Onde comprar imóvel em Mallorca? As oito regiões em comparação de preços
A região de Mallorca onde deves comprar um imóvel depende menos dos clichés sobre a ilha do que de dados concretos: o preço por metro quadrado, a densidade de licenças de arrendamento, o estado de conservação dos imóveis e o perfil dos compradores variam consideravelmente entre as oito regiões da ilha. O sudoeste, em torno de Calvià e Andratx, é a zona mais cara e mais promovida junto do mercado internacional; o centro da ilha (Pla) tem o preço por metro quadrado mais baixo, apesar da sua localização central. Este guia apresenta as oito regiões com base na população, no nível de preços, nas licenças de arrendamento turístico e no perfil habitual dos investidores — para que escolhas a localização com base em dados, e não na intuição. No final, encontrarás uma lista de verificação para delimitares as regiões a considerar antes mesmo de marcares uma visita.

Que região se adequa ao teu orçamento, à utilização que pretendes dar ao imóvel e ao teu horizonte temporal?
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As oito regiões em resumo: estrutura e preços
Os 53 municípios de Mallorca podem ser agrupados em oito sub-regiões, que diferem claramente quanto à densidade populacional, ao estado de conservação dos imóveis e à estrutura da procura. A cidade de Palma e o município vizinho de Marratxí formam, com cerca de 475.000 habitantes, a única região com uma verdadeira economia urbana durante todo o ano; no extremo oposto encontra-se o centro da ilha (Pla), composto por 23 municípios maioritariamente rurais e com o preço por metro quadrado mais baixo da ilha.
| Região | Municípios | Habitantes | Perfil | Perfil de investidor |
|---|---|---|---|---|
| Palma (cidade + Marratxí) | 2 | 475.208 | Economia urbana, segmento premium urbano | Core – liquidez máxima |
| Sudoeste (Calvià, Andratx) | 5 | 68.979 | Zonas premium internacionais | Lifestyle-Core – uso próprio com liquidez |
| Norte (Pollença, Alcúdia) | 6 | 80.017 | Baías, foco turístico | Yield – maior densidade de licenças |
| Noroeste / Tramuntana | 7 | 30.509 | Património Mundial da UNESCO, património histórico | Legacy – baixa rotação |
| Nordeste (Cala Ratjada, Artà) | 3 | 34.181 | Zonas rurais premium | Rendimento + estilo de vida |
| Leste (Manacor, Felanitx) | 3 | 77.530 | Fincas existentes | Valorização — potencial de reabilitação |
| Sul (Santanyí, Llucmajor) | 4 | 71.302 | Construções mais recentes | Core de estilo de vida |
| Centro da ilha / Pla | 23 | 122.544 | Corredor vinícola, Maiorca tradicional | Valorização — preço por m² mais baixo |
No que respeita exclusivamente ao preço por metro quadrado, as várias fontes apresentam valores diferentes, pois medem preços de oferta em vez de preços de venda ou abrangem períodos distintos. Por isso, devem ser lidos em paralelo, e não somados.
| Indicador | Fonte | Valor |
|---|---|---|
| Imóveis existentes nas Baleares (venda) | Registo Predial espanhol, 4.º trimestre de 2025 | 4.127 €/m² |
| Imóveis usados na cidade de Palma | Registo Predial espanhol, 4.º trimestre de 2025 | 4.086 €/m² |
| Casas em Maiorca (oferta) | Engel & Völkers, dados de junho de 2026 | cerca de 4.700 €/m² |
| Apartamentos em Maiorca (oferta) | Engel & Völkers, dados de junho de 2026 | cerca de 5.000-5.400 €/m² |
| Imóveis premium no sudoeste (Andratx, Santa Ponsa, Portals) | Análise do setor | 8.000-15.000 €/m²; imóveis de luxo acima destes valores |
Nota: Por norma, os preços de oferta são superiores aos preços efetivos de venda. Para avaliares com rigor o teu imóvel em concreto, vale sempre a pena consultar os dados mais recentes dos notários e do Registo Predial do respetivo município.
Palma e Marratxí: a economia urbana com maior liquidez
A cidade de Palma tem cerca de 416.000 habitantes e, juntamente com Marratxí, a região totaliza 475.208 habitantes — mais de metade da população da ilha. É a única região de Maiorca com uma verdadeira economia durante todo o ano: porto, hospital universitário, núcleos de escolas internacionais e hub de voos diretos. As zonas premium incluem Son Vida, El Terreno, La Bonanova, Génova, Cala Major e o centro histórico em redor da Catedral.
O principal argumento para comprar é a maior liquidez da ilha e o menor prazo de venda na revenda. No entanto, se procuras a imagem rural de Maiorca — fincas, olivais e sossego — a cidade de Palma não é o lugar certo para comprar; o leste ou o centro da ilha serão opções mais adequadas.
Para famílias com filhos em idade escolar, a proximidade de Palma-Son Vida e Marratxí é também relevante, pois é aí que se encontra a única escola alemã da ilha reconhecida pelo Serviço Central para as Escolas Alemãs no Estrangeiro — um fator que tende a valorizar mais as zonas acessíveis para deslocações diárias do que localizações ao mesmo preço, mas mais distantes.
Sudoeste: Calvià, Andratx e o eixo internacional premium
Calvià, Andratx, Banyalbufar, Estellencs e Puigpunyent formam a região com a comercialização internacional de imóveis premium mais intensa da ilha. Zonas como Bendinat, Portals Nous e o eixo de Son Vida concentram edifícios de carácter histórico-mediterrânico, muitas vezes renovados a um nível elevado. Segundo análises do setor, os imóveis de gama alta situam-se այստեղ entre 8.000 e 15.000 €/m², podendo ultrapassar claramente estes valores quando têm acesso direto ao mar e vista para o mar.
O argumento para comprar é a estrutura de compradores mais densa e há mais tempo consolidada da ilha — há décadas que a procura internacional e a comercialização profissional se encontram aqui. O risco é que o nível de preços já seja considerado no limite, tendo a valorização ficado recentemente abaixo da média da ilha. Quem compra no sudoeste adquire mais estabilidade do que potencial de valorização.
A proximidade dos portos de recreio Puerto Portals e Port Adriano constitui uma âncora estrutural adicional: a infraestrutura de serviços para iates estabiliza a procura de compradores internacionais com elevado poder financeiro, independentemente do nível local das taxas de juro.
Norte: baías, famílias e a maior concentração de arrendamento
Pollença, Alcúdia, Muro, Santa Margalida, Sa Pobla e Campanet formam a região com a maior atividade de arrendamento sazonal da ilha. Das 17.034 licenças ativas de arrendamento turístico, 5.326 situam-se no norte (dados de maio de 2026), o que significa que quase uma em cada três licenças de Maiorca se encontra nesta zona — Pollença é considerado o microcluster de arrendamento mais denso da ilha.
| Região | Licenças ETV (maio de 2026) | Percentagem de imóveis com piscina | Concentração de operadores |
|---|---|---|---|
| Norte | 5.326 | 51 % | baixa (Top 10 <15 %) |
| Sul | 2.800 | 53 % | baixa a média (15-25 %) |
| Este | 2.209 | 59 % | baixa (Top 10 <15 %) |
| Centro da ilha (Pla) | 2.174 | 48 % | média (25-35 %) |
| Nordeste | 1.533 | 49 % | baixa a média (15-25 %) |
| Noroeste / Tramuntana | 1.162 | 28 % | média a alta (35-45 %) |
| Sudoeste | 1.026 | 37 % | alta (>45 %) |
| Palma | 804 | 50 % | baixa (Top 10 <15 %) |
Atenção: Desde abril de 2025, a emissão de novas licenças de alojamento turístico para apartamentos está, em regra, suspensa. A possibilidade de transferir uma licença existente quando muda o proprietário é analisada caso a caso e deve ser verificada juridicamente antes da compra.
No norte, o principal argumento de compra é o maior número de licenças existentes na ilha, que permite integrar o arrendamento de forma realista. Encontras mais informações sobre a transmissão de uma licença existente no guia sobre a transmissão da licença ETV.
Noroeste / Tramuntana: Património Mundial da UNESCO e preços de património histórico
Sóller, Deià, Valldemossa, Esporles, Bunyola, Escorca e Fornalutx situam-se na Serra de Tramuntana, classificada como Património Mundial da UNESCO: casas históricas de pedra, socalcos de oliveiras e tradição artística (Robert Graves e Joan Miró viveram em Deià). É também a região com o edificado mais antigo e a menor percentagem de imóveis com piscina da ilha (28 %), além de apresentar uma concentração média a elevada de operadores no segmento do arrendamento.
O argumento de compra é um património histórico que não pode ser multiplicado livremente — não existe registo de um conjunto comparável no Mediterrâneo ocidental. O risco está nas restrições de proteção do património, que limitam as possibilidades de remodelação e construção de piscinas, e nos custos de reabilitação, frequentemente superiores aos de imóveis comparáveis. Se comprares nesta zona, deves verificar atempadamente as restrições aplicáveis — sabe mais no guia sobre proteção do património e BIC em Maiorca.
Nordeste, leste e sul: entre Cala Ratjada, Manacor e Santanyí
Estas três regiões diferem claramente no tipo e idade do edificado, bem como na sazonalidade, mas partilham preços de entrada mais baixos do que o sudoeste ou o norte.
- Nordeste (Artà, Capdepera, Son Servera): combina polos turísticos como Cala Ratjada e Costa de los Pinos com zonas rurais premium em redor do centro histórico de Artà. É mais acessível do que o sudoeste, com um volume de arrendamento comparável, mas tem a sazonalidade mais acentuada da ilha.
- Leste (Manacor, Felanitx, Sant Llorenç): com cerca de 49.000 habitantes, Manacor é a única cidade com funções urbanas próprias fora de Palma — dispõe de hospital, indústria e da Rafa Nadal Academy. Oferece preços de entrada mais baixos e o maior potencial de valorização nas fincas tradicionais, mas, sem uma rede local, os custos de reabilitação são difíceis de prever.
- Sul (Llucmajor, Campos, Santanyí, Ses Salines): o eixo entre Sa Ràpita, Es Trenc, Cala Figuera e Cala d'Or tem o edificado mais recente de todas as regiões — nas últimas três décadas, registou mais construção nova do que as regiões históricas. Santanyí é considerado um polo premium, com menor necessidade de reabilitação.
Se pretendes investir em fincas ou imóveis rurais no leste, deves informar-te previamente sobre as regras relativas à compra de terrenos e a fincas e solo rústico.
Centro da ilha (Pla): a entrada mais acessível com substância
23 municípios centrais — entre os quais Inca, Binissalem (centro da viticultura maiorquina com denominação de origem protegida), Sineu, Alaró, Algaida e Sencelles — representam a identidade tradicional de Maiorca: fincas, oliveiras, amendoais e tranquilidade rural, mantendo simultaneamente uma localização central em relação a Palma e à costa.
O argumento de compra é o preço por metro quadrado mais baixo da ilha, numa localização central. O risco é a menor aptidão para arrendamento, pois o turismo tem aqui uma presença reduzida — por isso, a região é mais indicada para uso próprio e valorização a longo prazo do que para estratégias de rendimento a curto prazo.
Impostos e custos adicionais: iguais em toda a região, mas com resultados diferentes
O imposto sobre transmissões patrimoniais (ITP) aplicável à compra de um imóvel usado nas Baleares é progressivo, com escalões iguais em toda a região. No entanto, devido às diferenças nos preços de compra, o seu impacto varia muito de zona para zona.
| Escalão de preço de compra | Taxa de ITP |
|---|---|
| até 400.000 € | 8 % |
| 400.001-600.000 € | 9 % |
| 600.001-1.000.000 € | 10 % |
| mais de 1.000.000 € | 11 % |
Assim, num apartamento de 350.000 euros no centro da ilha, o montante de ITP será consideravelmente inferior ao de uma villa de um milhão de euros no sudoeste, ainda que ambos sejam tributados de forma comparável. A taxa de imposto é a mesma em toda a região, mas o encargo total aumenta com os preços mais elevados das zonas premium. Podes consultar as taxas exatas atualmente em vigor e eventuais regras especiais no guia sobre o ITP nas Baleares em 2026; para uma lista completa de todos os custos adicionais — notário, registo predial e advogado — consulta o guia sobre os custos adicionais da compra em Maiorca.
Nota: Além do ITP, há em todas as zonas o imposto municipal sobre imóveis (IBI), cujo valor é definido pelo respetivo município. Consulta os detalhes no guia sobre o imposto IBI.
Quem compra onde: perfis de compradores e estratégia de investimento
No quarto trimestre de 2025, a percentagem de compradores estrangeiros nas Baleares foi de 31,5 %, o valor mais elevado de todas as províncias espanholas e bastante acima da média nacional, de cerca de 14 %.

| Indicador | Baleares | Média de Espanha |
|---|---|---|
| Percentagem de compradores estrangeiros (4.º trimestre de 2025) | 31,5 % | 14,0 % |
Os compradores internacionais recorrem com muito mais frequência a uma componente substancial de pagamento a pronto do que os compradores espanhóis locais, que ֆինանսiam maioritariamente o segmento premium através de hipotecas. Isto explica por que razão a procura e os preços se comportam de forma tão diferente consoante a zona: no sudoeste e em Palma, os não residentes com maior capacidade financeira estabelecem o patamar mínimo dos preços, enquanto no leste e no centro da ilha os compradores locais e mais atentos ao valor têm um peso maior.
Os perfis de investidores apresentados na tabela de síntese — Core, Lifestyle-Core, Yield, Legacy e Value-add — destinam-se apenas a servir de orientação, não constituindo uma recomendação. Se o teu objetivo é obter rentabilidade, deves também consultar os dados atuais sobre a rentabilidade em Maiorca em 2026 e sobre as zonas tensionadas / limitação das rendas, antes de decidires definitivamente por uma zona.
Erros mais frequentes na escolha da zona
- Confundir o volume de turismo com a rentabilidade do arrendamento. Um elevado número de turistas não significa automaticamente receitas de arrendamento elevadas — sem uma licença ETV transmissível, a componente de arrendamento deixa inteiramente de existir.
- Subestimar as restrições patrimoniais na Tramuntana. As exigências limitam as possibilidades de construir piscinas e fazer obras de remodelação; os custos de reabilitação ultrapassam frequentemente os de imóveis comparáveis já existentes.
- Calcular a reabilitação de uma finca no leste sem uma rede local de contactos. É difícil estimar este esforço de forma rigorosa antes do início dos trabalhos.
- Comprar no sudoeste porque «é o que se faz». Considera-se que os preços já atingiram o limite; recentemente, a valorização ficou abaixo da média da ilha.
- Esquecer os escalões do ITP ao planear o orçamento. Sobretudo nos patamares de preço de 400.000 € e 1.000.000 €, a taxa marginal altera-se de forma significativa.
- Comparar as expectativas em relação à piscina com a oferta existente na zona. No centro da ilha e na Tramuntana, a proporção de imóveis com piscina é estruturalmente inferior à do sul ou do leste.
O que acontece depois de escolheres a localização?
Depois de definires a zona, o processo de compra propriamente dito segue uma sequência jurídica estabelecida:
- Procura e visita de imóveis na zona escolhida
- Contrato de reserva com sinal para assegurar o imóvel
- Verificação jurídica e urbanística por um advogado espanhol
- Escritura perante notário e pagamento dos custos adicionais da compra
- Registo no Registo Predial
Encontrarás um guia detalhado, com os respetivos prazos, no artigo sobre compra de imóveis: processo. Para acompanhamento jurídico — sobretudo no caso de fincas, imóveis sujeitos a proteção patrimonial ou compras realizadas do estrangeiro por procuração — é aconselhável recorrer desde cedo a um advogado especializado na compra de imóveis. Se procuras uma casa de férias com intenção de a arrendar, deves também consultar o guia sobre comprar uma casa de férias.
Lista de verificação: 7 passos para escolher a região certa
- Define o uso que lhe vais dar: uso próprio, arrendamento, investimento ou uma combinação destes.
- Calcula o orçamento de forma realista, incluindo os escalões do ITP e os custos associados à compra.
- Compara a intenção de arrendar com a densidade de licenças ETV na região pretendida.
- Compara as tuas expectativas quanto ao tipo e estado da construção (obra nova, património histórico ou finca) com a oferta existente na região.
- Verifica a acessibilidade ao aeroporto, às escolas e aos médicos, tendo em conta a intensidade de utilização prevista.
- Esclarece מראש os eventuais riscos relacionados com a proteção do património ou com obras de reabilitação na Tramuntana e no leste.
- Prevê uma análise jurídica por um advogado espanhol antes de fazer qualquer reserva.
Conclusão
Não existe uma região objetivamente «melhor» em Maiorca — existe apenas a região adequada ao teu orçamento, à utilização prevista e ao teu horizonte temporal. Palma oferece a maior liquidez, o sudoeste tem a comercialização internacional mais consolidada, o norte apresenta a maior densidade de licenças de arrendamento, a Tramuntana dispõe de um património histórico singular, e o leste e o interior da ilha têm o maior potencial de valorização, com preços de entrada mais baixos. Quem compara estes perfis com a sua própria estratégia antes da primeira visita evita os erros mais dispendiosos ao comprar em Maiorca — mais tarde, é muito difícil corrigir uma compra mal escolhida do ponto de vista regional.
Fontes oficiais
- Registo Predial espanhol (Colegio de Registradores) — https://www.registradores.org
- Instituto Nacional de Estatística espanhol (INE) — https://www.ine.es
- Instituto de Estatística das Baleares (IBESTAT) — https://ibestat.caib.es
- Banco Central de Espanha (Banco de España) — https://www.bde.es
- Conselho Geral do Notariado espanhol (Consejo General del Notariado) — https://www.notariado.org
- Agência Tributária das Illes Balears (ATIB, taxas de ITP) — https://www.atib.es
- Cadastro Predial espanhol (Sede Eletrónica do Cadastro) — https://www.sedecatastro.gob.es
- AENA (dados do aeroporto de Palma) — https://www.aena.es
- Eurostat — https://ec.europa.eu/eurostat