| Fotovoltaico (particular) | 600 €/kWp | até 5 kWp |
| Fotovoltaico (coletivo) | 710 €/kWp | até 5 kWp |
| Sistema de armazenamento em bateria | 420 €/kWh | até 30 kWh (máx. 12.600 €) |
Atenção: O período de candidatura ao FOTOPAR2026 decorreu de 26 de janeiro a 30 de abril de 2026. O apoio a sistemas de armazenamento em bateria só é concedido se, em simultâneo, for instalada uma nova instalação fotovoltaica com pelo menos 1 kWp. O apoio չի pode, em caso algum, exceder os custos efetivos da medida.
Requisitos técnicos importantes para a candidatura:
- É obrigatório um sistema de monitorização que permita visualizar a produção e o consumo através de uma aplicação móvel.
- Nas moradias isoladas, é necessário comprovar a legalidade do imóvel, por exemplo através de um certificado de habitabilidade, de uma licença de construção ou de um certificado de conclusão da obra.
- Deve ser afixada de forma visível no imóvel uma placa oficial A3 ou um autocolante equivalente.
Novo apoio para comunidades de proprietários (julho de 2026)
Segundo notícias publicadas na imprensa, desde 10 de julho de 2026 está em vigor um programa de apoio autónomo do Governo das Baleares destinado a edifícios multifamiliares. Destina-se especificamente a comunidades de proprietários que pretendam utilizar telhados ou espaços exteriores comuns para instalar painéis solares, reduzindo assim os custos correntes de eletricidade das zonas comuns, por exemplo com elevadores, iluminação dos corredores ou bombas de piscina. Como, até ao momento, existe apenas uma fonte não oficial sobre este programa, deves confirmar diretamente junto da entidade competente das Baleares as condições exatas antes de ներկայացer a candidatura.
| Medida | Percentagem de apoio (segundo notícias publicadas) |
|---|---|
| Instalação fotovoltaica (comunitária) | até 70 % dos custos totais |
| Armazenamento em bateria (comunitário) | até 45 % dos custos |
Também neste caso, o orçamento é limitado e os apoios são atribuídos por ordem de candidatura. Além disso, segundo as informações disponíveis, o programa exige um calendário rigoroso para a execução das obras e a comprovação de que a instalação foi concluída, para não perderes posteriormente o direito ao apoio. Se fores proprietário numa comunidade, convém abordares este tema atempadamente na assembleia de proprietários — encontras mais informações sobre deliberações e maiorias de votação no guia sobre a comunidade de proprietários em Espanha.
Nota: Regra geral, as decisões relativas à instalação de sistemas fotovoltaicos comunitários têm de ser formalmente aprovadas em assembleia de proprietários antes de ser apresentado um pedido de apoio. Prevê tempo suficiente para este processo e consulta as condições oficiais de apoio em vigor diretamente junto da administração balear antes de tomares qualquer decisão.
Armazenamento em bateria: apoios nacionais e regionais
Em 2026, o armazenamento em bateria é apoiado a dois níveis: a nível regional, através do FOTOPAR2026 e do programa Comunidad (que, segundo as informações disponíveis, existe) nas Baleares, e a nível nacional, através de um importante programa de armazenamento do Estado espanhol. Este programa nacional, dotado de 700 milhões de euros, pretende aumentar a capacidade de armazenamento em baterias em Espanha entre 2,5 e 3,5 gigawatts, com um volume energético total superior a 9 GWh. Apoia mais de 100 projetos e cobre até 85 % dos custos do projeto — sobretudo à escala comercial e de apoio à rede, e não para habitações individuais.
O programa é uma resposta direta aos recentes cortes de eletricidade e visa reforçar a estabilidade da rede. Com esta medida, Espanha pretende alcançar cerca de 22,5 GW de capacidade de armazenamento de energia até 2030 e acelerar a integração das energias renováveis.
| Programa | Nível | Montante do apoio | Foco |
|---|---|---|---|
| FOTOPAR2026 | Baleares, particular | até 420 €/kWh, máx. 12.600 € | Edifícios habitacionais, trabalhadores por conta própria |
| Apoio às comunidades em julho de 2026 (não confirmado) | Baleares, comunidades de proprietários | até 45% dos custos | Edifícios multifamiliares |
| Programa nacional de armazenamento | Toda a Espanha | até 85% dos custos do projeto | Mais de 100 projetos de maior dimensão |
Para uso particular em Maiorca, o programa regional FOTOPAR2026 é, comprovadamente, o mais relevante; convém confirmares antecipadamente junto do Govern de les Illes Balears o apoio destinado a comunidades de proprietários. Se quiseres construir ou renovar de forma ecológica, encontras informações complementares no guia Viver de Forma Ecológica em Maiorca.
Rentabilidade: o que rende realmente uma instalação fotovoltaica com bateria?
Espanha, e em particular as Baleares, oferece excelentes condições para a energia fotovoltaica: cerca de 3.000 horas de sol por ano e um dos níveis de radiação solar mais elevados da Europa. Segundo a literatura especializada, um mesmo painel solar produz em Espanha até cerca de 1.550 kWh/ano, em comparação com cerca de 1.000 kWh/ano em boas localizações do sul da Alemanha — uma vantagem de produção de aproximadamente 50%.

Como não existe uma remuneração contínua pela injeção de eletricidade na rede, a rentabilidade de uma instalação em Maiorca resulta sobretudo de três fatores:
- Custos de eletricidade poupados através do autoconsumo (o fator economicamente mais importante)
- A compensação da eletricidade excedentária através da compensação dos excedentes
- Os subsídios únicos ao investimento do FOTOPAR2026 ou do programa Comunidad, que reduzem diretamente o investimento inicial
Uma bateria de armazenamento aumenta ainda mais a percentagem de autoconsumo, pois permite utilizar à noite a energia solar produzida durante o dia — um fator particularmente relevante em Maiorca, onde as necessidades de refrigeração são elevadas no verão.
Requisitos e processo de candidatura
Regra geral, o processo para instalar um sistema fotovoltaico com bateria e beneficiar de apoio decorre nas seguintes etapas:
- Avaliação das necessidades: determinar o consumo de eletricidade, a área disponível no telhado e, se aplicável, a utilização partilhada.
- Comprovativo de legalidade: verificar ou obter o certificado de habitabilidade, a licença de construção ou o certificado de conclusão de obra.
- Pedido de orçamento: contratar um instalador com experiência no sistema de apoios das Baleares, incluindo um sistema de monitorização.
- Apresentação da candidatura: respeitar os prazos do programa em causa — o orçamento é limitado e os apoios são atribuídos pela ordem de entrada das candidaturas.
- Instalação e comprovação: documentar a conclusão dentro do prazo e afixar a placa de identificação oficial.
- Contrato com o fornecedor de energia: acordar contratualmente a compensação de excedentes, para que a eletricidade excedentária possa ser compensada.
Nota: No caso de apartamentos e edifícios multifamiliares, regra geral, é necessário obter uma deliberação formal da comunidade de proprietários antes de apresentar a candidatura. Trata deste assunto atempadamente, pois as reuniões exigem frequentemente várias semanas de antecedência.
Erros mais frequentes
Muitos proprietários confundem inicialmente o princípio alemão EEG com o sistema espanhol e contam com uma remuneração contínua pela injeção de eletricidade na rede, que não existe em Espanha nestes moldes — o que conduz a expectativas de rentabilidade incorretas. Outro erro frequente é adiar a apresentação da candidatura: como o FOTOPAR2026 é atribuído estritamente pela ordem de entrada, os fundos disponíveis esgotam-se muitas vezes antes do fim do prazo oficial. A falta de um comprovativo de legalidade em moradias isoladas — por exemplo, a ausência de certificado de habitabilidade — também leva regularmente à rejeição das candidaturas. Por fim, nas instalações coletivas, é comum subestimar o tempo necessário para obter a deliberação formal em assembleia.
O que acontece depois?
Após a instalação e entrada em funcionamento, é necessário acordar contratualmente a compensação de excedentes com o fornecedor de energia e, consoante o programa, apresentar os comprovativos à entidade responsável pelos apoios dentro dos prazos definidos. Depois disso, regra geral, a instalação funciona sem outras obrigações de candidatura; a remuneração contínua pela eletricidade excedentária é processada automaticamente na fatura mensal de eletricidade. Se planeias arrendar o imóvel mais tarde, convém verificar se o sistema fotovoltaico e a bateria podem ter um impacto positivo na repartição das despesas e, assim, tornar o imóvel mais atrativo para os inquilinos — encontras informações relevantes no guia Arrendar em Maiorca.
Lista de verificação para proprietários em Maiorca
- Verificou o consumo de eletricidade e a área do telhado ou as zonas comuns
- Dispõe de comprovativo de legalidade (licença de habitabilidade, licença de construção)
- Identificou o programa de apoio adequado (FOTOPAR2026 ou programa para comunidades de proprietários)
- Pediu um orçamento que inclua um sistema de monitorização
- Verificou os prazos de candidatura e a dotação disponível de cada programa
- No caso de instalações comunitárias: obteve a deliberação da assembleia
- Preparou o contrato de compensação de excedentes com o fornecedor de energia
- Incluiu a placa de identificação oficial no planeamento
Conclusão
A tarifa de injeção na rede, tal como é entendida na Alemanha, já não existe em Espanha: desde 2012, não há novos apoios com um valor fixo em cêntimos por quilowatt-hora. Foi substituída pela compensação de excedentes, ao abrigo do Real Decreto 244/2019, complementada por subsídios ao investimento atrativos, mas limitados no tempo e no orçamento, como o FOTOPAR2026 e — segundo notícias publicadas na imprensa — um novo programa de apoio destinado a comunidades de proprietários, cujas condições devem ser oficialmente confirmadas antes da apresentação da candidatura. Quem pretenda investir em 2026 em sistemas fotovoltaicos e baterias de armazenamento em Maiorca beneficiará sobretudo do autoconsumo, das muitas horas de sol e dos apoios atualmente disponíveis — mas deverá agir depressa, pois os fundos são atribuídos por ordem de candidatura.
Fontes oficiais
- Real Decreto 244/2019 (autoconsumo e compensação de excedentes) – Boletín Oficial del Estado: https://www.boe.es
- Govern de les Illes Balears – programa de apoio FOTOPAR2026 (FEDER 2021-2027): https://www.caib.es
- Agência Federal das Redes – taxas de apoio da tarifa de injeção alemã (EEG 2023, § 48, n.º 2), para comparação dos sistemas: https://www.bundesnetzagentur.de
- Energy-Storage.News – Programa nacional espanhol de apoio ao armazenamento em baterias: https://www.energy-storage.news