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Contabilidade para Autónomos em Espanha: obrigações, prazos e software em 2026

Quem trabalha por conta própria em Espanha como Autónomo não troca a burocracia alemã pela liberdade — troca-a por outro ritmo: quatro trimestres, quatro prazos, dois impostos e um calendário obrigatório. A boa notícia é que, para a maioria dos trabalhadores independentes, as obrigações contabilísticas são fáceis de gerir. Desde que fatures menos de 600.000 euros por ano, basta uma contabilidade simplificada de receitas e despesas — sem plano de contas espanhol nem balanço. Neste guia, vais saber que Modelos tens de apresentar e quando, como funciona o regime de estimativa direta, que despesas podes deduzir, que opções de software existem e quais são os erros mais frequentes — com valores, prazos e contactos concretos.

Contabilidade para autónomos em Espanha em 2026 | Obrigações e prazos

Já sabes se registaste corretamente as tuas despesas e se estás a aproveitar todos os benefícios fiscais?


O que um Autónomo tem realmente de fazer em termos contabilísticos

A legislação fiscal espanhola distingue claramente as sociedades comerciais (por exemplo, uma Sociedad Limitada) das pessoas singulares que exercem atividade em nome próprio. Enquanto Autónomo, és uma pessoa singular — o que simplifica muita coisa. Desde que o teu volume de negócios anual seja inferior a 600.000 euros, não tens de manter uma contabilidade financeira completa de acordo com o Plano Geral de Contabilidade (PGC) espanhol, nem elaborar balanços. Em vez disso, basta apurar o lucro de forma simplificada: receitas menos despesas dedutíveis.

No entanto, tens de documentar integralmente o seguinte:

  • Todas as faturas emitidas (Facturas emitidas) — com numeração sequencial, data, NIF do destinatário, montante e taxa de IVA
  • Todas as faturas recebidas (Facturas recibidas) — apenas despesas empresariais sujeitas a tributação
  • Registo de IVA (Libro de IVA) das operações de compra e venda
  • Registo de retenções de IRPF (Libro de retenciones), caso emitas faturas com retenção de IRPF

Estes registos servem de base a todas as declarações trimestrais e anuais. Sem eles, arriscas-te a coimas avultadas numa inspeção da Agência Tributária.


Os dois impostos que te dizem respeito enquanto autónomo

Enquanto autónomo, terás essencialmente de lidar com dois impostos: o imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRPF) e o imposto sobre o valor acrescentado (IVA). Acresce a obrigação mensal de contribuir para a Segurança Social, mas não se trata de uma declaração fiscal.

Imposto Designação em espanhol Aplicável a
Imposto sobre o rendimento IRPF – Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares Todos os autónomos
Imposto sobre o valor acrescentado IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado A maioria das atividades (exceções: por exemplo, determinadas profissões de saúde e a educação)
Segurança Social Contribuição para o RETA Contribuição obrigatória, sem formulário junto das Finanças

Para algumas atividades – যেমন o arrendamento, os rendimentos de capital ou os rendimentos obtidos no estrangeiro – acrescem outras obrigações declarativas. Quem desenvolve atividade a nível internacional deve também estar atento ao Modelo 720.


Estimación Directa Simplificada: o regime mais comum para a maioria

O método de apuramento de lucros mais utilizado pelos autónomos é, de longe, a Estimación Directa Simplificada (regime simplificado de estimativa direta). Aplica-se automaticamente a quem fatura menos de 600 000 euros por ano e não optou expressamente por outro método.

O princípio é simples: somas todas as receitas do trimestre, deduzes as despesas profissionais dedutíveis e obténs o lucro provisório. Sobre esse montante, pagas 20% por conta de IRPF – esta percentagem está fixada por lei e não pode ser ajustada individualmente.

Em alternativa, existem:

  • Estimación Directa Normal – obrigatória a partir de 600 000 euros de volume de negócios anual; exige contabilidade completa de acordo com o PGC
  • Estimación Objetiva (Módulos) – cálculo fixo com base em fatores objetivos (número de trabalhadores, metros quadrados, etc.); só é permitida para determinadas atividades e tem vindo a ser cada vez mais restringida

Para a grande maioria dos trabalhadores independentes de língua alemã em Maiorca – freelancers, consultores, artesãos e designers –, a Estimación Directa Simplificada é a opção mais adequada e simples.


O calendário trimestral: prazos, modelos e consequências

O ritmo trimestral é o elemento central das obrigações contabilísticas de um autónomo. Há dois formulários principais: o Modelo 130, para o pagamento por conta de IRPF, e o Modelo 303, para a declaração de IVA. Ambos são entregues relativamente ao mesmo trimestre – sempre até ao dia 20 do mês seguinte ao trimestre (ou até ao dia 15, em caso de débito direto).

Calendário trimestral do autónomo: prazos de entrega dos modelos 130 e 303 — do 1.º ao 4.º trimestre
Trimestre Período Prazo de entrega (geral) Prazo com débito direto
Q1 Janeiro – Março 20 de abril 15 de abril
2.º trimestre Abril – Junho 20 de julho 15 de julho
3.º trimestre Julho – Setembro 20 de outubro 15 de outubro
4.º trimestre Outubro – Dezembro 30 de janeiro (ano seguinte) 25 de janeiro

Atenção: Se o dia 20 calhar num fim de semana ou feriado, o prazo passa para o dia útil seguinte. Ainda assim, convém deixar uma margem de vários dias: os problemas técnicos na plataforma da AEAT não são exceção.

A entrega tardia do Modelo 130 ou 303 dá automaticamente origem a uma sobretaxa. Quem não entregar a declaração arrisca-se a que a Autoridade Tributária faça uma estimativa completa e aplique coimas consideravelmente mais elevadas.


Modelo 130: pagamento por conta de IRPF, passo a passo

O Modelo 130 é o documento principal para o pagamento trimestral por conta do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRPF). É preenchido de forma cumulativa: no segundo trimestre, não indicas apenas os valores de abril a junho, mas sim todas as receitas e despesas de janeiro a junho — descontando o que já pagaste no primeiro trimestre.

Como proceder:

  1. Soma todas as receitas do ano até ao momento (valores líquidos, sem IVA)
  2. Soma todas as despesas profissionais dedutíveis do ano até ao momento (valores líquidos, sem IVA)
  3. Calcula a diferença = lucro provisório acumulado até à data
  4. Calcula 20 % desse valor = imposto de IRPF acumulado a pagar
  5. Subtrai os montantes já pagos nos trimestres anteriores
  6. Resultado = pagamento atual (pode também ser zero, se os pagamentos dos trimestres anteriores tiverem sido superiores ao devido)
  7. Além ამისა, deduz as retenções de IRPF aplicadas nas faturas, caso existam

Os pagamentos por conta efetuados são regularizados no final do ano com a declaração definitiva de imposto sobre o rendimento (Modelo 100). Se tiveres pago em excesso, recebes um reembolso; se tiveres pago a menos, tens de pagar a diferença.


Modelo 303: declaração de IVA e o que muitos subestimam

O Modelo 303 é a declaração trimestral de IVA. O princípio é simples: ao IVA que cobraste nas tuas faturas (IVA liquidado), subtrais o IVA que pagaste nas despesas profissionais (IVA suportado). O saldo é pago à Autoridade Tributária — ou devolvido.

Taxa de IVA Casos de aplicação mais comuns
21 % Taxa normal — aplica-se à maioria dos serviços e bens
10 % Determinados alimentos, restauração e alojamento
4 % Bens alimentares essenciais, livros e determinados medicamentos
0 % Transmissões intracomunitárias (B2B na UE), sob determinadas condições

Se prestares serviços exclusivamente a clientes particulares fora da UE ou exercerdes atividades isentas de IVA, ainda assim tens de apresentar o Modelo 303 — nesse caso, uma declaração a zeros.

Importante para quem trabalha frequentemente com clientes empresariais da UE: assim que prestares serviços intracomunitários, tens também de entregar a declaração recapitulativa (Modelo 349). Esta também é entregue trimestralmente.


Despesas que podes deduzir որպես despesas empresariais

É aqui que muitas vezes há margem por aproveitar — e, ao mesmo tempo, um risco de registar despesas incorretamente. A regra geral é simples: uma despesa é dedutível se for necessária para a atividade e comprovável. Em caso de dúvida, a Hacienda pode exigir comprovativos.

Categoria de despesa Dedutibilidade Notas
Material de escritório, software e hardware Na totalidade Utilização mista: proporcionalmente
Despesas de deslocação (profissionais) Parcialmente / na totalidade É აუცილária uma finalidade profissional claramente documentada
Despesas de telefone Proporcionalmente (50% é habitual em caso de utilização mista) Recomenda-se comprovar cada despesa
Quota RETA (Segurança Social) Na totalidade Dedução direta como despesa profissional
Honorários de gestoría / consultor fiscal Na totalidade Também com efeitos retroativos para o ano de constituição
Despesas de representação Dedutível de forma limitada É necessário comprovar a relação com a atividade
Trabalho a partir de casa (parte proporcional da renda/eletricidade) Parcialmente – complexo Condição: a habitação deve estar registada como local de trabalho
Formação contínua, bibliografia especializada Na totalidade A relação com o setor de atividade deve ser comprovável

A cuota RETA — ou seja, a tua contribuição mensal para a Segurança Social — é uma das poucas despesas que podes deduzir integralmente sem qualquer discussão. No primeiro ano, com a Tarifa Plana, a cuota é de 88,64 euros por mês; a partir do segundo ano, sobe para valores entre cerca de 200 e 607 euros mensais, consoante o lucro líquido efetivamente obtido.


Declaração anual de impostos: Modelo 100 até 30 de junho

Os pagamentos antecipados trimestrais são apenas adiantamentos. O apuramento final é feito através do Modelo 100, a declaração anual de imposto sobre o rendimento (Declaración de la Renta). Esta declaração inclui todos os rendimentos do ano anterior — não apenas os provenientes da atividade independente, mas também rendas, rendimentos de capitais, pensões e outras fontes.

Dados importantes:

  • Prazo de entrega: Normalmente, de abril a 30 de junho do ano seguinte
  • Entrega: Online, através do portal da Agencia Tributaria (com Certificado Digital ou Cl@ve PIN)
  • Compensação: São considerados todos os pagamentos efetuados através do Modelo 130, bem como as retenções na fonte aplicadas
  • Resultado: Pagamento adicional (a ingresar) ou reembolso (a devolver)

A taxa efetiva de IRPF é progressiva e depende do rendimento total — por isso, os 20% pagos a uma taxa fixa podem ter sido excessivos ou insuficientes. Quem beneficia da Beckham Law está sujeito a um regime de tributação diferente e entrega o Modelo 151 em vez do Modelo 100.


Software e ferramentas: o que os Autónomos usam em Espanha

Uma organização documental bem estruturada e uma ferramenta simples de contabilidade poupam-te, a ti e ao teu gabinete de contabilidade, muito trabalho — e, consequentemente, dinheiro. Como Autónomo no regime de estimativa direta simplificada, não precisas de um software de contabilidade completo, equivalente aos padrões alemães.

Ferramenta / serviço Destina-se a Particularidade
Xolo Spain Autónomos com clientes internacionais Tudo numa só plataforma: faturação, declarações fiscais e conformidade
Holded PME e Autónomos em Espanha Faturação, contabilidade e CRM em espanhol
Quipu Autónomos e pequenas empresas Criação automática de formulários (Mod. 130, 303)
Contasimple Iniciantes / atividades simples Económico, orientado para as obrigações fiscais em Espanha
Excel / Google Sheets Atividades muito simples Só faz sentido se houver poucas transações; a gestoría verifica tudo manualmente

Nota: A obrigação de faturação eletrónica foi redefinida pelo Decreto Real 238/2026, de 25 de março de 2026. Os autónomos que emitem faturas B2B terão, num futuro próximo, de cumprir requisitos obrigatórios de faturação eletrónica. Mantém o teu software atualizado nesta matéria ou pergunta à tua gestoría qual é o estado atual da implementação.

Se ainda não tens uma conta bancária espanhola, deves tratar disso antes do primeiro pagamento trimestral — abrir uma conta bancária em Espanha costuma ser simples, mas é importante fazê-lo atempadamente.


Gestoría ou tratar de tudo sozinho? Uma avaliação honesta

Do ponto de vista técnico, podes apresentar todos os modelos pessoalmente, desde que tenhas um certificado digital e estejas familiarizado com a plataforma da AEAT. Na prática, a maioria dos autónomos recorre a uma gestoría, até იმიტომ porque os respetivos custos são fiscalmente dedutíveis.

Cenário Vale a pena tratar pessoalmente? Gestoría recomendada?
Trabalhador independente, 1-2 clientes, atividade homogénea Sim, com um bom software Opcional
Fontes de rendimento mistas (arrendamento + atividade independente) Exigente Sim
Faturas internacionais / clientes da UE Complexo (Mod. 349) Sim
Trabalhadores ou subcontratados Muito complexo Imprescindível
Início da atividade como trabalhador independente em Espanha Curva de aprendizagem acentuada Recomendado

Os custos habituais de uma gestoría pela contabilidade corrente de um Autónomo com uma atividade simples rondam os 50 a 100 euros por mês. A declaração anual de impostos acresce a este valor e é muitas vezes cobrada à parte. Os casos muito complexos têm, naturalmente, custos mais elevados.


Erros mais frequentes na contabilidade de um Autónomo

Estes erros surgem regularmente nas gestorías e junto dos consultores fiscais — e todos podem ser evitados:

No regime de estimativa direta simplificada, pagas trimestralmente 20% do lucro como pagamento por conta do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRPF), através do Modelo 130. O imposto final, calculado de forma progressiva, só é apurado com o Modelo 100.
  1. Despesas pessoais registadas como despesas da atividade — um risco clássico numa inspeção. A Autoridade Tributária pode pedir qualquer comprovativo.
  2. IVA esquecido em faturas emitidas a clientes particulares — mesmo que não indiques o IVA, tens de o calcular a partir da receita e entregá-lo ao Estado.
  3. Modelo 130 não entregue por o lucro ter sido zero — mesmo as declarações a zero são obrigatórias; a falta de entrega dá origem a coimas automáticas.
  4. Contribuição para o RETA não registada como despesa da atividade — estás a desperdiçar um montante integralmente dedutível.
  5. Lançamentos na passagem de ano trocados — as prestações de serviços e os pagamentos têm de ser imputados ao ano fiscal correto.
  6. Sem arquivo de comprovativos — em Espanha, as faturas têm de ser conservadas durante, pelo menos, quatro anos; podem ser guardadas em formato digital, desde que se garanta a fidelidade ao original.
  7. Custos de escritório em casa sem a comunicação correta — se quiseres deduzir uma parte da renda, tens de ter registado a morada da habitação na Autoridade Tributária como local da atividade.

O que se segue? Visão geral das declarações anuais

Além das declarações trimestrais, existem outras obrigações anuais que surpreendem muitas pessoas:

Declaração Formulário Prazo (aproximado) Conteúdo
Declaração anual de imposto sobre o rendimento Modelo 100 Abril–30 de junho Rendimentos totais do ano anterior
Declaração anual de IVA Modelo 390 30 de janeiro Resumo de todas as declarações trimestrais de IVA
Lista de clientes a partir de 3.005,06 € Modelo 347 Fevereiro Clientes/fornecedores acima deste limite
Património no estrangeiro Modelo 720 31 de março Se o património no estrangeiro ultrapassar os 50.000 €
Operações intracomunitárias Modelo 349 Trimestralmente (mensalmente, se aplicável) Operações B2B com países da UE

O Modelo 347 é muitas vezes esquecido: se tiveres tido transações anuais superiores a 3.005,06 euros com um único cliente ou fornecedor, tens de as declarar em fevereiro do ano seguinte. Se não o fizeres, podes ser sujeito a coimas.


Lista de verificação: contabilidade como autónomo — o essencial de relance

  • O NIE, o NIF e a inscrição no RETA estão tratados
  • O certificado digital está ativo (para entregas online junto da AEAT)
  • Atividade registada junto da Autoridade Tributária (Modelo 036 ou 037)
  • A contabilidade do IVA (Livro do IVA) é mantida atualizada
  • Todas as faturas emitidas incluem as menções obrigatórias completas, incluindo o IVA
  • Todas as faturas recebidas são guardadas nos originais (pelo menos durante 4 anos)
  • Prazos trimestrais no calendário: 20 de abril, 20 de julho, 20 de outubro e 30 de janeiro
  • O Modelo 130 é entregue mesmo que não haja lucro
  • O Modelo 303 é entregue mesmo que o saldo de IVA seja zero
  • A quota do RETA está registada como despesa da atividade
  • A Gestoría foi informada ou o software está configurado
  • A entrega do Modelo 100 (declaração de rendimentos) está prevista até 30 de junho do ano seguinte

Conclusão: a contabilidade como autónomo não é nenhum bicho de sete cabeças, mas exige disciplina

Em comparação com outros países, as obrigações contabilísticas de um autónomo em Espanha são bastante fáceis de gerir: não é obrigatório elaborar balanço, nem manter uma contabilidade financeira completa, e o calendário limita-se a quatro declarações trimestrais por ano. O fator decisivo não é a complexidade, mas a regularidade: quem falha prazos ou não guarda os comprovativos acaba por pagar coimas desnecessárias.

Para quem está a começar a trabalhar em Espanha, recorrer a uma Gestoría durante os primeiros um ou dois anos é um investimento sensato: os custos são moderados e dedutíveis, e a probabilidade de erro diminui consideravelmente. Depois, com um bom software, podes tratar de muitas tarefas por tua conta. Se receberes simultaneamente pensões, rendimentos de arrendamento ou rendimentos obtidos no estrangeiro, convém manter acompanhamento profissional de forma permanente, pois entram em jogo interações fiscais que nem sempre são evidentes. Para saberes mais sobre o enquadramento fiscal geral, consulta o artigo Impostos como residente (IRPF).



Fontes oficiais

Qual é a diferença entre o Modelo 130 e o Modelo 100?
O Modelo 130 corresponde ao pagamento trimestral por conta do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRPF): pagas 20% do lucro trimestral. O Modelo 100 é a declaração anual de apuramento final, que deve ser entregue até 30 de junho do ano seguinte e na qual são deduzidos todos os pagamentos por conta.
Tenho de manter uma contabilidade completa, de acordo com o plano contabilístico espanhol, enquanto autónomo?
Não. Desde que a tua faturação anual seja inferior a 600.000 euros, basta o regime de estimativa direta simplificada, ou seja, um registo de receitas e despesas sem obrigação de seguir um plano contabilístico.
O que acontece se não cumprir um prazo trimestral?
É automaticamente aplicado um recargo. Quem não entregar a declaração arrisca-se a que a Hacienda faça uma liquidação por estimativa e aplique coimas consideravelmente mais elevadas.
Posso deduzir os custos da minha gestoría?
Sim, os custos com gestoría e aconselhamento fiscal são totalmente dedutíveis como despesas da atividade, uma vez que estão diretamente relacionados com o trabalho por conta própria.
Tenho de entregar o Modelo 303 mesmo que o meu saldo de IVA seja zero?
Sim. Mesmo uma declaração sem imposto a pagar é obrigatória. A falta de entrega constitui uma infração e pode dar origem a uma coima, mesmo que não haja qualquer montante a pagar.
Durante quanto tempo tenho de guardar os comprovativos?
Em Espanha, os documentos devem ser conservados durante, pelo menos, quatro anos. É permitido arquivá-los digitalmente, desde que a reprodução dos documentos seja fiel aos originais.
O que é o Modelo 347 e quando preciso dele?
O Modelo 347 é uma declaração anual de operações com clientes ou fornecedores com quem tenhas realizado transações superiores a 3.005,06 euros no ano anterior. Deve ser entregue em fevereiro do ano seguinte à Agencia Tributaria.
A Tarifa Plana também se aplica às obrigações contabilísticas?
Não — a Tarifa Plana (atualmente 88,64 €/mês, incluindo o acréscimo MEI, no primeiro ano) aplica-se exclusivamente às contribuições para a Segurança Social (RETA). Todas as obrigações fiscais de declaração e contabilidade mantêm-se inalteradas desde o primeiro dia de registo.